
Capítulo 649
Assassino Atemporal
"As naves do Clã Yu estão se aproximando rapidamente do Planeta Nemo. Nós… temos menos de quatro horas para nos prepararmos para a chegada deles," informou o soldado, enquanto Veyr dirigia o olhar para Leo com puro pavor nos olhos.
Ele mal podia acreditar no que havia acabado de ouvir, pois a ideia de Juxta ser atacada ao mesmo tempo em que Nemo sofria um cerco fazia seu peito apertar.
"Isso só pode ser uma conspiração do universo contra nós… certamente não podemos ser tão azarados—" Disse, pressionando a palma da mão na face, enquanto Leo soltava um suspiro profundo.
Objetivamente, a conquista de Nemo não poderia ter acontecido em pior momento: não apenas estavam ausentes de sua terra natal enquanto uma força inimiga invadia, mas agora se viam presos em um planeta recém-capturado, cujas defesas eram apenas estruturas de esqueleto e torres inacabadas, que podiam ser facilmente destruídas.
"Se formos voltar agora, estaremos abandonando tudo pelo que lutamos em Nemo e fugiremos como covardes."
"Se obrigarmos os homens a correr ao máximo, talvez em menos de duas horas já tenhamos partido, mas aí o Clã Yu reivindicará o planeta sem hesitar, e recuperá-lo depois será tão custoso quanto, se não mais," analisou Leo, com o tom sombrio, balançando a cabeça.
"Não podemos voltar sem lutar, e não queremos nos envolver numa perseguição espacial. Então acho que não temos outra opção senão lutar," concluiu Leo, com a voz calma, porém definitiva, fazendo Veyr agarrar os cabelos com frustração intensa.
"Você está maluco, primo? Não pode estar falando sério… Não podemos simplesmente ficar aqui enquanto Juxta queima. Esse é o nosso lar!" gritou Veyr, o pânico transbordando, mas Leo apenas enrijeceu os olhos e o encarou fixamente.
"Você está esquecendo quem vigia Juxta? Está esquecendo quem protege o Culto?" disse Leo, com tom frio e calculado.
"Se estiver, deixe eu te lembrar: é o COMANDANTE Charles, e é GOD Soron."
"Soron pode não intervir se o ataque se limitar às bases militares, mas no instante em que civis forem atingidos, ele descerá do céu. O Culto estará sempre seguro enquanto ele estiver lá."
O peso das palavras de Leo cortou o pânico de Veyr, a lembrança o estabilizou, mesmo que minimamente, e a respiração selvagem começou a se suavizar.
"Você tem razão…." murmurou ele suavemente, enquanto Leo lhe dava um puxão suave nos ombros.
"Se preparem, precisamos nos preparar para uma grande batalha, e os homens precisam de um líder para elevar o moral.
Você cuida dos discursos públicos, eu vou até o observatório para saber o número de inimigos…
Talvez tentar criar um plano de defesa básico." orientou Leo, enquanto Veyr assentia, e ambos se separaram.
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(Enquanto isso, acima do Planeta Nemo, Frota do Clã Yu, ponto de vista do Comandante Yu Day)
"Comandante, as bandeiras do Culto foram confirmadas. O Exército do Dragão parece ter tomado Nemo. As forças ainda estão construindo as defesas do planeta, o que sugere que a conquista ocorreu há menos de um dia."
A voz do soldado soava tensa e urgente no comando, enquanto todos os olhos se voltavam para o homem sentado ao centro.
Yu Day coçou o nariz, o peso da notícia pesando fortemente sobre seu cérebro, como se as palavras tivessem provocado uma enxaqueca.
"Malditos malditos do Culto Maligno..." murmurou, em tom baixo e venenoso, enquanto a maldição ecoava fraca contra os bornes de aço.
Ele passou a mão cansada pelo rosto, encarando a tela tática que mostrava as Destruidoras do Culto patrulhando o céu acima de Nemo.
Foi quando percebeu que aquilo não era o que havia assinado para fazer.
