Assassino Atemporal

Capítulo 798

Assassino Atemporal

"Agh? Sétimo Ancião! Há quanto tempo..." disse Argo ao colocar de lado sua garrafa de bebida, seu rosto se iluminando com a chegada do visitante inesperado.

"O que o traz até minha humilde forja hoje?" perguntou enquanto enxugava as mãos com um pano manchado de fuligem, o canto da boca curvando-se numa sonrisa de dentes à mostra.

Chaosbringer aproximou-se, seus botas ecoando suavemente contra o piso de pedra enquanto o calor da forja o envolvia como um cobertor espesso. "É bom vê-lo novamente, Mestre Argo", disse com um tom que suavizava em respeito sincero. "Gostaria que fosse uma visita casual, mas venho com notícias de grande importância."

As sobrancelhas de Argo levantaram-se levemente, o humor em seus olhos diminuindo ao perceber a gravidade na voz de Chaosbringer. "Notícias de grande importância, diz?" afirmou, cruzando os braços e inclinando-se levemente sobre o Developedira ao seu lado. "Então, diga logo, rapaz. Você nunca foi de conversa fiada."

Chaosbringer hesitou por um momento, seu olhar oscilando entre a luz incandescente que escapava da fornalha e o velho ferreiro. "É sobre o Grande Deus Soron", falou em um tom mais baixo, calmo, reverente. "Ele voltou."

Por um longo instante, a forja ficou silenciosa. Até o sibilo do minério derretido parecia silenciar, enquanto a expressão de Argo congelava-se de surpresa.

"É verdade?" perguntou Argo, com os olhos arregalados, a folha de plano na mão abaixando-se lentamente até tocar o chão. "O Senhor Soron realmente voltou?"

"É verdade", confirmou Chaosbringer, assentindo com firmeza, seu olhar firme.

"O Grande Deus retornou a Ixtal e libertou-o do Rancor Justo.

Seu enfado agora não conhece limites, especialmente ao descobrir o que aconteceu ao Culto enquanto ele esteve ausente. Contudo, enquanto ele ruge por batalha, parece não possuir uma arma à altura de canalizar seu poder."

Ele possui numerosas lâminas feitas por alguns dos melhores Ferreiros do Cult ao longo da história, mas nenhuma delas consegue ferir Deuses colegas.

Isso, no entanto, pode mudar se alguém forjar uma lâmina com essa nova liga que ele conseguiu…

Contudo, apenas os melhores Ferreiros do universo podem trabalhar algo tão complexo."

ele insinuou, suas palavras pairando no ar como trovão, até que Argo finalmente soltou um suspiro trêmulo, seus lábios se abrindo em admiração.

"Pelas Doutores..." disse, uma lágrima rolando pela face marcada por fuligem. "Após todos esses anos... o Grande Deus volta para nós... Hahahaha!"

Ele riu então, uma risada profunda e gutural que carregava tanto incredulidade quanto alegria irrestrita. "Claro que farei isso!" afirmou, jogando o plano de lado e endireitando-se com energia renovada.

"Não preciso que me peçam duas vezes! Essa história de aposentadoria nunca me caiu bem mesmo."

Disse, pegando a garrafa de liquor e tomando um último gole antes de deixá-la cuidadosamente de lado com um tilintar seco.

*Tling*

"Os médicos dizem que já não tenho força suficiente, mas que se dane pra eles!

Nasci para a forja, não para ficar parado contando os anos que passam!"

exclamou, sua voz elevando-se, cheia de resistência.

"EMMOND! TRAGA-ME O MEU MARTELLO!"

Ordenou, enquanto seu aprendiz ficou boquiaberto, virou-se rapidamente e correu até a prateleira de armazenamento, lágrimas de alegria deslizando pelo rosto.

*Tling*

*Batida forte*

Ao quebrar o recipiente de vidro que guardava o martelo do mestre antigo, Emmond pegou-o imediatamente e entregou a Argo, que o segurou como se fosse o bem mais precioso do universo.

"Agh... já me sinto alguns anos mais jovem!"

Disse, seu rosto se iluminando instantaneamente ao segurar o martelo, seu peso familiar trazendo uma vida inteira de reflexos musculares.

"Se o Grande Deus Soron precisar de uma arma, eu vou forjá-la. Vou reunir toda força que esses ossos velhos ainda têm, para criar uma lâmina à altura de carregar as esperanças e sonhos do nosso povo na batalha!" afirmou, levantando levemente seu martelo, cujos reflexos em seus olhos brilhavam como ouro derretido.

"Uma lâmina forjada na fúria de nossos espíritos", disse, tocando levemente o ar, o som ecoando pela forja. "Uma lâmina que trará redenção a todos nós."

Sorrindo, Chaosbringer sentiu a tensão aliviar-se, o peso no peito finalmente se despregando. "Obrigado, Mestre Supremo", disse, fazendo uma reverência profunda.

"Você honra tanto o Grande Deus quanto o Culto com sua determinação.

Por favor, reúna seus aprendizes e suprimentos nos próximos dias...

Mas, assim que estiver pronto, parta imediatamente para Ixtal."

Disse, enquanto Argo assentia com firmeza, os ombros firmes enquanto a luz do fogo dançava em seu rosto.

"Entendido, Sétimo Ancião,"

"Vou forjar essa lâmina até a perfeição, mesmo que seja a última coisa que faça..."

Prometeu, e Chaosbringer apertou sua mão firmemente antes de virar-se para partir.


(Enquanto isso, no Jardim Eterno, ponto de vista de Veyr)

Veyr esperava por Raymond, seus olhos desatentos enquanto se sentava em silêncio, perdido em pensamentos.

Ele vinha fazendo isso com frequência — olhando fixamente para o céu, deixando o tempo passar, enquanto a mesma dúvida girava em sua mente como uma maldição.

Ele tinha certeza de estar fazendo a coisa certa?

O pensamento simplesmente não o abandonava; por mais que tentasse justificar, uma parte dele sabia que ensinar aquelas técnicas proibidas para Raymond era perigoso.

Cada movimento que ele revelava era um pedaço da alma do Culto, um fragmento de seu legado entregue ao próprio homem que buscava destruir tudo o que o Culto representava.

"Três técnicas... já dei a ele mais do que deveria?" murmurou, duvidando se estava no caminho correto.

"E mesmo assim, estou aqui, esperando. Ainda jogando o jogo do Raymond como um tolo."

Disse com descrença, embora quisesse acreditar nas promessas de Raymond de liberdade, fuga e redenção...

Infelizmente, quanto mais pensava nisso, mais tudo soava como manipulação e mentiras cuidadosamente elaboradas para mantê-lo cooperando.

"Não... Chega!"

exclamou, cerrando os punhos e fortalecendo sua determinação.

"Preciso de provas... Se ele realmente tem uma saída daqui, precisa me mostrar que é possível."

"E, como recompensa, vou pedir para que me retire do Jardim. Mesmo que seja só por alguns minutos."

Murmurou consigo mesmo, com voz firme.

"Só assim ensinarei a quarta técnica."

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