Assassino Atemporal

Capítulo 766

Assassino Atemporal

Por um longo momento após Leo desaparecer, nem Anderson nem Mickey falaram.

O clarão cegante que engolira Leo tinha se dissipado, deixando para trás apenas o som tranquilo do oceano e o leve chiado vindo de seus comunicadores de cristal.

"Ele também se foi..."

Mickey disse, fixando o olhar no lugar de onde Leo havia desaparecido, sua voz tremendo entre ansiedade e alívio.

Anderson endireitou-se lentamente, sua expressão entre o alívio e o medo.

Alívio por sentir que a pressão sufocante da aura de Leo finalmente desaparecera, que podiam respirar novamente sem que seus pulmões implorassem por misericórdia.

Mas o medo veio tão rapidamente quanto, pois se até mesmo o Senhor tinha sumido naquela ilha amaldiçoada, qual chance haveria de qualquer outro trazê-lo de volta?

"Você percebe o que isso significa?" Mickey perguntou, passando a mão pelos cabelos.

"Falhamos totalmente hoje como Comandantes do Exército do Culto.

Não só não conseguimos proteger um menino, como também nem conseguimos acompanhar Nosso Senhor naquilo que quer que seja que ele agora enfrente....

Como futuros pilares do Culto, somos uma vergonha."

Mickey falou envergonhado, enquanto Anderson cerrava a mandíbula, fisgando o olhar na direção do horizonte, que parecia demasiado parado.

"Sim," ele concordou silenciosamente.

"Você tem razão, ainda nem saímos do Mundo Congelado no Tempo e já somos tão inúteis, que mal consigo imaginar o quão fracos ficaremos ao enfrentar a Facção Justa.

Hoje é um aviso para nós.

Como futuros pilares do Culto, definitivamente precisamos nos tornar mais confiáveis."

Disse, enquanto os dois comandantes permaneciam ali em silêncio, o vento puxando suas capas, a culpa pesando sobre seus ombros.

Pela primeira vez em anos, ambos se sentiram como soldados totalmente indignos do título que carregavam.

No entanto, o que eles não sabiam era que não estavam sozinhos.

Agora que a pressão de Leo havia desaparecido, muitos a bordo do navio se sentiam inadequados.

Inadequados por não conseguirem suportar a pressão do Senhor, inadequados por não contribuírem mais nessas missões além de comandar uma embarcação, e inadequados por não conseguirem segui-lo até o perigo.

Havia muitos hoje que decidiram tornar-se mais confiáveis, assim como Anderson e Mickey.


(A Ilha Flutuante Misteriosa, Ponto de Vista de Leo)

A luz do feitiço de teletransporte antigo logo diminuiu, enquanto Leo se via dentro da misteriosa ilha flutuante, seu vasto piso metálico pulsando suavemente sob seus pés.

O ar estava denso com mana antiga, o que era uma sensação estranha para ele, já que o ar dentro do Mundo Congelado no Tempo era muito mais carregado de mana por si só, no entanto, a densidade aqui era dez vezes maior que no mundo exterior.

"Hmmm—"

Refletiu, observando lentamente ao redor, reconhecendo a curvatura dos arcos, a simetria aguda das colunas e as estruturas imensas que mesclavam graça orgânica com escala impossível.

Era uma arquitetura dracônica em sua forma mais pura.

Antiga, sagrada e há muito esquecida.

Seu pulso acelerou ao apoiar a palma da mão na superfície fria ao seu lado, sentindo uma vibração tênue—um resquício de algo imenso, algo vivo.

"Moltherak..." ele sussurrou, fechando os olhos brevemente.

Pois o próprio nome parecia movimentar o ar ao redor.

Ele podia senti-lo agora, a presença sutil do Deus-Beste antiga entrelaçada em cada parede, cada escama esculpida, cada respiração de mana que preenchia esse santuário esquecido.

Antes de procurar onde exatamente a besta antiga repousava, buscou primeiro seu sobrinho, espalhando seus sentidos com [Visão Absoluta].

'Lá está...'

Pensou, enquanto em segundos, identificava a silhueta fraca do corpo de seu sobrinho deitado imóvel perto da base de uma coluna colossal, seu pequeno corpo ofuscado pela escala do ambiente.

Sem hesitar, Leo começou a se aproximar dele, seus passos firmes e silenciosos, deslizando pelo piso metálico sem fazer nem um barulho.

'Meu sobrinho desobediente,' pensou, ao finalmente chegar perto de Leonardo e parar, ficando silenciosamente ao lado do menino que jazia espalhado sobre a superfície suavemente luminosa.

Seu peito subia e descia lentamente, demonstrando que estava vivo, embora profundamente inconsciente.

Leo se agachou ao lado dele, apoiando um braço no joelho enquanto seu olhar suavizava.

Naquele instante silencioso, o assassino resistente ao combate desapareceu, substituído pelo tio que via naquele garoto não só familiaridade, mas os ecos de uma conexão sanguínea que se recusava a desaparecer.

Estudou o rosto de Leonardo em silêncio— a mesma mandíbula afiada, o mesmo teimoso silêncio, a mesma ruga sutil entre as sobrancelhas que antes pertencia ao seu pai, Jacob.

"O que vou fazer com você..." Leo sussurrou, sua voz carregando tanto afeto quanto exasperação. "Por que veio aqui, hein, garoto? E se você morresse de forma inútil? Imagine como isso me deixaria..."

Olhou para longe por um momento, exalando enquanto o leve zumbido da mana os envolvia.

Sabia que Leonardo não podia ouvir, mas não conseguiu evitar falar, libertando o peso de pensamentos que o atormentavam há minutos.

A vida toda, Leo havia sido jogado de uma crise à outra, vivendo com a constante carga de perigo pressionando-o.

Era uma vida difícil, mas ele a suportava não por glória, nem por orgulho, e sim por eles… sua família.

Ele lutou, sangrou e matou para que a próxima geração nunca precisasse viver como ele.

E, no entanto, ali estava Leonardo, procurando perigo como se o próprio destino exigisse isso.

"Não era essa a vida que eu queria para você," murmurou, quase inaudível. "Quero que você vá atrás de alegria, não de problemas."

Ele respirou fundo, antes de dar um leve pinçamento na bochecha de Leonardo.

*Beliscão*

Os olhos do garoto se abriram instantaneamente, confusão tomando conta enquanto seus sentidos retornavam.

"Huh?" ele resmungou sonolento, piscando várias vezes até que o rosto do tio entrasse na visão.

"Tio…?" ele falou suavemente, a voz trêmula de dúvida e um pouco de pânico ao ver o olhar severo esperando por ele.

Leo não disse nada, apenas olhou para o garoto com uma expressão de desaprovação de um ancião, causando Leonardo engolir em seco.

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