
Capítulo 938
Assassino Atemporal
(
Continuação da Transmissão ao Vivo da Execução, Ponto de Vista de Aegon Veyr)
Veyr assistia a tudo ao seu redor com a respiração presa, sua percepção esticada ao limite enquanto era forçado a testemunhar muitas coisas ao mesmo tempo.
O confronto entre Soron e Helmuth rugia perto demais para que ele pudesse sentir cada ondulação violenta de poder, os dois Deuses se enfrentando em velocidades que seus olhos mortais nem conseguiam compreender, enquanto ao mesmo tempo via o Exército do Culto avançar polegada por polegada, suas formações se apertando, se afinando, se reformando enquanto pagavam cada metro com sangue.
'Isso… isso não é bom….'
A compreensão pesou em seu peito enquanto a batalha se arrastava, os gritos começando a se misturar e o número de caídos crescendo mais rápido do que sua mente queria processar.
'Tantos morrendo por mim….'
O pensamento não veio carregado de orgulho.
Veio carregado de culpa.
A cada minuto que passava, o peso dessas perdas pressionava mais forte sua consciência, até que o Culto finalmente alcançou o terceiro círculo e seu avanço parou, a pressão Transcendente esmagando-os como uma parede implacável.
A mandíbula de Veyr se tensionou enquanto observava soldados do Culto caírem às milhares a cada segundo que passava, seus corpos dilacerados por técnicas violentas destinadas a eliminar bestas, não humanos.
'O que vocês estão fazendo, seus idiotas?'
Suas mãos tremiam levemente.
'Não é preciso sacrificar tantas vidas só para salvar um homem.'
O pensamento queimava.
'Vira a cabeça.
Vai embora.
Sai enquanto ainda consegue.'
Ele engoliu em seco.
'Já é suficiente eu saber que vocês vieram.'
As palavras ecoaram dentro dele enquanto seu olhar finalmente vacilava, incapaz de suportar mais aquele espetáculo, virou-se do campo de batalha com uma respiração rápida, o peito apertado por frustração e vergonha impotentes.
E então—
Algo mudou.
A pressão se alterou.
O próprio ar parecia diferente.
Enquanto o som do campo de batalha mudava seu ritmo.
*Sussurros*
* Conversas dispersas*
O som ensurdecedor do confronto de espadas e técnicas detonando começava a se apagar, não porque a guerra tivesse acabado, mas porque algo muito mais pesado tinha entrado nela, substituindo o caos por uma quietude sufocante que se espalhava de forma anormalmente rápida.
Confuso, Veyr virou-se de volta.
Seus olhos se arregalaram.
Lá, descendo do céu como uma força inevitável, estava uma figura que ele conhecia melhor do que ninguém.
'…Leo?'
O nome veio instintivamente, mal formado, enquanto sua respiração ficava entrecortada.
De longe, só conseguia ver a silhueta do irmão, a forma como ele permanecia imóvel no centro do campo de batalha, como dezenas de milhares se curvando perante ele sem resistência, e mesmo de longe, a visão era inconfundível.
Aegon Veyr sentiu algo dentro do peito se partir.
Uma represa que ele vinha segurando há tempo demais.
Sua visão ficou turva levemente enquanto uma lágrima ameaçava escapar, sua garganta se apertando enquanto emoções que ele havia enterrado sob determinação e resistência brotavam tudo de uma vez.
Alívio.
Medo.
Culpa.
E, principalmente—
Esperança.
'Você me avisou milhões de vezes para não vagar pelo universo sozinho.'
'Você me implorou para que eu me juntasse a você no Mundo do Tempo Congelado.'
E, ainda assim, eu—burro como sou—nunca segui seu conselho…
É minha culpa que milhares estejam morrendo aqui a cada segundo, e mesmo depois de tudo que fiz de errado…
Você ainda veio, primo.'
Veyr pensou com gratidão, enquanto naquele momento até começava a conseguir expressar o sentimento de gratidão que sentia por Leo.
Pois, embora fosse um órfão sem família, naquele instante ele compreendia de verdade como deveriam ser os laços de sangue.
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(Enquanto isso, Mauriss)
Veyr não era o único observando de perto os acontecimentos que se desenrolavam dentro e além do coração do Chakravyuh, pois o Enganador os acompanhava com atenção igual.
Seguindo cada movimento do Exército do Culto com foco meticuloso, o Enganador soltou um grito surpreso e de prazer no instante em que Leo entrou na luta.
*Brilho*
*Fios de Ouro*
Naquele momento, uma dúzia de fios dourados luminosos emergiram do corpo de Leo, se estendendo pela batalha enquanto o conectavam a Mauriss, Kaelith, Helmuth e Soron.
Era como se o próprio destino tivesse apertado seu abraço, colocando um mero mortal no centro de destinos convergentes, onde o resultado de uma única batalha poderia decidir o destino de seres cósmicos.
"Interessante… muito, muito interessante…."
Mauriss refletiu, pois Leo Skyshard já havia gravado uma marca permanente em sua mente, elevando silenciosamente o status do mortal de uma variável descartável para algo muito mais valioso, muito mais perigoso, enquanto suas pupilas se dilatavam de fascínio cru, inclinando-se um pouco para frente, com os dedos tremendo como se resistisse à vontade de alcançar e tocar o momento em andamento.
*Lamber*
Devagar, de forma indulgente, Mauriss ergueu uma mão e passou a língua pelos seus dedos, saboreando a sensação como se o próprio sabor do destino permanecesse ali, seu sorriso se alargando até algo insano e sem remorsos, enquanto uma risada borbulhava sob a superfície de sua respiração.
"Um mortal que dobra o fluxo do destino sem perceber", murmurou, com a voz baixa de prazer. "Uma lâmina afiada o suficiente para dividir o próprio destino, mas sem perceber de quem está silenciando."
Seu olhar piscava em direção aos fios dourados que ligavam Leo a seres que moldaram eras com seus caprichos, e a visão fez seus ombros tremerem levemente de alegria contida, como se o universo lhe tivesse acabado de oferecer uma piada rara feita só para seus olhos.
"Quanto tempo faz", continuou Mauriss suavemente, "desde que uma única alma carregava o potencial de virar a balança tão limpidamente?"
Ele lambeu os dedos novamente, mais lentamente desta vez, saboreando a antecipação mais do que o ato, enquanto seus pensamentos se expandiam, percorrendo possibilidades ramificadas que se partiam e se reuniam como espelhos quebrados, cada um refletindo um futuro banhado em ruína ou vitória.
"Caos", sussurrou, provando a palavra. "Caos glorioso e inconveniente."
Leo destruiria o campo de batalha e arrastaria os Deuses para um resultado que nenhum deles tinha previsto, ou abriria uma porta que faria a sorte correr para aqueles espertos o suficiente para agarrá-la primeiro?
Mauriss imaginou, enquanto seu sorriso se agudizava com a ideia de que qualquer um dos dois resultados seria maravilhoso à sua maneira.
"Destino ou ruína", ele resmungou, com os olhos brilhando. "Não importa."
Porque, pela primeira vez em muito tempo, o Enganador não observava uma tragédia ensaiada se desenrolar.
Ele estava assistindo à improvisação.
E isso, mais do que qualquer outra coisa, o deixava radiante ao ver o que viria a seguir.