
Capítulo 936
Assassino Atemporal
(Continuação da transmissão ao vivo da execução, O Poço)
Leo desceu do céu como um julgamento vindo do alto.
Sua velocidade e trajetória comprimiram o ar sob seus pés ao cair, a força da gravidade dobrando a atmosfera contra o campo de batalha abaixo, enquanto o impacto se interiorizava logo na chegada, as pedras se dobrando e se partindo sob suas botas, antes que uma onda de choque atrasada se propagasse para o exterior, escavando uma depressão rasa na terra.
*BANG*
O chão gritou.
Uma onda de pedra pulverizada e terra esfacelada se espalhou, enquanto soldados de nível Transcendente eram arrancados de suas posições e lançados para longe em todas as direções, corpos girando sem controle pelo ar, enquanto formações que haviam resistido por horas eram desestabilizadas num piscar de olhos, suas coesões destruídas pela força avassaladora de sua chegada.
*FSSHHH*
*PLUF*
Poças de poeira subiram aos céus.
Detritos caíram como chuva.
E, no centro de tudo, Leo permanecia imóvel.
Ele não correu imediatamente para aproveitar a vantagem, mas sim se endireitou lentamente, rolando os ombros uma única vez enquanto os últimos fragmentos de pedra escorriam de suas botas, suas adagas já repousando em suas mãos enquanto ele varria um olhar calmo e avaliador por todo o campo de batalha para definir sua estratégia.
'Ali–'
Antes de se mover, ele identificou o alvo.
*Corte*
*Corte*
As primeiras duas investidas que fez foram bem simples, apenas dois arcos grandes de adagas que rasgaram o ar com tanta força que cortaram limpidamente as primeiras fileiras de soldados inimigos, enquanto armaduras se abriram, corpos se separaram, e sangue se espalhou pelo ar poeirento.
"ARGHHHH!"
"PUHH—"
Alguns gritos surgiram inicialmente, mas logo o silêncio tomou conta.
Não porque a guerra tivesse parado.
Mas porque algo muito mais assustador substituiu o barulho, enquanto Leo baixava suavemente suas armas.
"Hah–"
Ele soltou uma risadinha disfarçada, enquanto erguia o queixo e relaxava os braços, com uma postura tranquila e sem pressa, como se não precisasse justificar sua chegada tardia à batalha.
"Ajoelhem…."
Ele ordenou, e embora a palavra não carregasse ênfase, raiva ou ameaça, assim que saiu de seus lábios, toda a batalha tremeu.
*Tremor*
*Engasgar*
Uma aura sufocante e esmagadora começou a rolar pelo campo de batalha em ondas sobrepostas, pressionando a mente e o corpo dos soldados Justos. Apesar de tentarem ao máximo manter-se de pé, seus joelhos começaram a vacilar e a visão ficou turva.
Milhares de guerreiros de nível Transcendente ficaram rígidos.
Depois, tremeram.
Sua respiração ficou mais difícil, o equilíbrio falhou, os sentidos oscilaram, enquanto, ao longo de uma extensão de dois quilômetros, dezenas de milhares de soldados de elite do Exército Justo sentiram sua força fraquejar ao mesmo tempo, os joelhos cedendo sob um peso invisível, instintos gritando alerta, corpos respondendo antes mesmo que o orgulho ou o treinamento pudessem agir, e, por milhares, eles caíram.
*Tuc*
*Estouro*
Armaduras soaram suavemente ao bater contra as pedras, enquanto os joelhos tocavam o chão, as armas escorriam de mãos dormentes, e soldados que momentos antes permaneciam inabaláveis agora se viam incapazes de se manter de pé, suas vontades esmagadas por uma presença esmagadora, que eles não podiam resistir nem compreender.
O panorama do campo de batalha mudara completamente.
Não por sangue.
Mas por domínio.
Pois a chegada de Leo sozinho resolveu o impasse que segurava a guerra havia minutos antes de sua chegada.
"Eu– É o Senhor! O Senhor Dragão Sombrio está aqui!"
"Olhem, pessoal… O Senhor voltou à consciência!
Ele veio para nos levar à vitória!"
diziam os soldados do Culto, e ao olharem para as costas de Leo, não conseguiam mais sentir medo, pois a exaustão que pesava sobre eles foi bruscamente apagada por uma onda de certeza crescente, como se algo fundamental tivesse sido restaurado no instante em que ele entrou no campo de batalha.
*Risada abafada*
*Aplausos contidos*
Alguns riram baixinho, enquanto outros engoliram em seco, suas mãos ainda trêmulas se apertando em nossas armas, que de repente pareciam mais leves e firmes, seus corações, que batiam forte de cansaço, agora pulsando com propósito, como uma adrenalina que enchia as veias praticamente secas minutos atrás.
"Ele está bem na nossa frente…."
"Ele voltou realmente…."
"Ele não nos deixou para trás…."
As palavras sussurradas entre as fileiras eram de descrença, e ninguém se atrevia a elevar a voz demais, como se falar com força pudesse destruir o momento, como se essa presença fosse algo frágil que precisava ser respeitado, não comemorado.
Leo não se virou.
Não os reconheceu.
Nem olhou para trás.
E mesmo assim, sua recusa em se dirigir a eles acentuou ainda mais a força de sua postura, fazendo parecer que sua postura era absoluta, firme, como se nunca duvidasse, por um segundo, que eles ainda estariam ali quando ele chegasse. Como se o desfecho desta guerra já estivesse decidido em sua mente, e tudo o que estivesse acontecendo agora fosse apenas o processo de alcançar essa conclusão.
Por trás dele, soldados do Culto se endireitaram, um a um, com os ombros erguidos e passos mais firmes, agora plantando os pés firmemente no chão, sentindo-se vivos de uma forma que ia além da recuperação física.
Não se sentiam protegidos.
Sentiam-se guiados.
Não por palavras ou ordens, mas pela certeza de que aquele homem à sua frente seria o primeiro a avançar rumo ao que quer que os aguardasse, como se a própria morte tivesse que ultrapassá-lo para alcançá-los.
Por outro lado, os soldados da facção Righteous não tinham essa clareza.
Eles sussurravam uns aos outros enquanto o medo se espalhava pelas formações, olhos que antes demonstravam disciplina agora se desviavam repetidamente para Leo, incapazes de desviar o olhar da figura que tinha revertido o equilíbrio do campo apenas por chegar.
"I–Eu–É o Demônio de Omega…."
uma voz hesitou, quase inaudível no caos, enquanto soldados ao redor se enrijeçiam ao ouvir o nome.
"Ele não eliminou nossos exércitos em dois planetas sozinho…?"
Outro sussurrou, entre descrença e pavor, enquanto memórias enterradas sob doutrina e negação ressurgiam.
"Por que… por que minhas pernas não se movem…?"
Uma terceira voz trincou, o pânico se espalhando ao perceberem que seus corpos reagiam antes de suas mentes, instintos gritando alertas que o treinamento não podia silenciar.
Comandos não chegavam a tempo.
Nem formação permanecia sólida.
Enquanto Leo permanecia imóvel no centro da tempestade que criara, os soldados do Exército Justo compreenderam algo para o qual não estavam preparados.
Essa guerra tinha acabado de mudar.
E eles não tinham mais certeza de que estavam do lado que poderia sobreviver a ela.