
Capítulo 546
Assassino Atemporal
(A floresta isolada, Leo versus Su Pei)
Dupravel sentia a aproximação de dois intrusos há bastante tempo antes deles chegarem perto do campo de batalha, porém, ao perceber que eram apenas Veyr e seu guarda-costas, ele mais uma vez fingiu que não os via.
Leo contra Su Pei era uma batalha muito interessante aos seus olhos, pois, embora na superfície parecesse uma luta comum entre dois Grandes Mestres, onde nenhum dos combatentes fazia movimentos arriscados, no fundo, a causa e o efeito por trás de cada ataque eram simplesmente maravilhosos para quem tinha conhecimento suficiente para entender.
*CLANG*
*CLANG*
*CLANG*
O ritmo da luta aumentava desde o começo até este momento, onde, finalmente, Leo foi forçado a usar ambas as mãos para bloquear os ataques com suas adagas.
"Você já está bem aquecido agora?" perguntou Su Pei, enquanto pressionava Leo com suas habilidades supremas de esgrima, que teoricamente seriam impossíveis de defender até mesmo para um Grande Mestre.
O estilo de espada 'Tigre Rujante' consistia em seis movimentos interligados, com cada um fluindo para o próximo como uma corrente contínua de lâminas.
Não era um estilo feito para dominar pelo poder bruto, mas sim para desgastar a guarda do adversário por meio de ritmo, engano e precisão.
Cada golpe funcionava tanto como uma pancada quanto como uma finta, levando o defensor a um falso senso de equilíbrio antes de puxar o tapete dele no movimento seguinte.
O primeiro golpe era simples: uma estocada diagonal para cima, visando induzir uma parry (bloqueio) alto.
O segundo passava por baixo dessa defesa, girando a lâmina na meia-volta para rasgar de baixo para cima.
O terceiro vinha horizontalmente com maior velocidade, pressionando a guarda recém-alterada.
O quarto era uma rotação apertada, fazendo a lâmina girar por cima da arma do adversário, expondo seu centro completo.
O quinto, uma investida com passo atravessado, mirando diretamente no plexo solar.
E o sexto, um corte de puxada com chicote de cima para baixo, destinado a cortar o pescoço ou a cabeça, dependendo da altura.
Qualquer Grande Mestre comum se sentiria dominado pelo quarto movimento, ficando desequilibrado e com a guarda totalmente vulnerável, permitindo que os dois golpes finais fossem aplicados como golpes letais, antes que o adversário pudesse reajustar sua postura.
E para piorar, Su Pei já evoluíra o estilo além de sua forma original.
Cada golpe carregava uma movimentação secundária, ilusões sutis sobrepostas a ataques reais, cada uma envolta em microdestros de mana que alteravam a percepção de tempo e trajeto por apenas milissegundos... justamente o suficiente para enganar até os veteranos mais experientes, que se veriam evitando sombras enquanto a lâmina verdadeira cortava suas costelas.
Era um estilo criado não apenas para vencer, mas para dominar.
Porém, Leo... não parecia nem um pouco assustado.
*CLANG*
*CLANG*
*CLANG*
*CLANG*
*ESCAPA*
*CLANG*
Ele enfrentava cada golpe de frente, não apenas com ritmo igual, mas com intenção precisa, como se soubesse o roteiro da dança antes mesmo dela começar.
Sua adaga esquerda desviou o primeiro golpe diagonalmente, girando para apanhar o segundo que vinha na ascensão.
A mão direita interceptou o terceiro, desviando-o com a lateral da lâmina, enquanto ambos os braços se moveram em uníssono para bloquear a rotação do quarto movimento com perfeição.
E, sem perder tempo, deu um passo atrás, ajustando seu corpo só o suficiente para evitar a investida do quinto golpe e usando sua adaga esquerda para redirecionar o sexto.
Seu corpo movia-se como água ao redor de pedra, fluindo na medida exata para permanecer ileso, sem exageros.
Para um espectador comum, toda essa sequência pareceria apenas um treinamento rotineiro.
Apenas dois Grandes Mestres discutindo.
Mas só Dupravel e Su Pei compreendiam o verdadeiro significado por trás da dominância de Leo.
Ambos não tinham ideia de que Leo era capaz de ver a 'Intenção de Matar'.
Nem que ele poderia enxergar a trajetória exata da lâmina do inimigo antes de Su Pei a balançar.
E, por isso, para eles, a facilidade com que Leo lutava parecia absurda para um simples Grande Mestre.
"De alguma forma, consigo acompanhar esse velho monstro porque ele restringiu sua força e velocidade ao nível de Grande Mestre, mas, mesmo com Intenção de Matar, não consigo encontrar uma única brecha no corpo dele." pensou Leo, enquanto se defendia bem dos ataques de Su Pei, mas sem perceber os pontos vermelhos de vulnerabilidade no corpo de seu adversário — que ele frequentemente via em Veyr ou Dumpy durante as sparrings.
A guarda de Su Pei era simplesmente impecável, e procurar por fraquezas só abria caminho para contra-ataques.
"Então, ok... Como não há brechas na guarda dele para explorar, preciso criar uma por minha conta — sendo criativo", concluiu Leo, recuando alguns passos e decidindo resetar o ritmo da luta.
(Enquanto isso, Veyr)
A poucos metros de distância, Veyr observava a batalha entre Leo e Su Pei se desenrolar, com uma expressão de perplexidade no rosto.
Por um lado, ele não entendia por que os dois estavam lutando.
Ou por que parecia que o comandante inimigo havia se restringido ao nível de Grande Mestre para lutar contra Leo.
No entanto, independentemente do motivo, não parecia que os dois estavam apenas conversando ou tramando algo sombrio para trair o Culto.
"Sério, Valterri? Você me fez vir até aqui só por isso?" Veyr perguntou, irritado, enquanto Valterri mantinha a cabeça baixa e a expressão neutra.
"Como você interpretaria isso, Valterri? Tenho certeza de que, se eu tivesse te enviado sozinho para espionar esse lugar, você voltaria e me diria que meu primo estava recebendo treinamento de combate do comandante inimigo."
"É isso que você acha que está acontecendo aqui?" provocou Veyr, enquanto Valterri permanecia calado, sem dizer uma palavra.
"Ele é a Lâmina das Sombras, Valterri… Agradeço sua cautela em não confiar em ninguém, mas ele é um homem em quem dá para confiar.
Se ele realmente quisesse ser Dragão, teria me derrotado e tomado o papel na Arena do Sir Lewis Hamilton."
"Mas não fez isso."
"Meu primo aqui... tenho certeza de que ele está lutando batalhas que você nem consegue entender." concluiu Veyr, observando em silêncio enquanto a luta continuava, também ficando hipnotizado pelo que agora se desvelava diante dele.