
Capítulo 630
Assassino Atemporal
Por uma hora inteira, Leo e Dumpy se enfrentaram cento e cinquenta e nove vezes, mas em todas as trocas Leo saiu vitorioso, encerrando cada combate em trinta segundos ou menos, provando que era indiscutivelmente superior apesar de ser um Transcendente recém promovido.
"Domínio da aura aliado a um corpo superior é realmente um código de trapaça quebrado. Um homem não deveria conseguir se mover tão rápido—" pensou Leo, ao perceber que sua dominância não vinha apenas de ter atingido o mundo Transcendente, mas de ser um Transcendente que já dominava a arte do controle de aura.
A capacidade de perceber os ataques antes que eles acontecessem lhe dava janelas preciosas de previsão, permitindo que evitasse e contra-atacasse seus inimigos antes mesmo de eles terem chance de executar completamente seus movimentos...
Significando que, em batalha, ele estava sempre um passo à frente, ditando o ritmo ao invés de simplesmente reagir a ele.
Essa ponta de antecipação, combinada com a agilidade de seu novo corpo, o transformava numa força avassaladora, um fato que só era ampliado pelo suporte constante de suas técnicas fundamentais.
Assim como técnicas como [Potencializar], que reforçavam cada movimento dele, e [Processamento Paralelo], que garantiam execução perfeita nos momentos mais críticos, seu corpo respondia com uma precisão letal aos comandos neurais, ao ponto de erros não fazerem mais parte de sua equação de batalha.
"É como se eu tivesse me tornado a máquina de guerra perfeita!"
Leo percebeu, sentindo-se como se, ao juntar tudo, tivesse se tornado uma força dominante e única, com seu próprio estilo de luta.
*Aplaudida* *Aplaudida* *Aplaudida*
Veyr aplaudia de fora, após observar Leo vencer Dumpy por uma hora consecutiva. Naquele momento, foi ele quem entrou na quadra de treinamento para participar da ação.
"Você já deu paciência demais ao animal, primo... Que tal a gente fazer umas medições?" Veyr perguntou, enquanto Dumpy franziu profundamente a testa com a pergunta.
"Humano vira-lata… Se eu não consigo ficar de pé diante do Senhor Pai, o que te dá a certeza de que vai conseguir?"
"Você não é o fogo assustador…"
"Você é só mais um fraco." respondeu Dumpy, enquanto Veyr quase perdia o equilíbrio ao ouvir os comentários do amigo.
"Esqueci completamente do temperamento desse aqui..." ele murmurou para si mesmo, antes de sorrir de forma amistosa para Dumpy e dizer: "Nobre besta, por favor, deixe-me uma luta de treino com o Lorde Dragão Sombra aqui..."
Como Dumpy apenas bufou em resposta e pulou para dar espaço.
Leo inclinou ligeiramente a cabeça, com um sorriso suave nos lábios, abaixando sua adaga novamente, enquanto Veyr avançava com a lâmina já em punho, os olhos dourados se estreitando enquanto sua aura aumentava só o suficiente para mostrar que ela tinha intenções sérias.
"Primo… não economize na força comigo," Veyr disse, enquanto o sorriso de Leo só se aprofundava, sua postura relaxada e casual, mas cada fibra do seu ser pronta para a batalha.
*Passo* *Passo*
Veyr circulou uma vez, analisando cada detalhe da posição de Leo, antes de atacar com um golpe baixo, varrendo a perna do primo na esperança de criar uma abertura e assumir o controle.
"O peso do primo está na perna de trás. Se eu cortar bem baixo aqui, ele será forçado a recuar para desviar, o que me dará a oportunidade de avançar e empurrar com o segundo golpe—"
Veyr analisou, porém, o resultado quebrou sua expectativa: Leo escorregou não para trás, mas para frente, sua adaga brilhando como um raio, parando a uma respiração de distância da garganta de Veyr antes mesmo que o último pudesse fazer sua transição para o próximo ataque.
Veyr congelou no meio do movimento, seus pensamentos dispersos de incredulidade.
"O quê? Como… eu nem tinha terminado meu ataque, e ele já contrarrou? Será que ele leu minha mente ou algo assim?"
Leo apenas riu baixinho, abaixando a lâmina, seus olhos cinzentos brilhando de diversão.
"De novo?"
Ele perguntou, enquanto Veyr recuava, reajustando sua postura, e avançava novamente, agora fingindo um ataque alto com uma estocada rápida no peito de Leo, antes de virar bruscamente e atacar as costelas.
"Se eu o atrair para um ataque alto, ele vai elevar a guarda, deixando o lado exposto. Assim que eu acertar, posso empurrá-lo contra a parede e manter a pressão—"
*Estrondo*
O golpe encontrou o aço, mas não como ele esperava. Leo tinha ajustado sua adaga com precisão cirúrgica, desviando o golpe com facilidade, seus movimentos tão fluidos que a espada de Veyr foi levada de leve ao lado, enquanto, um segundo depois, a lâmina da adaga pairava próxima ao seu pulso.
"Impossível… ele não só desviou, como desmontou toda a minha sequência antes mesmo de começar. Por que é eu quem está perdendo terreno desde o primeiro movimento?"
Veyr ronrou baixinho no gargalo, então lançou uma rajada de ataques, a espada lançada em arcos e estocadas, rápida e implacavelmente, tentando sobrecarregar Leo com volume de golpes.
Porém, cada golpe terminava do mesmo jeito.
Toque em seu peito.
Toque na sua garganta.
Toque no seu pulso.
Leo se movimentava entre os golpes como um espectro, sempre presente e, ao mesmo tempo, intocável, sua lâmina surgindo onde Veyr menos esperava, seus contra-ataques impecáveis, seu ritmo inabalável.
"Droga!" Veyr cuspiu, agora ofegante e suado na testa.
"Por que é assim? Sempre que acho que o encurralei, ele já está lá, me desmontando antes mesmo que eu me comprometa. Não é só velocidade… parece que ele prevê a luta dois passos à frente."
Leo inclinou levemente a cabeça, com um tom calmo, mas autoritário.
"Vamos lá, primo… mostra-me do que o Dragão é capaz."
Ele provocou, mas Veyr não se atrevia mais a agir de forma imprudente.
Já tinha percebido que nenhum orgulho seria capaz de preencher a lacuna impossível que agora se estendia entre eles. Agora, que estavam no mesmo nível, seu primo tinha se tornado simplesmente intocável.
Por sua perspectiva, apesar de seu primo estar sorrindo e aquilo ser apenas uma luta casual, ele não podia deixar de sentir que era uma formiga tentando mover uma montanha gigante, grão por grão, e que, por mais que se esforçasse, parecia uma tarefa impossível de completar.