Assassino Atemporal

Capítulo 512

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, Área do Hangar, Dia da Despida)

Um dia inteiro passou num piscar de olhos para Leo e Veyr, enquanto os dois passavam quase todos os minutos acordados planejando, ajustando e ensaiando mentalmente a missão de todos os ângulos possíveis.

Logo, a hora do embarque chegou, obrigando-os a esconderem suas verdadeiras identidades ao trocarem suas roupas de limpeza, desbotadas e folgadas, que caíam pesadamente sobre suas formas reais.

Suas faces foram habilmente alteradas usando [Transfiguração], agora exibindo traçosneutros, sem graça, de operários de manutenção de meia-idade. Nem feios demais, nem distintivos demais, só o suficiente para se misturar e passar despercebidos.

Ao redor de seus pulsos, pulseiras finas e pretas pareciam comuns, mas na verdade eram itens de alto nível que suprimiam suas auras até o nível de civis comuns.

Mesmo um Transcendente Tenente experiente, ao examiná-los, não acharia nada de extraordinário, pois pareciam completamente inofensivos, dois funcionários desarmados, sem sensibilidade à mana, a caminho de limpar um vazamento ou realizar tarefas diárias de rotina.

"Carreguem, tchutchucos."

Uma voz aguda e irritada cortou o ar com dureza.

O homem que falava estava a meio caminho da rampa, vestido com um uniforme surrado da União do Tigre Branco, o tom mais focado em cumprir sua lista do que em se importar com quem estivesse embarcando.

Um tablet de dados volumoso descansava em sua mão, a ponta de seu stylus já marcando uma confirmação ao lado das identidades falsas que Leo e Veyr assumiram, sem se dar ao trabalho de conferir duas vezes.

Foi uma decisão calculada por parte do Cult. Embora tivessem pago à União do Tigre Branco para colocar dois operativos a bordo de Koral, eles nunca haviam revelado quem eram esses operativos de verdade.

Em vez disso, Leo e Veyr foram apresentados como escoteiros de nível baixo designados para uma missão básica de reconhecimento, disfarçados de funcionários de limpeza, tanto para esconder sua identidade quanto para distração.

A lógica era simples—se a União do Tigre Branco achasse que estavam transportando apenas soldados rasos descartáveis, o risco de traição seria baixo.

Mas, se descobrissem a verdade, se percebessem que estavam carregando os próprios Dragões, a tentação de vendê-los ao inimigo e cortar ligações com o Cult se tornaria irresistível demais para ignorar.

Por isso, para diminuir esses riscos desnecessários, as verdadeiras identidades de Leo e Veyr permaneceram um segredo até mesmo para a União do Tigre Branco.

Infelizmente, o oficial responsável pelo embarque não tinha acesso a essa informação e, na visão dele, Leo e Veyr eram apenas mais dois operários descartáveis—mais um par de corpos sem nome, de uniformes desbotados.

Então, ao mandar: "Carreguem, tchutchucos", marcando seus nomes no tablet sem nem olhar para eles, o olhar de Veyr se afiou instantaneamente, suas pupilas se estreitando com uma raiva quase invisível.

"O que foi que você disse...?" Veyr começou, sua intenção de matar crescendo, quando Leo prontamente entrou na frente.

Ele se estendeu atrás de Veyr, segurando a cabeça dele com força, os dedos como ferro presos, empurrando-o com força para frente, guiando-o até o topo da rampa sem dar chance de reação.

"Não." Leo murmurou em tom baixo, mais como uma ordem do que uma sugestão, enquanto Veyr subia silenciosamente, furioso por dentro.

O carregador levantou uma sobrancelha e deu uma risada sarcástica.

"Controla esse aí, hein", avisou, apontando para o tablet com um olhar ameaçador. "Se não, eu largo ele no espaço no meio do trajeto. Já fiz isso antes, e não vou pensar duas vezes."

Leo assentiu com um leve envergonhado, abaixando a cabeça como um soldado tímido demais para contestar a autoridade.

"Entendido, senhor. Ele está cansado… não dormiu bem antes de sairmos," murmurou Leo, colocando uma ponta de nervosismo na voz para parecer convincente.

O carregador não se deu ao trabalho de responder. Ele já tinha voltado para a próxima tarefa na sua lista.

E assim, os dois Dragões pisaram em uma nave com destino ao território da Facção Justa.


O espaço interno do navio era escuro e apertado, cheio de caixas destinadas ao reabastecimento mensal do Setor Doze.

Entre as mercadorias, havia uma bandeja com produtos de limpeza e uma caixa com equipamentos sanitários falsificados.

Tudo foi organizado pelo Cult para parecer compatível com os registros oficiais, até as manchas de gordura e as etiquetas de identidade apagadas. O disfarce deles era perfeito.

Quando a comporta se fechou atrás deles com um sibilo metálico, Leo encontrou um canto perto das caixas de armazenamento e se sentou, sinalizando para Veyr fazer o mesmo. Foi só quando os motores começaram a esquentar e o navio se desprendeu do cais que Leo se permitiu respirar fundo.

"Faça isso de novo," Leo sussurrou com frieza, "e você vai comprometer tudo."

Veyr não respondeu imediatamente.

Mas após uma longa pausa, assentiu uma vez, a cor vermelha em suas íris começando a diminuir novamente.

Fora da armadura reforçada, o planeta Tithia encolhia ao longe, enquanto Koral se aproximava cada vez mais.

Os dois ficaram em silêncio, o baixo zunido do navio preenchendo o espaço entre eles, enquanto aguardavam a chegada ao destino, prevista em cerca de quatro horas, passando o tempo em uma conversa tranquila.

"Sabe, meu primeiro emprego de verdade foi como faxineiro de banheiro num motel de beira de estrada," Veyr contou, rindo suavemente da lembrança. "Fiquei lá sete meses quando tinha só onze anos."

"Eu tinha acabado de fugir do orfanato na época, e ainda não tinha empezado a roubar. Então, fiz o que pude pra sobreviver…", acrescentou, a voz ficando um pouco mais sombria, enquanto Leo sorria de leve do outro lado da sala.

"Também já trabalhei na área de saneamento. Não tinha nem onze, tinha dezenove," Leo respondeu, com tom calmo, quase divertido. "Tive que limpar os tanques de resíduos de uma nave de longa distância."

"Já enfrentei bastante dificuldade, irmão. Mas nesse caso, você não está sozinho," disse ele simplesmente, enquanto Veyr piscava surpreso.

De algum modo, ao olhar para Leo, ele nunca tinha imaginado que aquele fosse o passado dele. A postura de Leo, a confiança na expressão, a ponta de dureza nas palavras… tudo fazia parecer que ele nasceu em uma posição de destaque.

"Huh. Então, você também passou apuros, hein?" Veyr comentou, com um sorriso lento nos lábios, percebendo que talvez eles realmente fossem feitos da mesma massa.

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