
Capítulo 830
Assassino Atemporal
(Planeta Ilyon Reach, ponto de vista de Leo)
Levaram mais vinte e quatro horas para Leo chegar a Ilyon Reach vindo de Ômega. No entanto, assim que chegou, a situação se desenrolou com uma conveniência muito maior do que ele esperava, pois o Monarca do planeta apareceu para enfrentá-lo em menos de dois minutos, poupando-lhe o trabalho de procurar pelo defensor mais forte mais tarde.
Du Cairo, do Clã Du, ficou diante dele, sabre levantado, aura afiada, olhos firmes com uma confiança que só uma vida de vitórias poderia forjar.
Embora fosse formidable, ainda assim ele não era páreo para Leo, que o derrubou em menos de cem movimentos, suas adagas passando naturalmente pela última defesa do Monarca, como se fosse uma respiração.
*Toc*
Depois que Du Cairo morreu, o planeta começou a desmoronar sobre si mesmo.
A cadeia de comando quebrou instantaneamente, assim que cada oficial sobrevivente tentou assumir o controle ao mesmo tempo, suas ordens conflitantes transformando os três maiores blocos continentais em fontes de confusão bem antes de Leo chegar lá.
A partir daquele momento, toda a invasão virou uma espécie de limpeza sistemática, enquanto Leo se movia pelo planeta com o objetivo único de eliminar soldados, sem desperdiçar tempo com teatrismos desnecessários.
Ele apagou o primeiro bloco continental em poucas horas, atravessando fortalezas e linhas blindadas como se estivesse desmontando uma estrutura que ele mesmo tinha construído.
Enquanto o segundo caiu ainda mais rápido, seus batalhões esmagados pelo próprio caos, Leo avançava por eles com uma eficiência fria e deliberada.
Por fim, o terceiro tentou resistir em uma última tentativa de resistência conjunta, com frotas se reunindo no céu e cidades fortificadas ativando todos os escudos que possuíam, mas nada adiantou quando Leo quebrou a formação deles e cortou a liderança de uma vez só.
Cada região que ele invadia ficava vazia.
Cada fortaleza que atingia era destruída.
E cada soldado que enfrentava era morto.
Depois de trinta horas, Ilyon Reach não tinha mais um exército para apresentar, e o silêncio tomou o planeta de uma maneira quase sobrenatural, como se fosse um mundo sem vida, ao invés de um planeta com uma população outrora próspera.
*Gotejo*
*Gotejo*
Leo estava na borda do último bloco, com sangue secando lentamente nas mangas, enquanto abria o [Manual de Supressão Imperial] e observava os números mudarem de lugar.
[Progresso: 2.006.045.070 / 2.000.000.000]
O manual confirmou, e ele finalmente soltou um grande suspiro de alívio.
*Suspiro*
"Acabou…."
Refletiu, sentindo-se extremamente aliviado por ter cumprido a insana exigência do manual de ceifar 2 bilhões de vidas em um período que ainda permitia salvar Veyr.
Sem comprometer seus princípios de matar civis inocentes sem motivo algum.
—-----------
(Enquanto isso, em Granada, ponto de vista de Mauriss)
*Trovão*
*Chuva*
A água escorria pelo peito nu de Mauriss, enquanto ele encarava as nuvens negras de Granada com um olhar quase vazio.
'Por quê…Por que você precisa morrer?'
Ele se questionava, num momento em que não havia sorriso feroz, nem malícia nos olhos.
Uma atmosfera assim era rara nele, dolorosamente rara, pois, dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano… ele passava trêscentos e sessenta e quatro com o espírito elevado: rindo, matando, entregando-se a todo prazer sádico ao seu alcance —
Por isso, essa calmaria, esse declínio vazio que experimentava hoje parecia estranho e deslocado.
"O que acontece depois que eu te derroto, Soron…?"
Ele murmurou, com a voz baixa, quase contemplativa, como se estivesse perguntando às próprias nuvens, ao invés do homem que ocupara sua mente por dois mil anos ininterruptos.
Por séculos, viveu com um propósito único, uma emoção singular, uma busca que atravessava eras, pois quase toda noite, ao fechar os olhos por um instante… o mesmo pensamento ardente ecoava de sua alma.
Um pensamento que dizia: 'Um dia eu te matarei.'
E, embora nunca tivesse percebido isso.
Foi essa promessa que o manteve entretido e ocupado nos tempos difíceis.
"O universo será um lugar extremamente entediante sem o Cult e o Soron.
Nunca percebi isso.
Mas talvez eu precise de você mais do que imaginava."
Mauriss murmurou, sentindo uma estranha sensação de vazio se abrir dentro de si, agora que a morte de Soron se aproximava.
Um vazio que o levava a questionar: o que vem a seguir?
"O que vou fazer depois disso?"
Ele refletiu suavemente, enquanto um raio iluminava a sua testa franzida — uma ruga que ninguém acreditaria existir no rosto do Grande Enganador, a não ser que testemunhasse pessoalmente.
*Suspiro*
Suspiro profundo, Mauriss tentou imaginar o universo além de Soron.
Buscou criar a imagem de uma nova rivalidade.
Imaginou qualquer outra caçada capaz de fazer seu coração disparar até a metade.
Mas todos os oponentes imaginados pareciam sem graça, sem cor, insuportavelmente comuns.
Comparado ao Soron, ninguém mais despertava o mesmo sentimento nele.
"Vou precisar de uma nova fonte de entretenimento," ele sussurrou, com as palavras escapando de sua boca numa mistura estranha de sinceridade e tédio.
"E, para ser justo… a única que ainda é um pouco interessante depois de você… é seu irmão."
Admitiu, com os lábios trincados levemente, embora o sorriso que tentou surgir não tivesse peso algum, pois ele sabia que até Kaelith não era tão interessante quanto Soron.
"Haaah—"
Um longo suspiro, despudorado, escapou dele, sumindo instantaneamente nas ondas agitadas abaixo.
"Bem… acho que isso é um problema para outro dia," murmurou por fim, rolando os ombros enquanto a aura de diversão despreocupada lentamente voltava à sua postura, apagando a sombra de melancolia que surgira alguns instantes antes.
"E problemas que ficam para outro dia," acrescentou, num tom que se suavizou na típica ponta brincalhona, "devem ser resolvidos outro dia."
E assim, toda a tristeza do momento desapareceu de seu rosto, sendo substituída por um sorriso perigoso, que há milênios aterrorizava o universo — um sorriso que prometia tempestades, caos e qualquer calamidade que ele decidisse criar a seguir.