Assassino Atemporal

Capítulo 656

Assassino Atemporal

Entretanto, fora, nos céus de Nemo, ponto de vista de Yu Day

Yu Day e seus homens observavam a velocidade da construção no planeta Nemo por algumas horas, até concluírem rapidamente que não tinham tempo suficiente para esperar reforços e que precisavam decidir se atacariam o planeta agora ou não.

"Meu Senhor, devemos agir imediatamente. Seja para recuar ou para atacar."

"Cada segundo que desperdiçamos agora é como um veneno que estamos bebendo."

"Então, o que faremos?" questionou o Tenente do Clã Yu, enquanto Yu Day soltava um suspiro resoluto.

*Suspiro*

"Vamos atacar... Informem os pilotos para estarem preparados para uma luta difícil, e orientem os homens a estarem prontos para dar a vida."

"As chances de vitória são 50-50."

"E eu confio nessas probabilidades."

Instruíu Yu Day, enquanto a atmosfera dentro da nave ficava pesada e sombria.

Quase todos os soldados comuns a bordo esperavam voltar atrás hoje e retornar com mais força posteriormente,

No entanto, seu Comandante tinha decidido que lutariam agora, e, portanto, não tinham outra escolha a não ser obedecer.

"Vocês ouviram o Comandante... preparem-se para a guerra!" repetiu o Tenente, enquanto os subordinados pegavam as comunicações e começavam a transmitir as ordens.

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Enquanto isso, no solo do Planeta Nemo

Na mesma época em que Yu Day e seus homens observavam o Exército do Dragão, Leo e Veyr monitoravam a formação de suas naves, sentindo-se um pouco aliviados ao contarem apenas 8.000 naves.

"Ainda não é uma força completa. Ainda temos esperança de segurar..." disse Veyr após avaliar a situação, enquanto Leo assentia em concordância.

"Sim, mas não se deixe enganar pelo baixo número deles, primo," respondeu Leo, com tom calmo, porém firme, enquanto seus olhos permaneciam fixos no céu.

"Só começamos a montar defesas básicas aqui, alguns canhões na superfície e lançadores de mísseis improvisados no máximo, o que significa que a maior parte dessa batalha não será travada no solo."

"Ela será decidida lá em cima, nos céus."

Veyr franziu a testa levemente, seguindo o olhar de Leo enquanto ele traçava o cenário mais provável.

"Nossos homens no chão só poderão atuar após a conquista do domínio aéreo."

"Até lá, seu papel será limitado a impedir pousos indesejados de unidades dispersas ou eliminar feridos, caso suas naves sejam destruídas," continuou Leo, sua voz baixa, enquanto calculava mentalmente todas as possibilidades.

"A verdade é esta: em uma situação como essa, são os pilotos que carregarão o peso, pois quem controlar os céus ditará a guerra que virá."

Ele apontou para o horizonte, onde escuadrões do Cult já assumiam formações de batalha, bandeiras negras tremulando ao vento enquanto aguardavam a chegada do inimigo.

"Se conseguirmos estabelecer superioridade aérea, vamos sufocá-los, negar a eles a capacidade de pousar e fazer com que se dispersem antes de se alinhar devidamente. Mas, se eles tomarem o céu de nós, pouco importará quantas paredes construirmos ou quão bravamente nossos soldados sangrarem no solo, pois seremos apenas presas esperando para serem colhidas."

Leo concluiu, enquanto Veyr apertava firme o cabo de sua espada.

"Então, vamos focar em ajudar nossos pilotos tanto quanto pudermos."

"Embora os soldados comuns não possam participar diretamente de caçar naves inimigas que flutuam a dezenas de quilômetros da superfície, eu sei que você, eu, Viper e Su Pei podemos."

"Pelo menos os quatro podemos unir forças na batalha pelo domínio aéreo e garantir que nosso lado prevaleça—" concluiu Leo, quando Veyr assentiu veementemente em concordância.

"Vou lutar o melhor que puder, primo, talvez até derrube mais naves que você!" disse Veyr, com coragem, enquanto Leo lhe lançou um sorriso meio nervoso.

"Sei que vai, primo, mas acho difícil que consiga!" respondeu Leo, enquanto os dois chocavam as mãos e saíam caminhando, com seus papéis de guerra já definidos.

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Algumas horas antes, soldados do Exército do Dragão

Antes de se juntar a Leo para monitorar os movimentos inimigos no céu, Veyr tinha passado pela base para falar com os soldados comuns e informá-los sobre a iminente invasão do Clã Yu.

Ao revelar isso, os gritos que ecoaram pelas fortificações semi-construídas se transformaram em sussurros de apreensão, as risadas que enchiam o ar horas atrás deram lugar a murmúrios tensos sobre naves, escudos e sobrevivência.

Para a maioria dos soldados comuns, a verdade foi mais dura que qualquer lâmina, pois sabiam que as defesas de Nemo eram pouco mais do que andaimes e torres improvisadas, estruturas esquizofrênicas que jamais resistiriam a um ataque completo do Clã Yu. Sabendo que suas vidas agora dependiam do resultado de uma batalha que não estavam prontos para enfrentar, muitos tremeram de medo.

Mas Veyr, de pé, altivo, com o peito estufado, transmitia uma confiança firme e inabalável, de modo que o medo deles não tinha para onde se agarrar. Suas palavras traziam a força da convicção, não mera bravata vazia. Sua voz era calma, mas autoritária, seu sorriso era feroz o suficiente para lembrar que eles não eram cordeiros à espera do abate, mas soldados do Culto, guerreiros confiados a se manter onde outros poderiam cair.

"Irmãos, irmãs, eu sei o medo nos seus olhos," disse ele, transmitindo sua mensagem de forma clara e firme, como se cada palavra fosse forjada de ferro. "Vejo o céu cheio de naves e vocês pensam que estamos perdidos antes mesmo da batalha começar. Mas escutem—cada nave que vier contra nós é uma chance a mais de glória, uma chance a mais de provar que não somos os quebrados, nem os caçados, mas os defensores do que conquistamos com nosso sangue e manteremos com nosso sangue."

Seu sorriso se ampliou enquanto empunhava sua espada, levantando-a bem alto e deixando a lâmina reluzente refletir a pouca luz do céu nublado. Mesmo com o temor nos olhos, muitos se endireitaram, e suas espinhas ficaram rígidas ao se deixarem envolver pela força do espírito dele.

"Dizem que o Clã Yu é forte," continuou Veyr, caminhando lentamente na direção deles, olhando um a um. "Mas eu digo que força nada vale sem determinação. Eles estão vindo esperando uma vitória fácil, um planeta destruído, pronto para a colheita. E, no entanto, vão encontrar o Exército do Dragão aqui, pronto para lutar no céu, pronto para enfrentá-los golpe por golpe, prontos para lembrá-los de que, quando o Exército do Dragão planta suas bandeiras em terra estrangeira, eles não caem."

Os murmúrios de medo se transformaram em cânticos, inicialmente hesitantes, mas logo mais altos, enquanto os homens que, há momentos, estavam pálidos de medo, agora gritavam seus gritos de guerra com um fervor que até eles mesmo surpreendia, o peso do terror dissolvendo sob a certeza de Veyr.

Desde que o Dragão afirmou que poderiam vencer, e que ele liderava a ofensiva, os soldados comuns passaram a acreditar que também podiam vencer.

Pois, no final, a crença n@Dragão era mais forte que o próprio medo da morte.

Assim era a cultura do Culto.

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