
Capítulo 569
Assassino Atemporal
(Planeta Vorthas, ponto de vista de Mu Fan)
Era 4 horas da manhã, e as ruas de Vorthas estavam silenciosas neste horário, salvo pelo leve som do clique das botas de Mu Fan enquanto ela caminhava para o trabalho.
*Sip*
Ela saboreava uma xícara de café amargo enquanto caminhava, seu único prazer durante a pausa noturna.
Seu horário permitia apenas uma hora de intervalo por dia, entre três e quatro da manhã, para sair de sua mesa, já que esse era o período em que geralmente nada importante acontecia e todos estavam dormindo.
Do contrário, seu trabalho de vigilância era 24 horas por dia, incansável, uma dor de cabeça constante, que ela culpava exclusivamente ao Décimo Segundo Elder.
A vigilância não deveria ser uma tarefa solo; ela precisava de mais funcionários para rodar uma operação eficiente, mas o homem não se importava com suas solicitações.
"Idiota, idiota do Elder", amaldiçoou enquanto caminhava, quando, de repente, sentiu um calafrio percorrer sua espinha, como se estivesse sendo observada.
*Virar*
Ágil, ela virou-se rapidamente para examinar a rua atrás de si em busca de sinais de alguém a perseguindo, antes de olhar para os telhados, mas não encontrou ninguém lá.
"Parece que estou pensando demais novamente..." ela murmurou, soltando um suspiro profundo, e continuou caminhando.
Durante a última semana, Mu Fan se sentira cada vez mais ansiosa, como se alguém estivesse constantemente a observando de além do alcance da visão.
Era uma fonte constante de paranoia, pois frequentemente alterava seu percurso e tentava arduamente descobrir a localização do perseguidor, mas não encontrava nada que validasse sua preocupação.
Por mais que tentasse, não conseguia justificar sua suspeita, e, após uma semana se sentindo assim, começou a ignorar os alertas e a atribuir isso à própria natureza de seu trabalho.
"Estou ficando louca?" ela se perguntou, olhando por sobre o ombro mais uma vez, apenas para não encontrar ninguém atrás de si, de novo.
"Eu odeio o Décimo Segundo Elder... Preciso de um chefe melhor, alguém que realmente leve as coisas a sério," ela amaldiçoou, começando a desgostar de todos os aspectos daquele homem nos últimos meses.
Ele não apenas sobrecarregava Mu Fan, como também não valorizava seus esforços e não se importava com suas opiniões, o que a frustrava a ponto de enlouquecer.
Se pudesse, ela gostaria de trabalhar com um novo Elder o mais rápido possível, mas, por enquanto, estava presa ao Décimo Segundo.
*Toque*
*Toque*
Logo, o beco à sua frente começou a se estreitar, suas paredes ecoando o som de seus passos ao chegar ao destino.
Era a entrada dos fundos do seu escritório, entre o prédio do escritório pessoal do Elder e a sede da Associação de Trabalho, escondido em um beco estreito longe da vista da rua principal.
Como de costume, ela verificou a maçaneta por impressões digitais ou sinais de calor residual, mas não encontrou nada, abrindo a porta com sua tecnologia biométrica.
*Clique*
Ela entrou calmamente no escritório, tomando o último gole de seu café, quando, de repente, um dardo atingiu o lado de seu pescoço.
*Spock*
Mu Fan se sobressaltou, os olhos arregalados enquanto uma descarga de frio percorreu suas veias.
"Quem?" ela cochichou, instintivamente puxando seu anel de armazenamento, desembainhando uma espada curta com rapidez.
Sua visão varreu a sala em arcos rápidos e frenéticos, procurando a origem do ataque, mas as sombras revelavam apenas a tranquilidade silenciosa do escritório vazio ao seu redor.
"Quem?" ela perguntou novamente, mas, aos poucos, sua visão começou a vacilar.
As linhas das paredes se dobraram e ondularam diante de seus olhos, enquanto uma dor de cabeça severa, cortante, rasgava seu crânio como garras do interior.
