Assassino Atemporal

Capítulo 713

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, Três dias após a queda de Juxta, ponto de vista de Leo)

Durante três dias após a destruição de Juxta, Leo trabalhou sem parar, queimando noites sem dormir para garantir o sucesso da primeira fase da evacuação, que tinha como foco realocar os ativos e o pessoal da Ordem de maior prioridade.

O plano se desenrolou com quase perfeição nos dois primeiros dias, cada operação executada como uma engrenagem sob a supervisão de Chaosbringer.

No entanto, no terceiro dia, justo quando a fase um atingia o meio, o progresso parou de repente, não por interferência do inimigo, mas por causa dos idosos idiotas do Conselho, instigados pelo Primeiro Elder para provocarem confusão.

Conforme sua insistência, várias forças do Conselho espalhadas por vários planetas da Ordem começaram a interferir com os homens de Chaosbringer para dificultar as ordens de Leo, jogando toda a operação numa confusão na pior hora possível.

"Senhor Chefe, você precisa fazer alguma coisa com esses malditos Elder. Eles complicam tudo cem vezes mais do que deveria."

"Estamos no relógio e cada segundo conta. Por favor, resolva esse problema o quanto antes."

A voz de Chaosbringer veio pelo comunicador de cristal, aguda e impaciente, e Leo imediatamente se levantou da cadeira, encerrando a ligação no meio da frase.

Em poucos minutos, os motores de sua nave ganharam vida. A embarcação cortou as nuvens acima de Ixtal e entrou no hiperespaco, e logo ele aterrissou no Planeta Tithia com o temperamento já em brasas.

Desde a morte de Charles, uma tênue camada de intenção mortal permanecia com ele, recusa a desaparecer, como uma segunda pele de ódio e dor.

Mas ao sair da nave e seguir em direção à residência do Primeiro Elder, aquela malícia silenciosa transformou-se numa tempestade palpável — uma aura sufocante e opressiva que pressionava cada alma ao seu alcance.

*BANG!*

No instante em que seus botas tocaram o chão fora da casa do Primeiro Elder, ele chutou o portão, o impacto espalhando estilhaços de metal e pedra pelo chão enquanto os guardas na entrada se apressaram em avançar assustados.

"Senhor Dragão Sombrio, por favor, espere!", um deles gaguejou, levantando o braço em pânico. "Devemos anunciar sua chegada primeiro!"

"O Primeiro Elder está numa reunião privada com o Segundo e o Terceiro Elder, você não pode entrar sem—"

As palavras morreram na garganta quando Leo virou a cabeça um pouco na direção deles, apenas um pouco.

As pupilas de seus olhos estreitaram-se até virar fendas, o branco escurecendo em um tom de cinza frio, enquanto veias púrpuras leves pulsavam sob a superfície, piscando como relâmpagos presos em seu olhar.

Por um instante, o mundo parecia desacelerar.

Os guardas sentiram... um peso invisível que tomou seus pulmões e apertou o ar de seus peitos.

Sua visão ficou turva, os joelhos tremeram descontroladamente, como se a força daquela olhar os prendesse no lugar.

Não era apenas intimidação, era um medo primal, uma sensação que gritava com cada nervo de seus corpos para ajoelharem-se diante de um predador que nunca poderiam desafiar.

Um deles soltou sua alabarda com um clang metálico.

Outro recuou dois passos, olhos arregalados, a garganta contraída enquanto o suor frio escorria livremente pelo rosto.

Leo não falou.

Ele não precisava.

Aquele único olhar foi mais do que suficiente para silenciar todo o pátio.

Ao passar por eles, sua aura avançou como uma maré silenciosa, fazendo as tochas alinhadas na calçada piscar e se apagar.

Os guardas não se mexeram novamente até que seus passos sumiram no corredor da mansão, e mesmo assim, ainda podiam sentir o eco de seu olhar nas costas, frio como a lâmina de uma espada.

"Que... que foi aquela pressão?", um deles falou, com o rosto pálido como cinza.

"Dev... devíamos segui-lo? Podemos?

Outro perguntou, enquanto olhava ao redor e percebia que, embora todos soubessem que talvez fosse melhor seguir o Dragão Sombrio, nenhum tinha coragem suficiente."

*Passo*

*Passo*

*Passo*

Os passos de Leo ecoaram pelo corredor, cada um mais pesado que o anterior, sem qualquer esforço para esconder sua presença.

