
Capítulo 382
Assassino Atemporal
(Nível V do porão, visão de Leo)
Assim que Leo saiu do cofre do tesouro, os guardas posicionados do lado de fora avançaram sem uma palavra, com as faces frias e inexpressivas, como se tivessem esperado exatamente aquele momento com a respiração presa.
"Parem. Deixem-nos inspecionar você!" um deles disse, enquanto o outro já começava a mover as mãos de luva, percorrendo seus braços, descendo pelas costelas, pressionando suas pernas e circulando atrás do pescoço em busca de objetos escondidos, pergaminhos ou joias.
Eles não pediram permissão.
Não precisaram.
Leo permaneceu calmo, parado, enquanto os dedos deles traçavam seu corpo como profissionais do furto ao contrário, buscando cada centímetro por qualquer coisa que pudesse ter sido contrabandeada para fora.
Verificaram sua boca. Sua garganta. Seus ouvidos. Suas solas.
E quando não encontraram nada além do colar enferrujado que balançava do seu pescoço, trocaram um olhar rápido.
"Liberado."
"Liberado."
Eles recuaram em uníssono, como se a inspeção nunca tivesse acontecido, como se ele não tivesse acabado de passar por uma das mais invasivas verificações de sua vida por um homem, apenas para sair com o que parecia ser metal inútil.
"Comece a caminhar de volta..." instruiu o de direita, enquanto eles começavam a flanquear Leo novamente, na saída do cofre.
Não falaram nenhuma palavra.
Somente o suave eco dos passos contra o piso polido acompanhou Leo, enquanto ele passava pelo controle secundário, onde outro scanner arcano iluminou o corredor com uma luz azul pálida, varrendo uma faixa horizontal de luz pelo seu corpo.
Bipou uma vez. Sem vermelho. Sem alarmes.
Leo exalou suavemente, mantendo o colar escondido sob a gola, frio contra a pele como uma moeda deixada sob a luz da lua.
Foi direcionado para uma sala com cortinas ao lado, onde sua roupa original já estava disposta, recém dobrada, pronta para ser vestida novamente.
Ele trocou de roupa rapidamente, não por estar com pressa, mas porque queria vestir roupas pesadas e privativas o quanto antes.
Quando terminou, os guardas retomaram seu acompanhamento silencioso, marcando o passo dele perfeitamente, um ao lado do outro, sem acelerar nem uma gota, até que finalmente, as portas de prata do elevador apareceram à vista.
Eles não o acompanharam para dentro.
Simplesmente pararam no limite, com as costas eretas, os olhos fixos à frente, sem saudar nem falar algo, como se sua presença, e tudo que ele pudesse ter escolhido, não tivesse mais nada a ver com eles.
"Vá–" disse o de esquerda, enquanto Leo entrava no elevador, e a porta se fechava automaticamente com um sibilo.
*Música do Elevador*
A música do elevador começou a tocar novamente, deixando Leo completamente sem pistas se o elevador estava subindo, descendo ou parados, enquanto começava a longa espera para alcançar a superfície.
12 minutos depois, Leo chegou ao lobby do térreo da Sede dos Serpentes Negras, e saiu direto da entrada, com o colar escondido sob o manto, livre como um homem de verdade.
Ninguém o deteve. Ninguém pareceu lhe dar atenção especial, e ele foi autorizado a sair da sede, como qualquer outro membro da guilda.
Ele ficou cauteloso ao procurar rastros.
Paranoico, pensando que alguém poderia saltar de trás e tentar assassiná-lo, no entanto, nada aconteceu, e ele conseguiu retornar ao seu prédio sem enfrentar ataques.
Ao chegar na porta do apartamento, Leo não entrou imediatamente.
Pelo contrário, permaneceu parado, com o corpo levemente inclinado de lado, os dedos tocando de leve a maçaneta enquanto ativava [Visão Absoluta].
Uma pulsação sutil de mana irradiou de seu corpo, passando pelas paredes do apartamento, pelo teto, pelo chão, tudo ao seu redor em um raio de trinta metros de repente se revelou em detalhes completos diante de sua mente.
Ninguém nos cantos.
Sem assinatura de mana no banheiro.
Sem sinais de calor perto da janela.
Sem aura de vida.
E sem sinais de ameaça.
Apenas silêncio.
Apenas quietude.
Ele aguardou mais três segundos, para ter certeza, com os dedos apertando a moldura da porta, antes de soltar uma respiração suave e girar a maçaneta.
*Cliq*
A porta rangeu ao se abrir enquanto ele entrava em silêncio, logo travando-a novamente com a trava e o ferrolho.
E só então… seus ombros se soltaram, levemente.
Leo caminhou até o armário fixo na parede, passando pelo espaço de estar pouco decorado, até alcançar a segunda gaveta, onde seu anel de armazenamento estava escondido sob uma pilha de roupas aleatórias.
Ele o deslizou para o dedo sem hesitar.
Alguns segundos depois, uma luz azul piscou e o colar enferrujado desapareceu, selado dentro da dobra espacial do anel, longe de olhos curiosos ou possíveis interferências.
Só após guardá-lo, permitiu-se sentar na cama, pegando o [Codex da Revelação Sete-Vezes] dentro do anel de armazenamento.
*Virou a página*
Ele o abriu, o coração ainda um pouco acelerado, ansioso por sair daquele planeta o mais rápido possível.
*Brilho*
No instante em que o pergaminho do Codex foi exposto ao ar, ele reagiu.
A tinta dourada manchou a página como luz solar derretida, torcendo e dançando enquanto as palavras se formavam lentamente na sua elegância habitual de cascata.
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>"Você testemunhou a sexta cor da revelação: Ouro."
>"Ouro não é reflexo de poder. Ouro não é medida de valor. Ouro… é um sussurro do Destino."
>"Quando a luz dourada envolve sua forma, significa que seu caminho está numa encruzilhada."
>"Ela não indica para onde esse caminho leva, apenas que ele diverge de tudo que veio antes."
>"Ver ouro é estar na beira do destino."
>"O que você decidir escolher, quem confiar, ou o caminho que percorrer... moldará não só sua vida, mas a de todos ao seu redor."
>"Ouro não oferece certezas. Oferece apenas magnitude."
>"Pois o Destino não promete fortuna. Só promete consequência."
>"Aqueles tocados pelo ouro frequentemente ascendem mais alto… ou caem ainda mais longe… do que qualquer outro."
>"Respeite essa cor com reverência como uma chama… bonita, mas capaz de queimar."
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O brilho lentamente desapareceu.
O Codex voltou a ficar em silêncio.
Porém, Leo não o fechou.
Permaneceu sentado por um longo momento, o polegar repousando na página, pensando distante.
Então, não foi sorte que ele percebeu no cofre, mas sim destino.
Destino que poderia ser bom ou ruim para ele, dependendo das circunstâncias, pois a única coisa certa quando a aura dourada aparece é que escolher um caminho ou outro pode mudar a sua vida para sempre.
Era um ponto de virada.
Uma encruzilhada.
'Então o colar... também pode me matar,' pensou Leo, a realização gelando e penetrando fundo em seu estômago.
Por um momento, ativou cautelosamente [Visão Absoluta] novamente e passou a checar seu entorno em busca de ameaças, pois, de alguma forma, seus instintos gritavam para que ele não permanecesse mais no planeta Twin Fang.
"Bom, já fiz tudo que o Cult queria que eu fizesse, é hora de dar o fora daqui—" concluiu Leo, enquanto começava rapidamente a arrumar suas malas com uma única ideia na cabeça…
De sair antes que o destino o alcançasse.