
Capítulo 818
Assassino Atemporal
(Base Militar do Setor Onze, Planeta Nemo, ponto de vista de Leo)
*CHICOTADA*
*CHICOTADA*
*CHICOTADA*
O som constante de chicotes preenchia o ar enquanto Leo implacavelmente golpeava Yu Zu amarrado com uma chibata de couro, cada investida causando um som agudo que ecoava forte contra as paredes de metal do cômodo sombrio onde ele estava preso.
Yu Zu estava preso firmemente a uma cadeira reforçada no centro da câmara, com os pulsos atados aos braços, os tornozelos amarrados às pernas, seu corpo marcado por vergões vermelhos e cortes superficiais que latejavam a cada respiração que fazia.
Cabelos grudavam na testa dele em fios de suor, o peito arfava rapidamente, e sua voz se rasgava em gemidos roucos enquanto a próxima leva de chicotadas rasgava sua pele já sensível.
"Parei… pare, seu bastardo… dói…!" disse Yu Zu, suas palavras escapando entre gemidos agudos e rudes, enquanto ele se encolhia, impotente, ao resistir às restrições que nem sequer rangiam.
Leo o observava silenciosamente por um momento, olhos cinzentos calmos e atentos, enquanto passeava a chibata ao longo da coxa trêmula de Yu Zu, sem ainda golpeá-lo, apenas deixando o frio da promessa de dor que ainda viria fazer o outro sentir o peso do castigo.
"O Cult lembra…" disse Leo, com voz baixa e firme, enquanto tocava suavemente a chibata na perna de Yu Zu para manter o ritmo lento, de propósito.
"Toda humilhação que você nos causa, cada insulto que espalha, cada vida que pisa sob sua falsa sensação de retidão... nós lembramos de tudo," afirmou Leo, com lábios curvados em um sorriso levemente resignado que nunca atingia seus olhos.
*CHICOTADA*
A próxima investida atingiu um lugar que fez o corpo inteiro de Yu Zu balançar violentamente, um grito sufocado escapando de sua garganta enquanto sua cabeça se torcia para trás por causa da dor.
"Arrrrghh… NÃO NOS OVOS!" gritou Yu Zu, sua voz subindo no tom de pânico e vergonha, com os olhos lacrimejando descontroladamente, a respiração se transformando em suspiros partidos.
Leo levantou a chibata novamente, deixando-a repousar na sua virilha de propósito cruel, inclinando-se perto o suficiente para que o comandante pudesse ver o leve sorriso de diversão em seus olhos.
"Diga, comandante, gostou de ver Veyr sendo humilhado, não foi?" disse Leo, com tom de conversa, quase gentil.
"Você deve ter rido com seus camaradas e subordinados enquanto assistiam aquelas cenas nas reuniões de briefing."
"Deve ter apontado para a tela e dado boas risadas."
"Então agora, vou criar conteúdo similar, mas desta vez, seremos nós que vamos aproveitar."
Leo falou, enquanto Yu Zu engolia em seco, sua expressão torturada de medo e orgulho lembrado.
*CHICOTADA*
*CHICOTADA*
Mais duas chicotadas rápidas, uma na barriga e outra na bunda, cada uma produzindo um grito diferente na garganta de Yu Zu, enquanto o comandante fechava os olhos com força, seu orgulho e calma se desfazendo a cada segundo.
"O Cult lembra," disse Leo novamente, agora com voz firme, cada sílaba carregada de uma promessa fria.
"Nós não esquecemos. Nós não perdoamos. Devolvemos o que vocês nos dão... dez vezes mais," afirmou Leo, enquanto chicoteava mais uma vez, sem acertar, apenas deixando o ar estalar tão perto da pele de Yu Zu que ele se encolheu como se tivesse levado um golpe.
*Estalido forte*
No canto da sala, flutuando silenciosamente na altura dos olhos, havia um dispositivo de gravação que capturava tudo.
Registrou o rosto distorcido de Yu Zu.
Seus lábios trêmulos.
Seus suspiros ofegantes.
Registrou o som do chicote, o medo cru nos olhos dele, a tentativa frustrada de manter a postura desafiadora, que se desfez a cada onda de dor que invadia sua resistência.
"Por favor… parem… homens… por favor, venham me salvar," pediu Yu Zu, com a voz tremendo, tentando falar para a câmera, mesmo sabendo que ninguém estava do outro lado da transmissão.
"Vocês o ouvem?" disse Leo, olhando brevemente para o gravador suspenso, com uma expressão de leve sorriso sarcástico.
"Este é o grande Comandante do Planeta Nemo. A esperança deste planeta," afirmou Leo, tocando suavemente o queixo de Yu Zu com o cabo da chibata, obrigando-o a olhar para a lente.
"Abra os olhos, comandante. O universo não te desprezará se não puderem ver seu rosto," disse Leo, enquanto Yu Zu estremecia e, relutantemente, forçava os olhos inchados a se abrirem, lágrimas grudadas nos cílios.
"Muito bem," falou Leo, com o tom ligeiramente mais suave, não por misericórdia, mas por satisfação.
Depois, virou-se completamente para o dispositivo de gravação, aproximando-se o suficiente para que o corpo superior dele dominasse a imagem, deixando a chibata pendurada casualmente em uma mão.
"Quantos dias vocês deram para o Cult salvar Veyr, se é que podem?" perguntou Leo, com olhos cinzentos estreitando-se ao encarar o público invisível do outro lado da transmissão futura.
"Sessenta dias, não foi?" disse Leo, inclinando a cabeça, dando uma breve pausa para deixar o número ainda mais presente para quem fosse assistir posteriormente, antes de continuar.
"Certo. Vou devolver o favor," afirmou Leo, com a voz fria, um leve sorriso surgindo nos lábios.
"Dou a vocês, covardes do Planeta Nemo, seiscentos minutos para salvarem seu comandante, antes que eu o execute e divulgue essa gravação na GaláxiaNet," falou Leo, proninciando claramente cada palavra para que ninguém pudesse alegar que tinha entendido errado.
"Venham salvá-lo, se puderem," disse Leo, recuando para que Yu Zu voltasse a ficar visível na imagem.
"Falem," ordenou Leo, com voz baixa, fixando seus olhos no comandante.
"C… corre, homens…!" implorou Yu Zu, com a voz desesperada, tentando endireitar as costas, apesar das restrições que cortavam sua pele lesionada.
"Ele é só um Transcendente… com certeza vocês, todos juntos, conseguem derrubá-lo… por favor… me salvem…!" disse Yu Zu, suas palavras se desmanchando em um pedido quebrado, sob o peso do medo.
Leo o observou em silêncio por um instante, depois deu um pequeno aceno, satisfeito.
"Já está bom," falou Leo, enquanto se aproximava do gravador e interrompia a transmissão ao vivo com um gesto simples.
Alguns comandos rápidos depois, o arquivo foi compactado e transmitido pela rede militar local, usando suas linhas criptografadas, enviado para todas as bases militares do planeta.
"Venham até mim," murmurou Leo, mais para si mesmo do que para alguém, enquanto olhava mais uma vez para o comandante quebrado, amarrado na cadeira, com os olhos novamente cheios de lágrimas.
"Vamos ver se minha estratégia dá certo ou não.
Se seus homens te amam o suficiente, isso deve me poupar muito tempo e esforço.
Se não…
Pelo menos tenho um vídeo humilhante para o universo ver…"
Refletiu, enquanto estalava o pescoço e saía da sala de tortura, voltando para a base aberta.