Assassino Atemporal

Capítulo 832

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, no Poço, ponto de vista de Helmuth)

Helmuth estava na beira de um penhasco, com vista para a bacia central do Poço, braços cruzados de forma calma atrás das costas, expressão austera em um rosto franzido em uma testa carregada de preocupação enquanto o brilho metálico de martelos, formões e ferramentas arcanas ecoava pelas planícies vulcânicas abaixo dele.

*Chik* *Chik*

*Bati* *Bati*

*Moendo* *Moendo*

*Tamborilando* *Tamborilando*

O chão tremia a cada poucos segundos pelo volume de energia sendo despejada na terra, enquanto equipes dos maiores runesmiths, ferreiros, engenheiros, guardiões de feitiços e geomantes da Facção Justa rastejavam pela paisagem como formigas, cada uma trabalhando em uma parte da colossal formação Chakravyuh sendo moldada na crosta do planeta.

Linhagens de inscrições em prata, ouro e vermelho sanguíneo se torciam em círculos concêntricos, formando um labirinto tão denso e intricado que até deuses mestres das leis do universo tinham que parar ao vê-lo.

Era um projeto que eles só tinham usado uma vez antes... Durante a Grande Traição, com o objetivo final de a formação isolar o acesso do sujeito à quarta dimensão e prendê-lo/la à prisão brutalmente restritiva do mundo tridimensional.

Ou seja, em palavras mais simples, era uma gaiola de luxo para deuses.

Uma em que eles podiam ser mortos de uma vez por todas.

"Vergonhoso... O que Mauriss e Kaelith querem que eu faça é simplesmente vergonhoso..."

Helmuth refletia, enquanto as veias na mandíbula se tensionavam, o orgulho antigo inflamando seu coração como um animal acuado.

Para ele, esse não era o modo de um verdadeiro guerreiro lutar.

Nem como um verdadeiro Deus deveria provar sua força absoluta.

Para ele, isso era uma vergonha, da qual não queria participar, se a decisão fosse só dele.

"Tch…"

Ele comentou, ao resentir a língua, seu semblante se aprofundando enquanto via o progresso da construção.

"Apenas covardes lutam assim."

Começou, sua voz carregada de arrogância e orgulho.

"Covardes, mulheres, eunucos... Só eles recorrem a truques baratos, como vantagens de terreno ou armadilhas, para vencer batalhas.

Não homens de verdade..."

Ele murmurou, balançando a cabeça desapontado.

"Homens de verdade não ficam dentro de círculos traçados por mortais trementes, nem se apoiam em vantagens insignificantes ou armadilhas covardes; homens de verdade enfrentam o inimigo ao sol, peito com peito, punho com punho, alma com alma, sem nada além de força decidindo o resultado."

Ele afirmou, cerrando os punhos com raiva indomável, a vontade de desobedecer à aliança e destruir o local de construção diante dele crescendo no peito.

"Mauriss e Kaelith são covardes. Podem ser deuses, mas não são homens de verdade.

São poderosos, mas não têm coragem."

Ele repreendeu, desabafando sua frustração com seus pares, que o forçavam a deixar a construção acontecer em seu solo sagrado.

Os dois haviam votado contra ele por 2 a 1 nessa questão, e, por isso, apesar de sua repulsa, foi obrigado a permitir que a construção prosseguisse, já que a dupla queria cada vantagem possível para derrotar Soron.

No entanto, diferente deles, Helmuth não se sentia bem com toda essa situação como homem.

Porque, se fosse só por ele, esmagaria tudo com o pé, transformar o círculo ritual em pó, enviaria os runesmiths de volta para casa e ficaria sozinho na bacia, esperando por Soron, apenas com seus punhos e sua fúria ao seu lado.

Se dependesse só dele, queria enfrentar Soron um contra um, sem truques ou armadilhas manchando o chão entre os dois, para provar uma vez por todas ao universo que sempre foi o melhor lutador...

Que a vergonha que carregou por dois mil e duzentos anos não passou de um mal-entendido do destino.

"É uma pena", murmurou Helmuth, com a voz baixa, que só o vento levou.

"É uma pena que nunca poderei provar a você que fui o guerreiro superior."

Ele disse, enquanto seus olhos seguiam as linhas da formação que se estendia até o horizonte, o peito ardendo não de ódio, mas de uma nostalgia amarga que existia dentro de si desde aquele dia de derrota tão distante.

"Por você, Soron," sussurrou, "espero de verdade que tenha encontrado uma maneira de quebrar esse Chakravyuh…"

"Espero realmente que consiga romper suas camadas e sair dele sem ficar preso."

"Pois só assim nossa luta poderá permanecer pura."

Ele afirmou, enquanto sua visão se estendia além dos trabalhadores lá embaixo, indo até o céu silencioso onde seus pensamentos vagavam.

"Mas se não conseguir fazer isso," acrescentou lentamente, "e acabar preso na terceira dimensão, então entrarei no centro do círculo eu mesmo, suprimindo minha divindade, limitando-me à terceira dimensão também."

Ele decidiu, recusando-se a vencer por truques mesquinhos.

Recusou-se a lutar como Mauriss e Kaelith queriam.

Ao contrário deles, que aceitavam a vitória a qualquer custo, ele se negava a reivindicar uma vitória que manchasse o orgulho de seus guerreiros.

"Não importa o que Mauriss e Kaelith exijam de mim, farei nossa batalha final justa."

Concluiu, deixando a frase pairar no ar por um longo momento, com a mandíbula firmada, o coração batendo forte, firme e enraizado.

"Já vivi tempo demais com a vergonha da derrota…

Mas agora vou provar para o universo que sou eu, Helmuth, quem sempre foi o mais forte."

Ele deu um passo para trás do limite do penhasco.

Depois outro.

Antes de se virar completamente para longe do site de construção, indo embora sem olhar para trás sequer uma vez, o fúria que ardia dentro dele ficava mais afiada, mais pesada, mais quente a cada passo que dava.

O dia da execução se aproximava rapidamente, faltando menos de três semanas agora.

Helmuth não podia mais esperar para conquistar o título de 'Mais Forte do Universo'.

Um título que ele acreditava, há 2200 anos, ser seu por direito.

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