
Capítulo 692
Assassino Atemporal
(24 horas depois, Posto de Observação, Quartel do Cult, Planeta Juxta)
O soldado estava sentado com os pés apoiados na grade, calmamente mastigando um punhado de amendoins torrados, enquanto as cascas caíam preguiçosamente na lata de lixo ao lado, e seus olhos percorriam o espaço através da lente do telescópio extraterrestre do Cult.
Era apenas mais um dia para ele na guerra, sem graça e sem acontecimentos, enquanto girava os botões de um lado para o outro sem um destino específico, procurando por nada em particular e esperando ainda menos.
Normalmente, seu trabalho era bem monótono, pois ele fazia só isso: observar o espaço profundo, procurando movimentos de naves inimigas longe do planeta Juxta. No entanto, buscar um pequeno grupo de naves assim era bastante questão de sorte, com 999 em cada 1000 dias de serviço sendo tranquilos.
Porém, hoje parecia ser seu dia de sorte, pois, surpreendentemente, ao girar o botão para rotacionar o telescópio mais 0,0001°, ele de repente exibiu a imagem de uma nave de destruição inimiga se aproximando do Cult, fazendo seus olhos brilharem de empolgação.
"E pra onde você pensa que vai, seu descarado?" ele murmurou, sorrindo levemente enquanto ajustava a roda de foco, achando que poderia ser apenas um escoteiro testando a sorte.
Mas quando ele puxou o telescópio de volta e diminuiu o zoom, seu sorriso desapareceu.
"Droga… essa não está se movendo só," ele sussurrou, a voz travada na garganta ao ver o vazio escuro revelar quase cem naves agrupadas, como uma escola de peixes predadores nadando juntas pelo espaço.
O riso anterior foi completamente apagado, substituído por uma tensão concentrada, enquanto ele aumentava o zoom novamente, os dedos tremendo contra a moldura de bronze, e as cem naves se multiplicaram para centenas, e essas para milhares, até que o campo de estrelas ficou marcado por silhuetas de naves de guerra se estendendo além do alcance da lente.
"Dezenhas de milhares…? Não… isso não pode estar certo," ele murmurou, o peito se apertando, o suor escorrendo pela têmpora, pois dezenas de milhares de naves só significavam uma coisa — invasão planetária.
Ainda sem confiar totalmente em seus olhos, ele esticou a lente ao máximo, forçando o cristal de mana interno a exagerar seus limites, enquanto sua respiração ficava presa na garganta até que a imagem se esclarecesse.
*Trrrr-chacoalhada*
Ele deixou cair os amendoins.
Pois diante dele estavam não só dezenas de milhares de naves.
Aquela cifra nem chegava perto…
"Duzentas… mil…" ele sussurrou, a voz quase um sussurro oco, enquanto a quantidade absurda de naves inimigas antes de seus olhos o fazia questionar se estava tendo alucinação.
"Mas o maior ataque já registrado foi de 150 mil naves…" lembrou-se, enquanto conferia os números repetidamente, chegando à mesma conclusão várias vezes, até que não pudesse mais negar a verdade.
O que se encontrava diante dele era o maior esquadrão de forças armado que o universo já tinha visto, e parecia inevitavelmente dirigido a Juxta.
"A ampliação desta lente é de 3 bilhões de vezes e o comprimento focal da lente é de 100 metros, então dividindo a distância pela velocidade de hiperpropulsão padrão… As naves inimigas estão a apenas 12 horas de distância."
Calculou, enquanto seu assento recuava de repente ao ele se levantar de forma abrupta.
*ESTREPE*
Correndo para os pés, ele saiu do salão de observação com uma expressão neurótica, enquanto gritava—
"COMANDANTE! PRECISO VER O COMANDANTE IMEDIATAMENTE—"
Fazendo os soldados ao redor se perguntarem o que diabos acabou de acontecer.
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Charles acabara de receber o pacote contendo a lâmina reforjada de Dumpy, aquela que pediu com urgência ontem, quando de repente o soldado do observatório tropeçou em sua sala, pálido, com os olhos arregalados de um pânico que deixou os guardas rígidos.
"C–Comandante… C–COMANDANTE!" ele gritou, quase tropeçando, parando bruscamente, segurando-se na moldura da porta como se tivesse passado pelo inferno.
Charles levantou lentamente o olhar, colocando a lâmina reforjada na mesa, com uma voz calma, firme e monótona. "Fala."
O soldado engoliu em seco, a boca seca, antes de estourar as palavras. "Duzentas mil naves, senhor… Eu mesmo contei! Não são apenas escoteiros, nem grupos… é uma frota de invasão. Estão a doze horas de distância, indo direto para Juxta."
O ambiente caiu em silêncio. Até os guardas nas paredes congelaram, com as mãos tremendo perto das bainhas, como se o peso do número fosse suficiente para despedaçar suas espinhas, enquanto Charles permanecia imóvel, sua expressão nem se alterava.
"Duzentas mil? Que bandeira eles carregam?"
Perguntou, enquanto o soldado mordia os lábios antes de responder, "A Bandeira do Exército Universal, senhor. Vi cinco Carregadores Grandes com eles, que imagino alojam cinco monarcas inimigos, e um Carregador Real, que parece pertencer ao comandante inimigo Raymond."
O mesmo homem que vinha sitiando Juxta há um ano.
O soldado falou, enquanto a cabeça de Charles começava a girar numa rápida ação de emergência, enquanto ele calculava todas as saídas possíveis dessa situação.
'Será que ele percebeu que Soron não está mais sob controle do Cult, e se moveu para me atacar por causa disso?'
'Se não, por que marcham com uma frota de 200 mil naves? Certamente, não estão organizando essa invasão só para parar antes do céu de Juxta e testar a resposta do Cult.'
Charles ponderou, após pensar em todas as possibilidades, chegou à conclusão dramática de que Raymond vinha aqui para lutar.
E que escapar daqui a qualquer custo era altamente improvável.
*Estalo*
*Estalo*
*Suspiro*
Estalando o pescoço, Charles não mostrou sinal de medo ou fraqueza, respirando fundo e olhando calmamente para o soldado à sua frente, pálido como uma folha.
"Filho, faz um favor pra mim: solta o alarme. Diz pros homens se alimentarem rápido e se prepararem para a guerra."
"Pode ser uma noite longa…." ele ordenou, dando uma palmada nas costas do soldado triste, antes de sair com confiança para fumar.