Assassino Atemporal

Capítulo 612

Assassino Atemporal

(Planeta Wu Tang, ponto de vista de Su Yang)

*Estalos…* *Sibilo…*

A fumaça espessa e negra enchia o céu da tarde, misturando-se ao odor de metal queimado e carne carbonizada, enquanto Su Yang cambaleava para fora das ferragens retorcidas da nave de transporte.

Sua visão girava, com sangue escorrendo constantemente pela testa, onde um pedaço afiado de estilhaço tinha aberto a pele acima da sobrancelha.

*Passo*

Ele cambaleou uma vez, os joelhos fraquejando, antes de se forçar a ficar de pé, segurando o lado do corpo enquanto sentia a dor se espalhar pelas costelas.

Ele tinha sentido a morte se aproximando quando a explosão engoliu a cabine, mas naquele instante, um fraco brilho azul envolveu seu corpo, uma barreira de energia ganhando vida e absorvendo a maior parte do impacto.

Era um artefato de proteção que lhe fora dado pelo Clã Su após o ataque terrorista na Arena Lewis Hamilton no ano passado.

No entanto, só porque sobreviveu a essa tentativa de assassinato, não significava que se sentisse mais seguro agora do que antes.

Cercado pelos corpos mortos e pelos destroços da nave, agora tinha que encontrar um novo modo de chegar a um local seguro.

*Fôlego…* *Fôlego…*

Seu peito subia e descia em respirações entrecortadas, cada puxada de ar cortando seus pulmões como vidro, e mesmo assim, ele insistia em seguir em frente, recusando-se a ceder à fraqueza.

*Passo* *Passo*

Fora do casco destruído, vozes ecoavam.

"Confinem a perímetro!"

"Chamem uma equipe médica, agora!"

Decorrentes de dezenas de oficiais blindados já cercavam o local do acidente, com armas apontadas e olhares atentos às chamas, como se esperassem que o inimigo se revelasse a qualquer momento.

Claridades de auras transcendentes e do Gran Mestre brilhavam ao redor dele, vindas dos elites da força policial que não perderam tempo em estabelecer barreiras próprias, selando a área com camadas de campos de energia para evitar outro ataque.

"Quem atacou a nave?!" gritou um policial, olhando para o céu, como se a resposta pudesse cair do próprio céu.

Outro ajoelhado ao lado do corpo de um passageiro, com o rosto sério. "Mortos. Todos mortos… cada um deles."

Su Yang saiu cambaleando pelo interior do casco destruído, seu capuz rasgado e sua capa queimada, revelando seus cabelos dourados molhados de sangue, que brilhavam mesmo sob as cinzas.

Dezenas de cabeças se voltaram para ele naquele instante.

"Alguém está vivo!"

"Aqui, encontramos um sobrevivente!"

Os policiais correram na direção dele, com os passos ressoando sobre os destroços, suas auréolas pressionando-se próximas enquanto tentavam segurá-lo.

"Calma, calma… você está gravemente ferido. Segure firme, vamos chamar um curandeiro—"

"Não…" Su Yang falou rouco, balançando a cabeça apesar do sangue escorrendo pelo rosto.

"Sou descendente do Clã Su, preciso voltar para casa imediatamente.

Nave… Encontre outra nave para eu retornar." Ele implorou, enquanto os oficiais trocavam olhares sérios.

Enquanto todos na nave eram cidadãos comuns, apenas Su Yang parecia um alvo de real valor, e por isso eles suspeitavam que ele fosse o principal alvo daquele atentado.

"Alguém quer sua morte, filho… o procedimento diz que eu devo te manter aqui, mas olhando a expressão determinada no seu rosto, sei que você não quer ficar por perto. Então, deixe-me encontrar aquela nave que você deseja," disse um dos oficiais, que logo conseguiu localizar outra nave para Su Yang e enviá-lo para fora do planeta.

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(Planeta Su Prime, algumas horas depois)

Após umas horas de tensão, Su Yang finalmente chegara ao Planeta Su Prime.

Seu shuttler pousou no hangar principal, e assim que saiu, servos correram para ajudá-lo, se curvando rapidamente, suas vozes se misturando enquanto pediam para limpar seus ferimentos, trocar suas roupas ensanguentadas e restaurar sua aparência antes de ele encontrar o Patriarca.

Mas Su Yang os mandou todos embora, com olhos dourados frios como aço, exigindo ser levado primeiro a seu pai.

Os servos trocaram olhares preocupados, mas ninguém ousou recusá-lo enquanto o guiavam rapidamente pelos corredores familiares do palácio ancestral do Clã Su, até que finalmente as pesadas portas do escritório do Patriarca se abriram.

Dentro, Su Tang estava sentado inclinado por cima de uma mesa longa, o peso da exaustão visível em cada linha do seu rosto.

Seu cabelo preto, antes cheio de orgulho, agora apresentava alguns fios grisalhos, enquanto sua pele parecia tingida de um tom mais pálido, como se tivesse envelhecido 20 anos nos últimos dois dias.

Porém, apesar das preocupações, ele sorriu levemente ao ver Su Yang, reconhecendo seu filho com um aceno de cabeça.

"Você voltou/em segurança—" disse, enquanto o coração de Su Yang afundava ao ver sua aparência tão cansada.

"Pai…" Su Yang respondeu ao se aproximar, seus passos ecoando suavemente no piso de mármore.

"O que aconteceu? Por que me chamou com tanta urgência? Por que está tão mal de saúde?"

Su Tang ergueu a mão, gesticulando silenciosamente para os servos saírem do cômodo.

Quando a sala ficou vazia, ele se inclinou para frente, com um olhar pesado, sua voz carregando o peso de um trovão, mesmo cansada.

"Você precisa ouvir algo, e precisa estar forte o suficiente para aceitar. Seu avô… o Deus da Família Su… Su Ren, morreu."

As palavras acertaram Su Yang como um martelo no peito.

"O quê?" ele sussurrou, os olhos se arregalando, o sangue se gelando nas veias enquanto o mundo parecia inclinar-se sob seus pés. "Vovô… morreu?"

Memórias inundaram sua mente, a figura imponente que fora o escudo do clã por milênios, o homem cujo nome era dito com respeito por todo o universo.

Pensar que um homem assim poderia cair parecia impossível.

Porém, o silêncio de Su Tang e a severidade em seu olhar confirmaram o que seu coração já intuía.

"Ele está morto", repetiu Su Tang, sua voz baixa, mas firme. "E os outros cinco clãs estão se preparando para nos atacar como aves de abutre. Eles vão dilacerar nossas terras, nosso nome, nosso povo. Uma tempestade está se aproximando, Yang. O Clã Su enfrentará seu momento mais turbulento na história."

Su Yang cerrara os punhos, a testa ainda sangrando, o corpo tremendo não por fraqueza, mas pelo peso daquilo tudo que acabara de saber.

"Como? Como o Vovô morreu?" perguntou, enquanto Su Tang balançava a cabeça e soltava um profundo suspiro.

"Ainda não está confirmado, mas suspeitamos de uma armadilha semelhante à Grande Traição de 2000 anos atrás, quando os outros subitamente se voltaram contra ele," explicou Su Tang, enquanto Yang cerrava os punhos e sentia sua alma fervilhar de fúria.

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