Assassino Atemporal

Capítulo 788

Assassino Atemporal

(No dia seguinte, Planeta Bravária, Território da Facção Justa)

O planeta Bravária estava especialmente tranquilo naquela manhã.

Nuvens douradas flutuavam preguiçosamente pelos céus verdes e transparentes, os dois sóis pintando as ruas de pedras com tons ambar suaves enquanto a vida seguia seu ritmo inalterado de rotina.

Vendedores gritavam os preços debaixo de barracas flutuantes, trens aéreos zumbiam acima, e crianças com túnicas brancas corrriam entre as pernas de guardas, rindo enquanto brincavam nas praças abertas.

Nada na atmosfera indicava o que estava por vir.

Então, os alarmes começaram a gritar.

*WEEEOOOO—* *WEEEOOOO—*

A princípio, ninguém se moveu. Cabeças se voltaram para cima, olhos se estreitaram em confusão enquanto as sirenes reverberavam pelos torres da capital.

Um homem carregando frutas parou no meio do caminho, apertando a cesta contra o peito.

"Hã? Ataques aéreos em Bravária?" ele murmurou. "Impossível. Para uma frota inimiga chegar até aqui, ela teria que passar por pelo menos uma dúzia de outros planetas…"

No entanto, a própria céu acima contava uma história diferente.

Nuves escureceram repentinamente, formando tornados violentos enquanto raios de fogo branco cortavam para cima das torres de defesa planetária.

Uma frota de naves de guerra da Facção Justa rompeu formação no céu, suas carcaças prateadas refletindo flashes de vermelho de uma ameaça desconhecida acima da atmosfera.

O povo observava em silêncio inicialmente, até que a primeira explosão rasgou o céu.

*BOOM!*

Uma coluna cegante de luz vermelha rasgou os céus, tão intensa que tingiu a cidade com um tom de sangue.

A nave insignia do Comandante Planetário de Bravária foi destruída instantaneamente, seu núcleo de energia explodindo em um flash silencioso antes de fragments de metal derretido começarem a chover como granizo derretido, enquanto gritos ecoavam lá embaixo.

"O QUE É ISSO?!"

"Vem vindo através das nuvens!"

"Os Comandantes! Os Monarcas! Eles—"

Eles nunca terminaram a frase.

De dentro da superfície, parecia o fim da própria realidade. Uma ondulação de energia se curvava pelo céu, dobrando luz, ar e espaço para dentro.

Então, com um som que não foi exatamente ouvido, mas sentido — como ossos se quebrando dentro da alma — todos os Monarcas Comandantes que haviam ido interceptar o intruso desapareceram num instante.

Não queimados.

Não desintegrados.

Sumiram.

O povo olhava para cima em silêncio de horror enquanto seus guardiões, homens e mulheres aos quais tinham rezado por proteção, desapareciam um após o outro.

O céu ficou cheio de armaduras, armas e pedaços de metal rasgado que se desintegravam antes de tocar o chão.

Uma mulher caiu de joelhos, segurando seu filho. "Os Comandantes... estão mortos... todos mortos..."

Então, alguém gritou, com a voz tremendo de descrença. "Olhem! Olhem ali em cima!"

Uma sombra descendo lentamente.

Ela veio devagar, com firmeza, envolta em uma luz tão radiante que ofuscava o próprio sol. Fios de energia vermelho, dourado e branco se enrolavam ao redor como correntes vivas de fogo, se estendendo pelo céu como se o próprio cosmos estivesse lutando para conter aquela criatura que se aproximava.

À medida que se aproximava da baixa atmosfera, a luz se espalhou, revelando a silhueta de um homem — imponente, divina e aterradora em sua quietude. Seus olhos não eram olhos, mas brasas de julgamento que viam até a médula da existência.

Alguém sussurrou o nome primeiro. "É ele…"

Depois, outro falou mais alto. "É Soron… o Deus Maligno Soron!"

A crise tomou conta da cidade como uma onda gigante. Pessoas corriam, tropeçando umas nas outras, abandonando carrinhos, crianças, buscando refúgio que não os salvaria.

Mas Soron já baixara os braços.

O vento cessou.

A luz mudou.

E então veio a pressão.

*BOOOOOOOM*

O próprio ar tremeu sob sua aura. O chão se abriu, prédios estilhaçaram-se, e tudo que era vivo caiu de onde estava como se fosse esmagado por uma montanha invisível.

Crianças gritavam até ficarem sem força. Soldados tentaram ficar de pé e falharam, seus armamentos explodiam contra suas costelas, enquanto os mais fortes, aqueles dotados de uma vontade indomável, conseguiram levantar a cabeça por um instante para olhá-lo antes que os joelhos desabassem sob o peso.

*Colidiu*

Soron pairava acima deles, sua voz retumbando por todo o planeta como uma tormenta de ira.

"VOCÊS OUSAM ENCLAVAR MEU POVO?"

As nuvens tremiam, dispersando-se como pássaros assustados.

"VOCÊS OUSAM COLOCAR TIPÓIAS DE ESCRAVO EM SEUS COXIS?"

Os oceanos ferviam, suas marés elevando-se por quilômetros antes de recuar em ondas que apagaram linhas costeiras.

"VOCÊS OUSAM FORÇAR QUELES A SE DOBRAR?"

Todas as luzes da cidade se apagaram. Geradores explodiram. Todas as telas piscaram em estática enquanto sua fúria dominava a tecnologia.

O povo abaixo buscava ar, suas gargantas se fechando como se mãos invisíveis os aprisionassem ao mesmo tempo.

Uma mulher segurou o braço do marido, com os olhos arregalados. "Eu… não… consigo… respirar…"

Então, vieram as últimas palavras, ditas com uma intensidade divina.

"AGORA… PAGUEM."

A pressão aumentou, ficando sufocante, total.

O som coletivo de sufoco encheu o ar, um oceano de suspiros sufocados, gorgolejos e respirações agonizantes.

Bilhões de pessoas caíram pelo planeta.

A pele escureceu por falta de oxigênio, os corpos se contorciam violentamente enquanto arranhavam seus próprios pescoços, as unhas rasgando a carne numa tentativa desesperada.

Crianças desmaiaram ao lado de suas mães.

Padres gritavam orações às quais nenhum deus respondia.

Os soldados de Bravária, aqueles que serviam às Frotas Justas, tombaram em seus quartéis dourados, impotentes como mendigos na rua.

E, através de tudo isso, Soron observava.

Ele não piscou.

Ele não hesitou.

Simplesmente deixou que morressem, uma respiração após a outra, até que o planeta ficara silencioso.

Primeiro voltou o vento, sussurrando sobre os cadáveres que cobriam cada cidade e vila, carregando o cheiro de medo e ferro. Os dois sóis novamente romperam as nuvens encardidas, iluminando um mundo sem movimento.

Os olhos de Soron varreram a carnificina.

"Que isso sirva de aviso para a Facção Justa: que Soron ainda vive."

"Que pagarão caro pelo sofrimento do meu povo."

"Embora Bravária seja a primeira a cair, não será a última."

E após esta noite, nenhum cidadão da Facção Justa irá dormir tranquilo.

Pois eles não saberão se o próximo planeta na minha lista de alvos será o deles."

Disse isso enquanto sua aura começava a se recolher, o brilho divino se retraindo de volta ao seu corpo como uma tempestade morrendo, e o silêncio que seguiu foi pior do que a destruição que ele mesmo causara.

Não houve explosões, nem gritos, apenas o silêncio mortal de um mundo consumido pela vingança.

Comentários