Assassino Atemporal

Capítulo 651

Assassino Atemporal

Mauriss já tinha previsto que Entrail e Streak jamais seriam capazes de romper a defesa de Charles, pois o domínio do Culto sobre a aura permitia que ele percebesse facilmente a trajetória dos golpes antes mesmo de serem desferidos, o que lhe dava aquele empurrãozinho crucial de segundos extras para ajustar sua postura, levantar sua guarda e elaborar contra-ataques precisos, fazendo parecer que atacar ele era como tentar atingir o próprio futuro.

Para Entrail ou Streak derrotarem Charles, eles precisariam, de alguma forma, se tornarem mestres na Aura também — o que era impossível em tão pouco tempo — ou então neutralizar a vantagem dele, igualando o jogo de alguma forma.

E, por isso, para arrancar dele essa vantagem singular, Mauriss equipou os dois Comandantes com uma proteção de reserva: cada um carregava uma ampola de [Poção de Ocultamento de Intenção], uma poção divina criada exclusivamente para silenciar completamente a intenção, de modo que até mestres da aura, como Charles, que haviam aprimorado seus sentidos ao máximo, não conseguissem detectar nada, não houvesse fio para seguir, forma para interceptar.

*Plop*

*Glurg*

Sem hesitar, Streak arrancou o tampo da ampola e engoliu a poção de uma só vez, o líquido queimando sua garganta enquanto sua intenção de matar, uma vez afiada a ponto de cortar o próprio ar, se tornava silenciosa, desaparecendo como uma chama apagada sob o mar.

Entrail, por sua vez, avançava na tempestade infinita de ataques, sua lâmina subindo e descendo em arcos furiosos, investindo ao máximo para dar a Streak os preciosos segundos para a poção fazer efeito. Seus golpes se chocavam contra a guarda de Charles num ritmo incessante que fazia a atmosfera tremer ao redor deles.

*CLANG*

*CONFRONTO*

*BLK*

Ele encadeava inúmeras habilidades em rápida sucessão, cada golpe não para vencer, mas para ocupar, distrair, prender os sentidos de Charles na confusão de aço e aura, até que, de repente, Streak voltasse à luta com uma investida rápida, que conseguiu passar pelas defesas do Monarca.

*CUSPIDADE*

*RIACHO*

Pela primeira vez na batalha, uma fina linha carmesim apareceu no pulso de Charles, a pele se abrindo por um instante antes de se fechar rapidamente com uma aura de regeneração, mas a dor persistia, fraca, porém inegável — um lembrete de que tinha sido atingido.

'Por que não consegui enxergar a trajetória daquele golpe?' pensou Charles, estreitando os olhos enquanto sua mente lutava para compreender a cegueira súbita, seus instintos se agarrando desesperadamente ao perceber um oponente cuja aura nada revelava, cuja intenção permanecia escondida em silêncio absoluto.

"É isso, Streak! Agora ele está na defensiva! Mantenha-o ocupado enquanto eu tomo minha poção—" gritou Entrail, satisfeito, enquanto alcançava a própria ampola, enquanto Streak avançava com uma precisão selvagem, cada golpe mais rápido e afiado, todos planejados para empurrar Charles mais para trás, enquanto a máscara de calma do Monarca começava a vacilar diante de uma desvantagem desconhecida.

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(Enquanto isso, Dumpy)

"Ribbit… pé esquerdo, pé direito, golpe de espada, ribbit de novo."

Murmurou Dumpy, enquanto vacilava pelos escombros da base, seu corpo rechonchudo pulando a cada passo, com os olhos varrendo o ambiente procurando por Charles.

Mas, embora seus passos parecessem preguiçosos, tudo ao seu redor se transformava em massacre.

*CORTE*

*Esparramado*

Num momento ele era pequeno, escorregando entre as pernas de soldados fortemente armados como um sapo pulando entre juncos, duas espadas brilhando em flashes de luz prateada que cortavam tendões e gargantas ao mesmo tempo.

No próximo, crescia até o tamanho de uma árvore gigante, sua sombra engolindo esquadrões inteiros antes de atingirem o chão com um único pisoteamento, deixando tudo achatado em manchas irreconhecíveis.

*ESTOURO*

*MACHUCADO*

Soldados do culto gritavam de incredulidade ao verem um sapo se transformar numa montanha e depois encolher de volta ao tamanho de um brinquedo de criança, uma visão tão bizarra quanto gloriosa.

Por onde Dumpy passava, formações inimigas se desintegravam como formigas dispersas, seus gritos abafados pelos seus protestos ribbitantes de guerra.

"Ribbit! Morte vinda do céu do pântano!"

*HISSSS*

Ele inflou a goela e cuspiu uma chuva ácida que chiar amargamente ao cair, derretendo armaduras, fervendo carne e deixando crateras fumegantes repletas de corpos retorcidos — o cheiro insuportável fazia os soldados do culto se enojarem.

"Não se preocupem, camaradas, o Senhor Dumpy salvou suas bundas de cães!" — grasnou orgulhoso, enquanto a chuva ácida queimava centenas de inimigos vivos, com um sorriso tão largo como se tivesse distribuído doces às crianças.

Outras vezes, ele saltava nos ombros de formações desprevenidas, montando toda a carga de ataque enquanto cortava dezenas de inimigos com sua espetacular habilidade com a espada, sempre com um sorriso gigante, totalmente deliciado na carnificina.

*ESTRELAÇO*

*Grito de guerra*

Por onde passava, os inimigos se desintegravam em pilhas, e os soldados do culto começavam a cantar seu nome, embora com um misto de admiração e descrença, pois mal podiam aceitar que um sapo — mesmo armado com duas espadas — fosse a nova tropa de ataque destruidora do grupo.

"RIBBIT! O Dumpy conquista de novo! Avante, meus lacaios, avançar!"

E assim, ele pulava, cortava, cuspia, pisoteava, até chegar ao centro da base, onde uma batalha ainda maior fazia o ar tremer.

*EXPLOSÃO*

*CLANG*

*ITÁLIA*

Dumpy parou, com os olhos arregalados de espanto ao ver o Homem Fumante lutando contra duas figuras aterrorizantes.

Pela primeira vez na vida, viu Charles sendo recuado, sangue escorrendo pelos braços, cortes recentes reluzindo na pele, enquanto seu equilíbrio vacilava.

"… não, isso não pode estar acontecendo."

Sussurrou Dumpy, nervoso, enquanto suas mãos pequeninas tremiam ao redor de suas lâminas.

Para ele, Charles era uma montanha inamovível, o fumante eterno que podia eliminar qualquer inimigo como uma mosca, mas ali estava, cambaleando para trás, machucado e respirando com esforço.

"Tem que ser uma mentira… sim, tem que ser… O Homem Fumante está segurando sua verdadeira força. Ele sempre faz isso. Ele… ele deve estar."

Por mais que dissesse isso, Dumpy sentia uma dor no estômago, pois o outro lado dessa história era demasiado assustador para aceitar.

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