Assassino Atemporal

Capítulo 701

Assassino Atemporal

(Planeta Juxta, O Céu Acima, Ponto de Vista de Raymond)

Raymond observava a batalha entre Seraphine, Raghun e Charles se desenrolar com uma confusão genuína nos olhos, pois não esperava que terminasse daquela maneira.

A poderosa dupla de Monarcas nem mesmo resistira por um minuto completo contra Charles, e a cena o deixou questionando qual seria, de fato, a força real desse homem do Culto.

"Será que Charles também é um semi-deus escondido? É por isso que Soron não saiu para lutar? Porque ele acha que só Charles já basta para me derrotar?"

Raymond se perguntava, enquanto a raiva começava a queimar em suas veias. Já aceitara a morte pelas mãos de Soron naquele dia, mas o que não podia aceitar era a ideia de morrer por Charles, pois tal fim seria simplesmente indigno da vida que vivera.

Assim, quando viu Charles bloqueando sua nave com tanta afronta, seu temperamento finalmente explodiu.

"Como se atreve aquele inferior de sangue a impedir minha nave? E a matar meus subordinados com tanta insolência?

Posso morrer hoje pelas mãos de Soron, mas vou fazer questão de levar você comigo para o inferno pelo menos!"

Raymond disparou, levantando-se de sua poltrona de descanso, e sinalizou para seus homens abrirem o casco da nave.

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Charles sentia a presença de Raymond pressionando contra sua pele, mesmo antes de encarar o semi-deus face a face, pois o próprio intento de morte de Raymond era tão denso que dificultava sua respiração normal.

Ao contrário da intenção de matar dos Monarcas ou da maioria dos guerreiros normais do universo, a intenção de Raymond não se manifestava como fios de carmesim ou uma pequena poça de aura colada ao corpo.

Em vez disso, seu intento de matar se expandia num amplo espaço ao seu redor, cobrindo toda uma região como um domínio, dentro do qual ele controlava todos os aspectos de uma luta.

'Então ele está seguindo o caminho do Imperador assim como Soron e Kaelith.

Desse jeito, ficou muito mais difícil para mim abrir uma brecha —'

pensou Charles, ao ver Raymond finalmente entrar em seu campo de visão.

O filho do Soberano Eterno tinha uma presença marcante mesmo entre as fumaças e os destroços do céu de Juxta.

Seu cabelo era negro como jato, penteado pelo vento, mas teimava em permanecer no lugar, enquanto seus olhos, ainda mais escuros, pareciam dois abismos negros que refletiam nada, nenhum reflexo ou luz, apenas uma profundidade que parecia sem fundo.

Ele parecia a imagem exata de seu pai, o Soberano Eterno, só que mais jovem, com arestas mais afiadas, uma lâmina que ainda não fora aplainada pelo peso de séculos.

E ao seu redor, a intenção de matar que Charles tinha sentido tão vividamente pouco antes tomou forma visível, não como uma névoa ou faísca, mas como uma cúpula sufocante vermelha, pulsando como o coração de uma besta viva.

A aura se estendia em uma esfera que deformava o espaço que cobria, tornando o ar pesado e a luz distorcida, como se os próprios céus recuassem de sua presença.

E dentro daquele domínio, correntes escarlates lambiam sua pele como chamas, enrolando-se nos braços, envolvendo seus ombros até parecer mais uma armadura forjada com sangue e vontade do que simplesmente aura.

Cada movimento seu puxava o domínio, moldando-o de acordo com sua intenção — um movimento dos dedos fazia a corrente escarlate crescer; uma leve inclinação da cabeça, mudava a pressão como uma montanha mudando de peso.

Estar contra ele era estar em um mundo que ele dominava completamente, onde até o vento e a luz respondiam apenas à sua vontade.

Isso lembrava Charles de seus duelos com Soron anos atrás, quando também sentia o peso esmagador de uma aura de Imperador, aquela que não ameaçava apenas, mas governava.

E exatamente por esses combates que Charles entendia que, dentro desse círculo de sangue, Raymond não era apenas um guerreiro, mas sim toda a lei.

"O Vice-Mestre do Culto…" a voz de Raymond rompeu o silêncio, baixa e cortante, cada palavra carregada de veneno. "Você é uma praga que queremos eliminar faz tempo."

Raymond cuspiu, enquanto Charles cerrava os dentes, suor escorrendo pela testa enquanto sentia uma pressão compulsiva para se ajoelhar, mesmo sem querer.

'Ele tem uma vontade forte... Com certeza ele carrega o sangue do Assassino Atemporal.'

Charles percebeu, no fundo de seu coração, que não esperava menos — o filho do Soberano Eterno não era um homem que lutava dentro dos limites da razão.

Ele era o herdeiro da linhagem mais poderosa do universo, e isso se manifestava na força do aura que saturava seu corpo.

"Filho do maior traidor do universo, Raymond," respondeu Charles, com tom afiado, embora a voz tremesse sob a tensão. "Nós também queremos te eliminar há muito tempo—"

As palavras não tinham bravura, nem ostentação, apenas a firmeza da verdade, mas mesmo assim pronunciá-las fazia Charles sentir os pulmões arderem como se o próprio domínio tentasse silenciá-lo.

Perdendo o controle, gotas de suor escorriam livremente, deslizando pelas têmporas enquanto ele apertava ainda mais a empunhadura da espada.

A pressão de encarar um semi-deus era diferente de qualquer peso de batalha que ele já tivera que suportar.

Não era apenas poder, mas a promessa de aniquilamento — a mesma sensação sufocante que sentia frequentemente ao treinar com Soron — só que, desta vez, sem brincadeira, sem mãos segurando as costas.

Era vida ou morte, uma luta em que suas chances de sobreviver eram inferiores a 2%.

"Tenho uma pergunta, você conseguiu romper para o reino dos semi-deuses?

Porque, se não, é impressionante você estar de pé na minha frente.

Normalmente, Monarcas desmoronam sob minha aura, mas você parece estranho —"

questionou Raymond, com tom genuíno de curiosidade, tentando sondar a força verdadeira de Charles. Contudo, Charles apenas riu da pergunta boba.

"Você realmente acha que vai descobrir meu maior segredo só porque perguntou?

Filho, você é mais burro do que eu pensava—

Quer saber qual é meu reino verdadeiro?

Então venha e descubra por si mesmo!"

respondeu Charles, assumindo sua postura de combate.

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