Assassino Atemporal

Capítulo 733

Assassino Atemporal

(30 dias depois, o mundo parado no tempo, ponto de vista de Leo)

*Pant*

*Pant*

A respiração de Leo saía pesada e desregulada enquanto ele inalava pelo rosto, cada puxada soando áspera e raspando dentro da câmara selada.

Suas mãos estavam amarradas atrás das costas, seus pés presos por cordas de mana, enquanto seus olhos e nariz estavam cobertos de acordo com as regras de deficiência, transformando-o em algo mais parecido com um prisioneiro em agonia do que um guerreiro.

"Vamos lá, agora," disse Leo, com a voz baixa, mas autoritária, "não tenha vergonha. Venha com tudo que você tem."

Ele incentivou, enquanto, do outro lado, seu oponente hesitava.

Este era seu quadragésimo primeiro adversário do dia, um soldado talentoso do nível Mestre, que parecia estar boquiaberto com a ideia de enfrentar o Dragão Sombrio nessas condições.

"M-meu Senhor… tem certeza de que deseja fazer isso?" perguntou o homem, com uma tonalidade que oscilava entre medo e culpa.

No entanto, Leo simplesmente inclinou a cabeça em resposta, sua expressão ficando mais impaciente ao dizer, "Garoto, eu já disse, vem pra cima de mim logo."

O comando cortou o silêncio como um chicote.

*SOM FUSO*

*SOM FUSO*

O homem obedeceu, avançando de forma rápida, sua espada cortando o ar em sucessões rápidas.

*Desvie*

*Desvie*

Leo se movimentava por instinto, inclinando a cabeça o suficiente para que o primeiro golpe passasse assobiando ao seu lado, depois se abaixando de lado para que o segundo atingisse o ar vazio, onde seu ombro havia estado há um instante.

Sua respiração permaneceu aguda, seus movimentos precisos, mas a falta de visão o colocava constantemente em desvantagem, forçado a confiar apenas no som.

Durante os primeiros dias, lutou com muita dificuldade apenas com base no som, porém, ao longo do mês, foi se aperfeiçoando cada vez mais, até que hoje consegue antecipar os padrões de ataque do inimigo antes mesmo deles acontecerem.

'Perna esquerda à frente… peso na direita… ele está mudando de ângulo,' pensou Leo, sua testa se contraindo sob a venda.

O oponente hesitou por meia segundo, ainda nervoso, antes de avançar novamente, enquanto Leo torcia o torso para a direita, mas com os braços amarrados e os pés presos, seu alcance de movimento ficou comprometido, falhando ao tentar rotacionar o suficiente.

*ESPIRRO*

A espada passou raspando pelo seu ombro, sem atingir carne, mas não sem atingir o pequeno saco de água preso na arma, que explodiu.

*Jatos de água*

Um jato frio escorreu pelo seu braço, enquanto ele range os dentes de raiva.

'Um eliminado, se eu perder mais um, perco essa rodada—'

Leo pensou, enquanto seus sentidos atingiam o máximo de alerta.

Até então, após trinta dias lutando contra oponentes mais fracos, Leo perceberá que eles não tinham força suficiente para causar qualquer dano real nele, por mais que tentassem.

Mesmo quando se controlava completamente, amarrando seus membros e suprimindo sua capacidade de contra-atacar, não conseguia diminuir a resistência natural de seu corpo, que sempre lhe dava uma vantagem injusta na batalha.

Por isso, para compensar esse desequilíbrio, criou um método que transformava cada luta em um jogo delicado de precisão e contenção, colocando duas bolsas d'água em seus ombros, uma na testa, outra no pescoço, uma no peito, outra na barriga, e duas em cada coxa e tornozelo, totalizando dez.

A regra era simples: se o oponente conseguisse explodir pelo menos duas, ele perderia a luta instantaneamente. E, como uma delas já havia sido destruída, Leo imediatamente mordeu o lábio e ficou atento.

*Arranhar*

*Arranhar*

O homem recuou novamente, começando a ganhar confiança ao perceber que a luta não era tão impossível quanto parecia inicialmente.

"Vou te atacar de novo—"

ele declarou enquanto mudava para um ritmo mais suave, cada passo mais rápido que o anterior, sua lâmina agora cortando com precisão, sem hesitações, enquanto Leo lutava para acompanhar.

*SOM FUSO*

*Desvie*

*SOM FUSO*

*Desvie*

*Investida de cabeça*

Leo desviou de alguns golpes do adversário, antes de avançar para uma cabeçada no peito, tentando incapacitar o oponente. Porém, para sua decepção, embora tenha feito contato com o peito do homem e conseguido derrubá-lo ao chão, os braços incapazes do inimigo ainda conseguiram pegar a bolsa de água no ombro direito dele, encerrando a luta em empate.

*Jatos de água*

"Rodada quarenta e um… Empate. Contador zerado," disse a voz do responsável pela pontuação vindo além dos limites da arena, enquanto Leo permanecia imóvel no chão por um momento, com o peito subindo e descendo, gotas de suor escorrendo pelo queixo.

"Porra—"

ele berrou de raiva, sua aura pulsando de leve, antes de se expandir como um grito silencioso, enquanto as amarras nos pulsos se desintegravam sob a pressão, e a venda que cobria seus olhos se rasgava ao meio, limpidamente.

*Estalos*

O chão abaixo dele rachou ligeiramente enquanto sua frustração explodia de dentro dele.

"NÃO, NÃO, NÃO, NÃO..." murmurou, sua voz ecoando na câmara, cortante e gutural, carregada de toda a raiva que vinha fermentando desde sua primeira derrota, há trinta dias.

Ele observou o solo quebrado, e as ondas de energia vermelha ainda se enrolando ao redor de seus braços.

'Quarenta e um combates hoje, só para que a sequência termine de forma tão estúpida.'

'Como diabos vou chegar a um milhão assim?'

pensou, cerrando as mãos, seus nós ficando brancos sob sua própria aura.

'Um erro de concentração e tudo recomeça… Isso não é treino. É tortura disfarçada de sabedoria.'

Ele respirou fundo, a fúria lentamente se dissipando em uma determinação silenciosa enquanto baixava novamente o olhar.

'Ainda assim… não tenho escolha.'

Ele se levantou, chamando o assistente para vir amarrá-lo novamente.

"Prepare o próximo adversário… reinicie a sequência a partir do zero."

disse, preparando a mente para uma nova onda de decepção.

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