Assassino Atemporal

Capítulo 839

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, na ilha flutuante, ponto de vista de Moltherak)

Moltherak, na forma de sua alma, lentamente abriu os olhos, seu sono profundo sendo perturbado ao sentir a explosão do avanço de Leo reverberar pelo Mundo Parado no Tempo, mesmo estando a dezenas de milhares de quilômetros de distância.

Uma leve ondulação tocou os vastos salões antigos ao seu redor.

Quase um sussurro.

Quase um brilho passageiro.

Mas forte o suficiente para alcançar a ilha flutuante onde ele dormia.

"Hmmm…" Moltherak murmurou suavemente, enquanto suas pálpebras espectrais se levantaram um pouco mais, o brilho dourado dentro delas se intensificando com interesse.

"Essa presença…" ele sussurrou, enquanto sua consciência se expandia como uma maré que se espalha por praias distantes.

Nos seus anos de vida e sono, poucas coisas haviam sido percebidas como uma ameaça à sua alma—

O riso do Assassino Atemporal.

A astúcia de Zhanrok.

A fúria de Helmuth.

Mas nunca algo tão somente mortal.

Nunca um Cultivador de Alma Emergente.

Nunca alguém que tivesse apenas tocado o auge da força humana.

Porém, o tremor que agora ele sentia…

Era diferente.

Ele podia perceber a onda de mana que se difundia pelo mundo Parado no Tempo, como um batimento cardíaco de um predador recém-nascido.

Instável em sua infância.

Caótico em seu despertar.

Porém, profundo, poderoso e inegavelmente real, mesmo assim.

"Interessante…."

Moltherak refletiu, enquanto extraía as leves pegadas do fenômeno por meio de seus sentidos espirituais.

"Um Alma Emergente…?" ele sussurrou.

"Não. Isso é um título demasiado simples para essa aura."

Ele fechou os olhos por um momento, revivendo novamente a sensação.

A pressão.

O peso.

O tremor distante.

A ambição desconhecida que florescia nas profundezas do núcleo de Leo.

Nenhuma dessas sensações era típica de uma Alma Emergente comum.

Nem mesmo de talentos raros de clãs antigos.

"Essa sensação… me lembra os jovens Dragões Overlords durante suas ascensões," Moltherak comentou calmamente, sua voz carregada de algo raro para ele.

Respeito.

Ele se moveu levemente, sua colossal forma de alma se agitando dentro dos limites da ilha.

Escamas vermelhas de pura essência brilhavam fracamente enquanto ele se ajustava, sentindo o último eco da aura de Leo desaparecer na quietude mais uma vez.

"Que incomum…" ele murmurou.

"Para um cultivador humano mortal perturbando meu descanso de tão longe."

Seus olhos se estreitaram com uma curiosidade silenciosa e predatória.

"A aura de uma Alma Emergente jamais deveria chegar até mim. Nem de tão longe. Nem mesmo se cem deles ascendissem ao mesmo tempo."

Ele disse, enquanto sua longa cauda etérea se enrolava ao redor da plataforma de pedra sob seus pés.

"É quase como se estivesse assistindo a lenda do Assassino Atemporal se reerguer novamente."

Ele concluiu, ao recordar o período da história em que o jovem e promissor Assassino Atemporal era uma ameaça a todos os deuses bestas antigos, incluindo ele mesmo.

Auras do jovem na época eram muito superiores às de qualquer outro na mesma etapa, rompendo com as convenções do que se supunha ser força de acordo com o nível.

E o Leo de agora, seguia esse mesmo caminho.

Porém, diferente do Assassino Atemporal, que era puramente humano, ele também tinha um pouco de sangue de dragão, o que o tornava um guerreiro completamente diferente de qualquer outro.

"Você é especial, garoto. Ainda não acho que seus rivais realmente entendam com o que você está se tornando."

"Mas, assim que perceberem, você nunca mais viverá em paz…."

Moltherak refletiu, sem conseguir evitar recordar o período em que todos os deuses bestas antigos caçaram o Assassino Atemporal como se não houvesse amanhã.

Porém, naquela época, já era tarde demais.

Quando perceberam seu verdadeiro potencial, o Assassino Atemporal já havia se tornado muito escorregadio para serem capturados.

Seu maior desejo agora era que Leo escondesse seu poder tempo suficiente para fazer o mesmo.


(Enquanto isso, ponto de vista de Chaosbringer, Cidade Skyshard)

*Batida*

*Batida*

As portas do escritório de Chaosbringer abriu-se com rapidez enquanto uma de suas assistentes entrava correndo, o rosto pálido e a respiração irregular.

"Sétimo Elder… Sétimo Elder… a cidade… as pessoas começaram a sentir-se mal com essa pressão," ela disse, quase tropeçando nas próprias palavras.

"Deveríamos solicitar aos Monarcas que interrompam a ascensão do Senhor? Se sua aura ficar ainda mais instável do que já está, podemos começar a perder vidas civis às milhares."

Ela sugeriu, enquanto a mão de Chaosbringer parava sobre os papéis que analisava.

Sua expressão, normalmente calma, endureceu-se em algo inexpressivo e frio como pedra ao ver a assistente engolir em seco, o medo evidenciado em sua voz enquanto continuava a falar.

"Sétimo Elder… por favor, entenda. Acabamos de receber ligações do hospital central. Vários cidadãos já em estado crítico perderam suas vidas. Não conseguiram suportar os picos súbitos de pressão. Isso é perigoso."

Ela tentou defender sua posição, mas Chaosbringer lentamente se levantou de sua cadeira, tomado pela fúria sem limites.

"Não me importo,"

ele disse, cada palavra como uma lâmina cortando a pedra, apontando um dedo de forma pouco cavalheiresca — totalmente diferente dele.

"Se mil cidadãos morrerem. Se um bilhão morrer. Ou se eu mesmo não sobreviver a este dia."

Ele se inclinou para frente, os olhos ardendo com uma lealdade tão absoluta que beirava a loucura.

"Ninguém… e quero dizer ninguém… vai perturbar a ascensão do Senhor. Entendeu?"

Ele ameaçou, enquanto a assistente recuava cambaleando, o pulso audível no silêncio, seus joelhos tremendo como se o mero olhar dele fosse sufocar sua coragem.

Ela abriu a boca para pedir desculpas, explicar, ou dizer qualquer coisa.

Mas então—

*Bzzt* *Bzzt*

*Bzzt* *Bzzt*

O comunicador de cristal na mesa de Chaosbringer começou a vibrar, e ele o pegou imediatamente.

"Sim? Fale," ele disse, com a voz cortante de urgência, enquanto do outro lado a voz composta de Dupravell Nuna ressoava através do cristal.

"Está feito. O Lorde ascendeu com sucesso."

Ele transmitiu, enquanto por um momento Chaosbringer ficou imóvel.

Então, um sorriso se espalhou por seu rosto.

Um sorriso enorme.

Um sorriso tão largo que parecia impossível distinguir que minutos antes ele transbordava raiva suficiente para incendiar o edifício, enquanto seus ombros relaxavam, seus olhos brilhavam e sua respiração escapava em um suspiro de alívio.

"Ótimo…" ele sussurrou, seu sorriso crescendo enquanto se voltava para a janela com vista para a cidade tremendo.

"O Lorde… finalmente se tornou um Monarca."

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