
Capítulo 407
Assassino Atemporal
(Planeta Juxta, ponto de vista de Leo)
"Senhor pai! Senhor pai!"
Leo ouviu uma voz familiar ecoar ao longe, distorcida como se estivesse passando por água, enquanto lentamente retornava à consciência, sua visão ainda turva e seu corpo se sentindo incrivelmente pesado.
"Senhor pai! Senhor pai!"
A voz do Gordinho voltou a soar, dessa vez mais alta, mais urgente e aguda, fazendo Leo finalmente despertar do estupor e reparar em seu redor imediato.
'Que porra é essa? Onde eu estou? Quem diabos me nocauteou?' Pensou, ao se encontrar em um cômodo desconhecido, que não apresentava ameaças visíveis, mas tinha um quê de inquietante por si só.
O cômodo, embora não fosse claramente perigoso, tinha uma sensação profundamente estranha, pois era completamente liso de ponta a ponta, sem nenhuma textura ou decoração.
Não havia portas, persianas, marcas nas paredes, nada que indicasse como alguém teria entrado ou saído do espaço, o que tornava a própria questão de como Dumpy e ele tinham acabado ali uma verdadeira incógnita.
A única fonte de luz natural vinha de uma pequena abertura de grade de metal no alto, perto do teto, a aproximadamente quarenta pés de altura, além da qual só havia o céu escuro da noite.
O único outro ser presente na sala, além dele, era Dumpy, que estava sentado a alguns metros, fortemente amarrado por fios de mana reforçada, sua forma bulbosa envolta em uma jaqueta grossa e repressiva que grudava em sua pele lubricada como uma prisão própria.
"O homem que fuma nos pegou, Senhor pai…" Disse Dumpy nervoso, piscando os olhos enquanto lutava contra as amarras, seu tom trêmulo de culpa e medo.
"Ele nos sequestrou e nos prendeu nesta câmara amaldiçoada e vazia. Acordei antes de você e encarei ele quando ainda estava aqui… só sentado, fumando… e zombando de nós."
Leo permaneceu em silêncio, com a mandíbula cerrada, tentando se mexer, só para perceber que não conseguia nem mover um músculo sequer.
Desde os ombros até os tornozelos, estava preso por fios de mana que apertavam tanto que não apenas limitavam seus movimentos, mas apagavam completamente sua capacidade de absorver mana do ambiente.
Apenas seus calcanhares e mandíbula tinham alguma liberdade, pois, além desses dois grupos musculares, não podia mover ou dobrar qualquer outra parte do corpo.
"O homem que fuma disse…", continuou Dumpy, "que esses fios são indestrutíveis… e que temos que achar uma maneira de sair dessa sala nas próximas 24 horas. Ou, quando ele voltar… vai nos dar 100 chicotadas cada um!"
Leo arregalou os olhos.
Depois piscou de novo.
'Que porra é essa?'
A sua mente acelerou, tentando entender a absurda situação, mas, por mais possibilidades que pensasse — infiltração, sabotagem, condicionamento de reféns ou até treinamento de fuga de prisão — nenhuma delas explicava que tipo de lunático faria algo assim só para colocar ele e seu sapo em uma sala selada, com um limite de tempo para escapar?
"Que diabos o Cult está aprontando agora?", Leo perguntou mentalmente, se perguntando se algum dos dois velhos que conheceu em planeta Tithia estava por trás dessa ideia.
"Se os velhos fizeram isso… vou partir pra cima deles quando tiver oportunidade," murmurou Leo para si mesmo, cerrando a mandíbula e tentando ativar o [Espelho do Mundo], na esperança de invocar um clone e usá-lo pelo menos para soltar as amarras. Mas, no instante em que tentou circular mana dentro do corpo, sentiu uma pressão invisível que se fechou como uma braçadeira, cancelando o fluxo antes mesmo de atingir seu núcleo.
'Então as amarras no meu corpo não só evitam que eu absorva mana do ambiente, como também bloqueiam a circulação de mana interna para lançar feitiços…', percebeu Leo, ao entender que estava sob o tratamento de prisão máxima, exatamente como os presos perigosos nas instalações mais severas do máximo segurança.
Para piorar, Dumpy, que normalmente poderia derreter pedra sólida ao esfregar sua pele tóxica contra ela, também não podia fazer nada contra suas próprias amarras, pois a jaqueta ao redor dele não servia só para conter, era revestida por um gel neutralizador de ácido que entupia seus poros e evitava que ele secreta-se qualquer ácido.
'Eles eliminaram todas as nossas formas óbvias de escapar', percebeu Leo, respirando fundo e olhando em direção à única janela do cômodo, que ficava a cerca de 40 pés de altura.
Até onde dava para ver… a única maneira de sair dessa sala era acessar a janelinha maldita e de alguma forma escapar por ela, embora isso fosse mais difícil enquanto estivesse acorrentado assim.
"Quem diabos fez isso com a gente?", murmurou Leo, em voz baixa, com o tom neutro, enquanto seus olhos varriam cada canto do cômodo.
"E, mais importante… por quê?", perguntou frustrado, sem conseguir compreender a lógica dessa operação que lhe foi imposta de surpresa.
Porque isso não era uma punição comum.
E a ameaça de ser chicoteado cem vezes se não conseguisse escapar nem parecia uma tortura particularmente cruel… só humilhante.
Claramente, era algum tipo de treinamento, não para destruí-lo, mas para moldá-lo, deixando uma única dúvida: quem tinha arquitetado tudo isso… e por quê?
'Ah, dane-se. Que importa o motivo?', pensou Leo após um momento, respirando fundo pelo nariz e dispensando a questão da cabeça.
Ele não ia ficar parado o dia inteiro só pra descobrir quem estava mexendo com ele, porque, tanto faz alguém querer que ele tente escapar ou não. Agora, que voltou a estar totalmente consciente, ele ia tentar.
Não pelos outros.
Mas por si próprio.
Porque não tinha intenção de ser prisioneiro só para divertir o Cult.
Enquanto isso, em algum lugar da base militar de Juxta, Charles pensava em como, no futuro, se Leo fosse capturado pela facção justa, esse seria exatamente o tipo de prisão em que provavelmente acabaria preso.
Porque todas as prisões de segurança máxima da facção justa tinham a mesma estrutura: celas seladas sem fendas, sem portas, e amarras repressivas que deixavam os presos sem comida ou água por até 14 dias — exatamente por isso acreditava que fosse o desafio perfeito para começar o treinamento de Leo. Se Leo fosse destinado a uma vida perigosa realizando missões na facção justa, então, segundo Charles, era fundamental que ele aprendesse a sair dos diversos sistemas prisionais dessa facção, por prepararem melhor seu futuro.
"Nada melhor do que aprender na prática… Além do mais, isso economiza um bom tempo de treinamento!"
"Tô basicamente ensinando ele, enquanto continuo cumprindo meu papel de comandante de campo," refletiu Charles, sorrindo satisfeito ao pensar na brecha que encontrou para treinar Leo e viver sua rotina normalmente ao mesmo tempo.