Ele caminhava em direção à porta final, aquela por trás da qual o Primeiro Elder realizava sua reunião, sem pressa, mas imparável, até chegar à porta.

Lá fora, dezenas de soldados de elite dos regimentos de segurança conjunta do Primeiro, do Segundo e do Terceiro Elder estavam de guarda, seus olhares atentos ao seu aspecto cansado, enquanto tentavam bloquear sua passagem de forma polida.

"Vão embora. E abram a porta."

Leo ordenou ao se aproximar, seu tom calmo, sem um pingo de calor, como uma sentença já decretada.

Os guardas trocaram olhares incertos, segurando firmes suas armas. Embora treinados para enfrentar feras e assassinos, o peso opressor de sua aura parecia algo muito pior, quase como enfrentar algo antigo e errado.

*Engolir em seco*

Alguns engoliram em seco, as armaduras rangendo suavemente enquanto se mexiam desconfortáveis sob o peso de seu olhar.

"Meu Senhor," um dos guardas mais veteranos finalmente conseguiu dizer, a voz tremendo, apesar de tentar mantê-la firme. "Por favor, aguarde até a conclusão da reunião do Primeiro Elder. Esta porta está protegida por um feitiço de alta complexidade... ela não pode ser aberta por fora. Mesmo que eu quisesse deixá-lo entrar, eu—"

Ele nunca terminou a frase.

Leo passou por ele sem dizer uma palavra, seu ombro colidindo com o homem com força suficiente para fazê-lo recuar dois passos.

O guarda olhou para cima, surpreso, enquanto Leo desembainhava uma das facas com um leve som metálico, a lâmina prateada refletem a luz do teto acima.

"Senhor, por favor, acalme-se—"

Outro tentou, mas antes que pudesse completar, Leo enfiou a lâmina no centro da porta.

*VROOM*

O barrier encantada brilhou instantaneamente, sigilos rúnicos girando pela madeira enquanto um escudo azul translúcido se expandia para bloquear a intrusão.

A ponta da faca resistiu com força, mana colidindo com mana, faíscas saltando como brasas entre aço e feitiço.

Os guardas gritaram em alarme.

"Meu Lorde, pare! Está selada por três camadas de runas! Você nunca consegue quebrar, nem os Monarcas—"

—Mas Leo não parou.

Ele pressionou com mais força.

A faca começou a vibrar violentamente, vibrando na mão dele enquanto ele canalizava mais mana, sua aura se inflamando numa tempestade que inundou o corredor.

*FSSHH*

*FSSHH*

*CRACK*

As luzes do teto se apagaram uma a uma, engolidas pela pressão que emanava dele, enquanto o ar ficava pesado com intenção de matar.

Rapidamente, rachaduras começaram a se formar nas runas — finas a princípio, depois se espalhando como fissuras na barreira.

Os guardas recuaram tropeçando, com as mãos protegendo os rostos enquanto as veias na testa inchavam pela pressão. Um caiu de joelhos, lutando por ar. Outro segurou o peito como se uma mão invisível estivesse apertando seu coração.

E então—

*CRAC!*

A barreira se quebrou com um estrondo ensurdecedor, estilhaços de mana azul espalhando-se como vidro quebrado, enquanto sua faca finalmente atravessava a porta, penetrando profundamente na madeira encantada.

Leo a torceu uma vez, depois a puxou para baixo num movimento limpo, enquanto o carvalho encantado se abriu como papel, estilhaços voando pelo corredor enquanto os selos se rompiam totalmente.

A luz do interior se espalhou numa explosão rápida, revelando os rostos assustados do Primeiro, do Segundo e do Terceiro Elder, que se viraram abruptamente na direção da porta, apenas para ver Leo atravessando os escombros com passos calmos e deliberados, sua expressão indecifrável sob a luz tremulante do teto.

Logo atrás dele, os soldados ficaram paralisados, pálidos e tremendo, com os olhos arregalados de surpresa.

Ninguém falou. Ninguém ousou.

Eles já tinham visto homens quebrando encantamentos antes, mas nunca com uma vontade pura como essa... nunca assim.

E, à medida que a porta quebrada se fechava e a poeira se assentava, o único som que ecoou dentro de Leo foi o som metálico sutil da sua faca retornando à bainha.

E com isso veio a verdade incontestável que ecoou em cada coração trêmulo daquele corredor:

O Dragão Sombrio havia chegado ao limite da paciência.

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