Assassino Atemporal

Capítulo 614

Assassino Atemporal

(Em uma nave de transporte rumo ao Planeta Juxta)

Após deixar o castelo de Soron, Leo e Charles voltaram para o planeta Juxta em completo silêncio.

Charles estava rígido em sua cadeira, a mente carregada com as implicações da morte de Su Ren e a iminente guerra universal, enquanto Leo sua atenção voltava-se para dentro.

Sem hesitar, ele puxou o [Códice da Revelação das Sete Doctrinas] e, como esperado, no instante em que o abriu, linhas douradas surgiram na antiga pergaminho, enquanto o códice se despertava para reconhecer sua conquista de entender tanto as intenções verdes quanto as douradas.

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> Você dominou o Verde, e tocou na razão de um Deus para sobreviver.

> O Verde é a cor do sopro roubado na beira da morte, a recusa de desabar quando tudo mais caiu. É a intenção de Sobrevivência.

> Mas cuidado… pois a sobrevivência não é uma decisão só sua.

Se seus inimigos perceberem a razão pela qual você luta para viver, podem apagá-la, arrancá-la de você, e deixar você sem âncora para se agarrar.

> Sobreviva, mas esconda o motivo. Pois, do momento em que perceberem sua âncora, ela se tornará sua corrente.

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As letras brilharam, depois sumiram em instantes, enquanto uma nova linha de texto começava a aparecer.

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> Você também vislumbrou o Ouro.

> Ouro é a cor do Destino, das bifurcações invisíveis, das escolhas que dão origem a impérios ou tumbas.

> Não é bênção nem maldição, mas um espelho da vontade.

Um único passo pode coroar você como soberano das estrelas.

Outro pode condená-lo à ruína, enterrado sob o peso dos caminhos não trilhados.

> O Destino não é gentil, é uma lâmina sem misericórdia, forjada por suas próprias decisões.

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O códice informou, antes de de repente começar a brilhar intensamente, enquanto a página de texto era substituída pela última página do manual.

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> Agora você dominou as sete cores da intenção.

Escarlate da Fúria Sangrenta.

Marrom da Desilusão.

Céu da Alegria.

Rosa do Amor.

Preto da Enganação.

Verde da Sobrevivência.

Dourado do Destino.

> Com isso, o círculo está completo e o códice, encerrado.

> Agora você é a segunda pessoa na história a possuir domínio total sobre o Códice.

> Guarde bem essa verdade… pois portar algo que ninguém mais consegue é um convite à reverência e à ruína.

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A luz diminuiu, e as páginas voltaram a se acalmar.

Leo permaneceu imóvel, o códice repousando suavemente em seu colo, a respiração presa na garganta.

"A segunda na história…" ele sussurrou, seu orgulho crescendo, enquanto deixava escapar um sorriso suave.

Se alguma vez precisasse de um impulso de autoconfiança ou de uma prova de que era um guerreiro extremamente talentoso, essa era a hora.

Ele tinha conseguido dominar aquilo que ninguém mais, exceto o criador desse método, poderia.

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(Enquanto isso, em uma nave de transporte rumo ao planeta Juxta, ponto de vista de Su Yang)

Seguindo o pedido de seu pai, Su Yang partiu imediatamente para o Planeta Juxta, sua mente um turbilhão de contradições que se recusava a se acalmar.

Durante toda a vida, a palavra Cult foi para ele sinônimo de maldade.

Desde que aprendeu a segurar uma lâmina de madeira, foi ensinado de que o Cult da Ascensão era uma praga no universo, um grupo de fanáticos e tiranos que veneravam a força acima de tudo.

Seus tutores o retratavam como monstros sem consciência, seus idosos o chamavam de inimigos jurados, e seu pai deixou claro que a existência deles era uma afronta a tudo o que o Clã Su representava.

E Su Yang acreditou nisso.

Acreditou tão profundamente que cada movimento de sua lâmina durante o treino, cada gota de mana que dedicava às suas técnicas, carregava a promessa silenciosa de que um dia estaria na linha de frente quando o Clã Su finalmente fosse apagar o Cult de uma vez por todas.

Ele os odiava sem questionar, não porque tinha visto a crueldade com seus próprios olhos, mas porque foi criado para odiá-los.

Porém agora, lá estava ele, sentado numa nave que atravessava as estrelas, carregando o pedido desesperado de seu pai.

Um pedido não para matar o Cult, nem ameaçá-los, mas para ajoelhar-se diante deles como enviado e pedir ajuda.

Pois de repente, seus inimigos jurados tornaram-se sua única esperança, enquanto aqueles que sempre chamou de aliados, os Seis Grandes Clãs, que há séculos juraram irmandade e casaram seus herdeiros com o sangue do Su, tinham abandonado o Clã Su no momento em que a fraqueza apareceu.

"O Cult é Mal? A Aliança Justa é Boa? Que piada enorme!"

Ele murmurou, ao finalmente enxergar a verdade de como as coisas realmente eram no universo.

Será que o Cult era realmente mau, ou eram apenas rotulados assim porque convinha aos interesses do Clã Su na época?

Os Grandes Clãs eram realmente justos, ou eram apenas lobos egoístas que usavam a pele de nobres aliados enquanto aguardavam pelo momento da fraqueza?

As perguntas dilaceravam sua mente como lâminas.

Se bem e mal fossem conceitos absolutos, por que eles mudavam com a mudança de poder?

Por que seu pai, que uma vez lhe ensinou que o Cult era um inimigo eterno, agora o enviava para estender a mão a eles?

Por que os clãs que um dia proclamaram irmandade agora desejavam o sangue de Su?

A verdade o pressionava com uma clareza sufocante.

Não existiam amigos eternos, nem inimigos eternos.

Existia apenas interesse, e as marés de circunstâncias que determinavam quem era aliado ou inimigo.

E, se essa era a realidade do universo, então o que isso fazia dele? Um tolo que passou a vida treinando para lutar contra fantasmas rotulados como inimigos, ignorando a faca que descansava nas mãos daqueles mais próximos?

Seus olhos dourados piscavam enquanto ele olhava pela janela da nave, assistindo à passagem rápida das estrelas.

Seu peito apertou com uma dor vazia, pois algo dentro dele estava se quebrou, algo que uma vez lhe dava direção.

Talvez não houvesse bem algum. Talvez não existisse mal algum.

Havia apenas força, e como essa força era usada em um dado momento.

Hoje o Cult era inimigo, amanhã poderia ser aliado, e algum dia provavelmente voltariam a ser inimigos.

O mesmo valia para os Grandes Clãs, para a Aliança Justa, para qualquer um que percorresse o caminho do poder neste universo sem fim.

A realização deixou um gosto amargo na boca.

Mas mesmo com o desespero tentando enraizar-se em seu coração, Su Yang cerrava os dentes e endireitava a postura.

Se o mundo não conhece bem o bem e o mal, então não faria sentido gastar sua vida atrás de ilusões.

Viveria com os olhos abertos, reconhecendo que lealdade e traição, aliado e inimigo, nada mais são do que sombras projetadas por luzes que mudam.

E, se essa é a verdade do universo, então ele não seria um peão movido pelas definições morais dos outros.

Ele iria definir sua própria regra.

*Thrumm*

A nave zumbia enquanto cortava o vazio, levando-o cada vez mais próximo de Juxta, mais perto do Cult ao qual devia implorar por ajuda, mais perto da tempestade que poderia destruir sua clã ou forçá-la a renascer, enquanto ele se perguntava se veria seu amigo ao aterrissar.

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