Assassino Atemporal

Capítulo 635

Assassino Atemporal

(Planeta desabitado, ponto de vista de Su Tang)

Os segundos pareciam se estender por horas para Su Tang, enquanto seu mundo se reduzia a nada além de dor, sangue e a lança em suas mãos.

Cada veia queimava como fogo derretido, cada tendão gritava como se fosse prestes a romper, mas ele forçava seu corpo a obedecer.

Seus circuitos, estreitos demais para suportar a enxurrada de essência divina que atravessava-os, racharam e estilhaçaram sob a pressão, mas ele não parou.

Ele não podia parar.

"Resista... RESISTA!" rosnou, sua garganta à flor da pele, sangue espirrando a cada palavra.

*EXPLOSÃO!*

O deserto explodiu ao seu redor enquanto outro golpe de lança rasgava o horizonte, dividindo os céus com arcos dourados que choviam como condenação.

Montanhas desabaram ao longe, rios de magma jorrourem ao redor, e o próprio ar tremeu como se quisesse abandonar aquele planeta arruinado.

Suas pernas fraquejaram uma, duas vezes, mas a cada vez ele se equilibrava, enterrando sua lança no chão para ancorar seu corpo prestes a desabar.

Os dentes rangiam com força enquanto os cerrava, fragmentos misturados com sangue que escorria de sua boca.

Seus olhos ficaram turvos, a visão embaçada pelo vermelho, mas ainda assim ele balançava a lança.

'Eu não vou quebrar... EU SOU SU TANG! EU SOU FILHO DE SU REN! NÃO VOU QUEBRAR!'

A enxurrada divina dentro dele raiva, lutando para escapar, para devorá-lo de dentro para fora, mas lentamente—angustiantemente lentamente—sua vontade forçava que ela tomasse forma.

A enchente selvagem começou a se curvar, cada golpe moldando um novo canal, cada rugido empurrando de volta o colapso por um único batimento.

Até que o momento crítico chegou.

*CRACK!*

Seus circuitos, fraturados e sangrando, de repente se alargaram, a essência divina os incinerou, abrindo dutos largos o suficiente para suportar o peso, enquanto sua alma, tremula e à beira da aniquilação, finalmente se harmonizava com a tempestade.

E assim—

*BOOM!*

A energia irrompeu para fora uma última vez, depois colapsou para dentro, se consolidando no núcleo dele, o caos violento cristalizando-se em uma ordem pura e aterradora.

O silêncio seguiu, quebrado apenas pelo sussurro de lagos de magma e pelos gemidos de um planeta moribundo.

Su Tang caiu de joelhos, ofegante, com a lança cravada no chão para impedir que desabasse completamente.

Seu peito arfava, cada respiração falhando enquanto sua cabeça pendia para baixo.

Até que, finalmente, levantou o rosto, só para ver um reflexo horrendo olhando de volta através de uma poça de rocha derretida.

Seu cabelo tinha desaparecido, queimado pelo calor da ascensão divina.

A pele tinha se desprendido em camadas enegrecidas, deixando sob elas fibras musculares cruas que se contorciam enquanto se reconstruíam.

Até os ossos apareciam em alguns trechos, brilhando de branco contra a massa carmesim de carne exposta, enquanto seu rosto parecia esvaziado, osso das órbitas fundos, lábios rasgados.

Se algum estranho passasse por ali agora, não veria o Patriarca do Clã Su, nem um homem que acabara de ascender ao reino dos Semi-Deuses.

Em vez disso, recuariam horrorizados, enganados ao confundi-lo com um espectro saído de um cemitério ou um cadáver animado pela própria ódio.

Porém, por baixo daquela aparência grotesca, o corpo de Su Tang começava a se regenerar a uma velocidade assustadora.

Agora, semi-deus, ele conseguia canalizar e produzir essência divina dentro do próprio corpo, pois, pela primeira vez na vida, podia perceber as margens da quarta dimensão.

Ainda não podia tocá-la. Ainda não conseguia alterar o fluxo do tempo, pois era como um recém-nascido que tinha pernas e braços, mas não sabia caminhar.

Ainda tinha muito a aprender, muito a evoluir.

Mas tudo isso ficaria para depois.

Por ora, a única coisa que importava era que ele tinha resistido.

Que, contra todas as probabilidades, ele conseguiu.

E que, apesar do alto risco de morte, ele sobreviveu.

"Gostaria que você estivesse vivo para ver este dia, pai... Gostaria que pudesse se orgulhar de mim, enquanto me tornei um Semi-Deus…” pensou Su Tang, enquanto sua aparência habitual se restabelecia completamente, e ele se sentia mais poderoso do que nunca.

Ele havia ascendido com sucesso, e, como resultado, o Clã Su havia ganho um novo Semi-Deus.


(Enquanto isso, em outro lugar do Clã Su)

Ao contrário do que Su Tang esperava, nem todos no Clã Su estavam dispostos a abandonar seus planetas ancestrais arduamente conquistados para defender Su Prime.

Após ele emitir o decreto para abandonarem suas terras nativas, alguns secretamente desistiram de vez do Clã Su.

Membros de várias ramificações, ligados por laços pessoais aos Cinco Grandes Clãs — seja por casamentos, parentesco sanguíneo ou outras conexões — começaram a fazer acordos secretos.

Ofereciam render o nome Su e jurar fidelidade a outro clã, desde que lhes fosse permitido manter o controle sobre seus mundos natais.

Era uma traição que não vinha de malícia, mas de cálculo. Para eles, o Clã Su já não era mais uma linhagem orgulhosa, mas um navio afundando; e, como ratos sentindo a embarcação se partindo ao meio, pularam nas águas, desesperados por agarrar qualquer coisa que pudesse mantê-los à tona.

Assim, enquanto Su Tang arriscava a própria vida para se fortalecer, muitos de seus parentes buscavam apenas garantir sua sobrevivência, trocando lealdade por conveniência, sangue por conforto, e o nome Su por segurança.

A ironia era amarga.

No exato momento em que seu Patriarca lutava contra o fogo e a morte para lhes dar um futuro, alguns de seus próprios já estavam vendendo esse futuro, cegos pelos sacrifícios feitos em seu nome.

Para piorar, tentavam convencer outros a se juntar a eles, a trair o clã também, espalhando boatos na escuridão, pequenos acordos secretos, promessas veladas, juramentos feitos a bandeiras estrangeiras—cada uma uma estaca cravada no caixão do Clã Su.

E embora Su Tang ainda não soubesse de tudo isso, as sementes da traição já haviam sido plantadas.

Sementes que logo germariam, exatamente no momento em que o Clã Su menos pudesse permitir que sangrasse por dentro.

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