
Capítulo 632
Assassino Atemporal
'Quando os fracos tropeçam e a vela treme, aí você saberá que o primeiro passo foi dado…'
Leo ficou um bom tempo refletindo naquela última frase, trocando ideias na cabeça, mas por mais que repetisse, o significado parecia escapar, como fumaça escorrendo pelos dedos.
Na superfície, ele entendia para onde o manual apontava — o esboço vago do primeiro estágio, Projeção de Aura, que era o ato de expandir sua presença para fora e deixá-la pesar sobre o mundo.
Mas entender a ideia e saber por onde começar eram coisas bem diferentes, e, no momento, ele não fazia ideia de como dar aquele primeiro passo.
"Bom… posso sempre pedir ajuda ao Charles. E se ele não conseguir descobrir, ainda tem o Soron," murmurou Leo, soltando uma respiração lenta enquanto se recostava na estrutura de metal frio da guarita.
Ele sabia pela própria experiência que manuais de aura costumam parecer enigmas indecifráveis no começo, mas, uma vez que mergulha na prática, os padrões se revelam e o que parecia impossível vira algo gerenciável.
"Vou pegar o jeito com o tempo…" decidiu, não por derrota, mas com a tranquila confiança de quem já quebrou essas barreiras antes e sabe que pode fazer de novo.
"Oye, oye, oye… não está achando que está se acomodando demais aí na minha vez, garoto?"
Uma voz profunda roncou lá de baixo, e, quando Leo olhou para baixo, viu Charles ali com os braços cruzados, como se tentasse passar a ideia de que não aprova ninguém ocupando seu lugar.
Sorrindo instantaneamente, Leo abriu um sorriso largo e despreocupado, aquele de quem traz travessura e alívio, ao ver seu mentor finalmente chegar.
*Salto*
Saltando do topo, aterrissando silenciosamente, Leo fechou os punhos e flexionou os bíceps enquanto perguntava: "Adivinha quem virou Transcendente hoje?"
Charles sorriu e respondeu com um aceno de cabeça divertido.
"Pois é, menino, bom trabalho, finalmente pode ser promovido a comandante de Legião pelo seu próprio mérito." Charles disse, enquanto verificava o corpo de Leo em busca de anomalias, mas ficou satisfeito ao não encontrar nenhum problema.
"Comandante, várias coisas aconteceram recentemente, e até o Veyr está aqui… Acho que precisarei pegar um bom tempo de sua agenda amanhã cedo, temos muito para discutir." Leo informou, enquanto Charles assentia com seriedade nos olhos.
Agora que ele era praticamente o líder interino do Cult, precisava ser responsável por todos os acontecimentos importantes dentro da organização, e não apenas na parte militar.
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(Enquanto isso, Planeta Granoda, ponto de vista de Mauriss)
Desde que Kaelith matou Su Ren, Mauriss redobrara sua atenção para monitorar cada movimento do Cult, convencido de que Soron certamente aproveitaria esse momento para agir, agora que o equilíbrio da Ordem Universal havia sido abalado.
Por dentro, até permitira uma faísca de esperança de que Soron finalmente saísse de seu isolamento, reunisse aliados entre os Grandes Clãs, e formasse uma coalizão de facções anti-retidão forte o suficiente para desafiar o Governo Universal.
Mas, para sua decepção, nenhum movimento assim aconteceu.
Durante dias, o Deus Antigo permaneceu enclausurado dentro de seu castelo em Ixtal, imóvel e aparentemente desinteressado na tempestade que se formava pelo universo.
Até hoje, quando, de repente, Soron cobriu toda a sua fortaleza com camadas de wards anti-espionagem, uma rede de barreiras antigas que abafavam até os sentidos divinos mais refinados, transformando o castelo em uma área vazia aos olhos do sentido divino, tornando-se um ponto escuro que nenhum Deus podia explorar.
"Ha… hahahaha—"
Mauriss riu, enquanto puxava as próprias pálpebras até deformá-las e quebrá-las, sentindo uma empolgação fora do comum crescer em seu peito.
"Depois de 2200 anos, finalmente decidiu agir.
Então, o que é…
É uma isca? Você está desafiando a gente a pisar em terras do Cult, para que possa aparecer e nos eliminar?
É desespero?
Talvez você tenha saído do território do Cult para refinar sua peça de Metal de Origem?
Ou é algo mais?
E você só está brincando com a gente, só para ver como reagimos?" Mauriss perguntou, com a voz cheia de excitação, enquanto sentia o coração acelerar só ao pensar nessa jogada genial.
"Empolgante… Isso tudo é tão empolgante. Não me divertia assim há muito tempo.
Soron! Quero te matar com minhas próprias mãos.
Faça algo estúpido para que eu possa alcançar meu objetivo…." Mauriss disse, começando a lamber as próprias mãos como um homem mentalmente instável.
Por um tempo, continuou a rir, cada vez mais alto, até que seu som ecoou por toda a planeta banhada pela chuva, antes de, de repente, parar, quando uma ideia perigosa começou a ganhar forma em sua cabeça.
"Sei exatamente como confirmar o que o Soron está preparando…"
"Dez bilhões de soldados, duzentas mil naves e quinze Comandantes Nível Monarca. Se eu mobilizar uma força tão grande só para atacar um planeta do Cult, como Juxta… talvez, então, Soron não tenha escolha a não ser aparecer pessoalmente, caso esteja de volta a Ixtal."
"Se não… vou confirmar o que já suspeito."
Que ele está fora para refinar Metal de Origem, e que o Cult está desprotegido…"
Mauriss arquitetou seu plano, com os olhos brilhando de esperteza.
"Se eu estiver errado, vamos perder muitos tropas, e talvez muita reputação também.
Por outro lado, se acertar, podemos acabar de vez com o Cult."
Que momento empolgante!
Espero apenas que Kaelith não impeça meu plano.
Espero que, depois do que aconteceu na Cúpula de Todos os Deuses, ele aprenda a confiar mais em mim." Mauriss murmurou, enquanto começava a esfregar as mãos como uma criança empolgada.
A vida de bilhões de pessoas não passava de um joguinho para ele.
No final, ele não ligava se sua intuição estava certa ou errada.
Tudo que importava era a sua diversão, e o possível drama que poderia surgir de qualquer forma.