Ela tentou focar, mas cada movimento de cabeça aumentava a dor, a tontura puxando-a como uma correnteza, até que os joelhos começaram a tremer sob a pressão.
*CACHU*
A espada curta escapou de suas mãos, caindo no chão com um clang, enquanto sua respiração se acelerava em respirações superficiais e de pânico, seu corpo se recusando a obedecer seus comandos.
Ela ordenou a si mesma que permanecesse acordada, que seus músculos resistissem mais um pouco, lutando com todas as forças, mas a escuridão nos limites de sua visão era implacável.
Sua força se esvaía lentamente, como uma maré sufocante, seu corpo desabando sobre o chão, enquanto o mundo escurecia antes mesmo que ela pudesse ver a silhueta do homem que a havia atacado.
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Quando ela abriu os olhos novamente, encontrou-se em um cômodo pouco iluminado, com cheiro de pedra molhada e ferro, o ar pesado e estagnado, como se tivesse sido lacrado por anos.
A visão ainda estava turva, mas ela conseguia discernir as paredes de tijolos desnivelados, uma única lâmpada pendurada baixa no teto e o delicado lampejo de uma vela posta sobre uma mesa a alguns metros de distância.
'Onde estou?' ela se perguntou, tentando se mover, mas descobriu que não podia.
A cadeira na qual estava era de metal frio, e parecia que seus pulsos estavam presos com dor, puxados para trás e ligados com cordas grossas, enquanto seus tornozelos também estavam imobilizados de forma similar, impossibilitando qualquer movimento mais do que um centímetro em qualquer direção.
As cordas entranhavam-se na sua pele, ásperas e inflexíveis, enquanto uma fina corrente de metal circulava sua cintura, amarrando-a à própria cadeira, tornando impossível escapar sem ajuda externa.
'Por quê?' ela questionou, tentando fazer circular mana, mas percebeu que não podia, pois, entre as várias cordas que a prendiam, uma parecia ser de um tipo que interrompia o fluxo de mana interno.
Passaram-se segundos, e sua cabeça começou a se acalmar um pouco mais, quando ela percebeu que não estava sozinha.
À sua esquerda, sentados em silêncio, havia três figuras.
No extremo esquerdo, Viper, com seu rosto invisível atrás de uma máscara branca, contudo, Mu Fan já sabia quem ele realmente era.
Ele era Dupravel Nuna, e mesmo que os plebeus não conhecessem sua verdadeira identidade, ela sabia.
Ao lado dele estava Su Pei, que evitava seu olhar completamente, suas mãos entrelaçadas à sua frente como se o peso da situação o fizesse desejar simplesmente não estar ali.
E, no centro, na cadeira exatamente oposta à dela, estava Leo.
Seus olhos encontraram os dela instantaneamente, e, naquele único momento, ela sentiu seu sangue gelar.
Não havia traços de calor, nem o menor sinal do homem que ela uma vez acreditou que poderia orientar para se tornar um jovem de bem, apenas um silêncio congelado que a pressionava como uma força física.
Seu semblante não tinha pena, não tinha restrição, e quanto mais ela olhava nos olhos dele, mais percebia que aquilo, de alguma forma, não terminaria com ela saindo livre.
*Gotejar*
O som sutil de água pingando ao longe encheu o silêncio entre eles, cada gota ecoando como uma contagem regressiva que ela não conseguia parar.
Ela quis falar, exigir uma explicação ou fazer de conta que não sabia de nada, mas sua garganta ficou apertada, sua voz se recusando a formar palavras, como se um instinto lhe dissesse que a palavra errada poderia selar seu destino de vez.
Leo recostou-se lentamente na cadeira, sem jamais tirar o olhar dela, enquanto a luz trêmula da vela projetava sombras nítidas em seu rosto, fazendo-o parecer menos um homem e mais um carrasco aguardando o momento de emitir seu veredicto.