Ele e sua frota partiram de seu planeta natal quase cinquenta horas atrás, confiantes e sem pressa, pois os relatórios recebidos afirmavam que Nemo era um alvo fácil, abandonado por seu comandante e vulnerável sem seu escudo planetário.
Por semanas, seus oficiais apresentaram a missão como um ataque rápido, uma captura limpa, uma chance de o Clã Yu expandir sua influência sem resistência significativa.
Mas o que os aguardava aqui não era um planeta abandonado.
O que os aguardava era o Exército do Dragão, com suas bandeiras negras já plantadas nos continentes diversos e suas naves movendo-se em linhas defensivas fechadas acima da superfície do planeta.
"Comandante, se recuarmos agora, o Culto terminará o que começou. Em poucos dias, terão um escudo planetário completo, e, quando isso acontecer, Nemo se tornará intocável sem que façamos uma guerra total para tomá-lo."
Outro oficial falou com gravidade, a mão varrendo o holo mapa tático, onde sigilos rosas brilhantes marcavam as estruturas de defesa semi-concluídas que o Culto estava atualmente levantando.
Yu Day assentiu lentamente, embora o gesto fosse mais de resignação do que de concordância, enquanto pensava na dura matemática da guerra.
"Se eles consolidarem aqui, será muito difícil expulsá-los no futuro… isso certamente não pode acontecer."
Yu Day calculou, passando a língua pelos lábios frustrado.
"Mas nossa força atual também não é suficiente para uma vitória certa, então insistir na luta pode dar ruim também…" disse, com a voz mais firme, pesando as consequências.
"Temos oito mil naves ao todo.
Apenas mil e quinhentas são Destruidoras; o restante são Fragatas, Escoteiras e cargas adaptadas."
"Não é força suficiente para quebrar uma fortaleza, mesmo que ainda esteja na metade da construção."
Falou, inclinando-se para a frente na cadeira, com os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto seus olhos se fechavam na esfera azul-esmeralda que girava lentamente na tela principal.
"Essa legião veio aqui porque os relatórios prometiam um planeta fragilizado, não um confronto militar contra o Culto Maligno."
"Esperavam que entrássemos, hasteássemos nossas bandeiras até o final do dia, e saíssemos sem sangrar, sem lutar uma guerra contra um exército recém-vitorioso."
Um murmúrio de concordância permeou a ponte, mas ninguém ouse complicar a situação, todos conheciam a verdade nas palavras dele.
"Se recuarmos," Yu Day falou finalmente, baixando a voz, agora mais pensativo, "pareceremos fracos, não só para o Culto, mas também para nossos aliados. Nemo se tornará uma fortaleza sob o controle deles, e toda a galáxia saberá que o Yu não conseguiu conquistá-lo no momento certo."
O silêncio pesou como chumbo no ambiente, interrompido apenas pelo zumbido dos consoles e pelo chiado fraco dos conduítes de mana.
"E, no entanto, se ficarmos e lutarmos, nossas perdas podem ser tão severas que incapacitarão nossa legião por meses. Com oito mil naves, não garantimos vitória contra o Exército do Dragão, nem mesmo com reforços, que levarão pelo menos 50 horas para chegar…"
Os olhos de Yu Day se direcionaram ao oficial de comunicações, que hesitou, mas então falou suavemente.
"Devo enviar uma solicitação ao Alto Comando para reforços imediatos, comandante?"
Ele perguntou, enquanto Yu Day balançava a cabeça e rejeitava o pedido.
"Ainda não," respondeu, soltando um suspiro profundo, pois essa era uma decisão realmente complicada de tomar.
"Primeiro, vamos analisar quanto tempo levará para o Culto ativar o escudo do planeta…."
Se o ritmo de construção for lento, e pudermos esperar mais 50 horas antes de iniciar o ataque… aguardaremos.
Mas se não pudermos esperar tanto assim, então lutaremos."
"Antes morrer tentando tomar Nemo do que recuar com vergonha," concluiu Yu Day, enquanto todos os telescópios se voltavam para a Base Militar Central, onde uma nova instalação de escudo de mana estava sendo construída.