Assassino Atemporal

Capítulo 932

Assassino Atemporal

(A Terra do Destino, Ponto de Vista de Leo)

Ao ouvir as palavras da Senhora Destino, Leo não pôde deixar de refletir sobre as implicações mais profundas por trás das sugestões que ela fazia. No entanto, por mais que tentasse, não conseguia enxergar claramente como qualquer delas realmente afetaria sua vida.

'Entendo que Carma e Destino estão interligados, e que carregar um grande destino significa que um preço equivalente deve ser pago como o Carma….'

Porém, qual decisão exata ela tentava influenciar?'

Ele se perguntava, enquanto Lady Destino, após ler seus pensamentos, continuava sem suavizar suas palavras.

"Quando seu antepassado trilhou esse caminho, não o fez de forma ignorante, pois o Assassino Atemporal entendia exatamente o que significava desafiar a história, desafiar o Carma ao invés de se deixar levar por ele, e ainda assim escolheu seguir adiante, convencido de que o ciclo de sofrimento precisaria ser quebrado em algum momento, não importando o custo."

Não havia julgamento em suas palavras, apenas registro.

"Ele construiu algo sem precedentes, uma organização que negava a autoridade divina, rejeitava a inércia histórica e buscava forçar o universo à evolução, ao invés de repetição, e por um tempo, essa tentativa realmente teve sucesso."

Seu olhar permaneceu fixo em Leo.

"Deuses foram destabilizados, sistemas que resistiram por eras inteiras foram destruídos, e estruturas de poder colapsaram sob pressões que nunca deveriam suportar."

Ela inclinou levemente a cabeça.

"Mas a disrupção não é a mesma coisa que a resolução."

As palavras adentraram com clareza.

"Porque embora o ciclo tenha sido desafiado, não foi realmente quebrado, e assim a dívida não desapareceu, mas se acumulou."

A expressão de Lady Destino permaneceu calma enquanto ela prosseguia.

"Durante os próximos dois mil duzentos e cinquenta anos, aquele Carma acumulado foi pago constantemente, não só por ele, mas por aqueles que o seguiram, por quem acreditava em sua visão e escolheu trilhar o caminho que ele moldou."

Seus olhos não vacilaram.

"Bilhões sofreram, seguidores que depositaram sua fé em seus ideais, civilizações que se alinharam com sua causa, e descendentes que herdaram consequências que nunca escolheram e nunca compreenderam."

Ela não exagerou, não dramatizou.

"É isso que acontece quando a história é empurrada adiante sem ser resolvida, porque o Carma não desaparece ao ser ignorado, ele se redireciona."

Leo sentiu algo apertar em seu peito.

"O Assassino Atemporal não conseguiu quebrar completamente o ciclo," disse Destino de forma direta, "e por isso, o universo corrigiu o desequilíbrio da única maneira que sabe."

Seu olhar tornou-se mais afiado.

"E, no fim, ele pagou o preço final com a própria vida."

O foco de Leo travou nela completamente.

"Ele morreu traído por suas próprias entranhas," ela continuou, "não por um inimigo, mas por aqueles mais próximos a ele, e esse momento virou o que a história hoje chama de Grande Traição."

Seus olhos se arregalaram, ao compreender o significado oculto por trás dessas palavras.

"E se você seguir o mesmo caminho do seu antepassado," disse Lady Destino, com uma voz firme e decidida, "há uma possibilidade muito real de que você morra da mesma forma."

As palavras foram profundas.

"Traído, numeroso e condenado pelos próprios laços que você acreditava que resistiriam."

Ela alertou, e pela primeira vez desde que entrou na Terra do Destino, Leo sentiu de verdade o peso do caminho que tinha pela frente.

Lady Destino não o pressionou, nem tentou guiá-lo — em vez disso, ofereceu algo muito mais perigoso do que instrução.

Uma escolha.

"Então, diga-me, Leo Skyshard, o que você fará?"

Seus olhos buscavam seu rosto.

"Você tentará cumprir a profecia, ciente do preço que ela exige, ou irá desistir, abandonar seu papel e deixar que a história escolha outro protagonista para carregar esse peso?"

Ela perguntou, enquanto o cenário dos sonhos começava a desvanecer, as cores acima dele se fragmentando como vidro sob pressão, enquanto a água refletida sob seus pés se estilhaçava em mil reflexos desalinhados, como se a própria Terra do Destino tivesse decidido que a conversa tinha chegado ao fim natural.

A primeira a se desfazer foi a figura de Lady Destino.

Sua silhueta mudou, distorceu-se e depois se dispersou em partículas de luz que se dissolveram no céu fragmentado, deixando Leo sozinho enquanto o horizonte se dobrava sobre si mesmo.

O arco-íris acima dele se quebrou em seguida.

Rachaduras atravessaram o céu como falhas geológicas, a luz escapando pelas fraturas, enquanto o mundo perdia coesão. O reflexo sob seus pés se partiu em ondas que não obedeciam mais direção nem profundidade.

O chão desapareceu.

E então—

Leo ficou só.

Suspenso no nada.

Sem cores.

Sem reflexos.

Sem voz.

Somente pensamento.

As últimas palavras que ela falou ecoaram dentro de sua mente com uma nitidez desconfortável.

'Traído por suas próprias entranhas.'

Leo apertou o maxilar enquanto a frase se repetia, cada repetição cavando mais fundo do que a anterior.

'O que isso realmente quer dizer?'

A pergunta surgiu instintivamente, seguida por outra que apertou seu peito.

'Algum dos meus filhos vai me trair… assim como Kaelith traiu o Assassino Atemporal?'

A ideia o deixou mais inquieto do que qualquer campo de batalha jamais tinha conseguido.

Caleb.

Mairon.

As faces deles surgiram na sua mente, jovens, pouco moldados pelo mundo, intocados por ambição, medo ou ideologia, e a ideia de associar traição a eles parecia errada, fundamentalmente, como encher algo puro com veneno.

'São crianças.'

Essa percepção o acalmou um pouco.

'São inocentes.'

E ainda assim, a angústia persistia.

Porque o aviso de Destino não era sobre inevitabilidade.

Era sobre crença.

Leo respirou fundo, à medida que mais uma ideia se estabelecia.

'Se começo a olhar para eles com suspeita ao invés de certeza…'

A ideia morreu antes de completar, pois ele já sabia onde ela levava.

Pensar que eles eventualmente iriam traí-lo plantou a semente da desconfiança cedo, fazendo com que ele inconscientemente se afastasse dos filhos, até que o amor entre eles fosse corroído pela cautela.

No final, a profecia se realizaria não por ser inevitável, mas porque ele acreditava nela forte o suficiente para moldar todas as suas escolhas em torno dela.

'Essa é a jogada.'

A certeza veio silenciosa, mas carregada de peso.

'É assim que a profecia vira destino.'

Não por força ou comando divino.

Mas pelo medo moldando comportamentos, pela expectativa alterando a confiança, por pessoas agindo de forma a construir lentamente o resultado que tentaram evitar.

'Não… eu não vou jogar esse jogo sujo. Você não vai me fazer virar as costas para minha própria carne e sangue.'

Ele concluiu com firmeza, sentindo sua mente retornar ao próprio corpo.

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