Assassino Atemporal

Capítulo 370

Assassino Atemporal

(Planeta Dente Gêmeo, Quartel-General da Serpente Negra, Escritório do Vice-Guildmaster Antonio)

Antonio estava sentado atrás da longa mesa de madeira do seu escritório, com as mãos entrelaçadas e os olhos semicerrados, enquanto a porta do elevador emitia um sussurro ao se abrir.

*Suspiro*

A Capitã Reema entrou com passos calmos e decisivos.

Cabelos prateados cuidadosamente trançados nas costas, roupas impecáveis e olhar afiado, como se, apesar de ter sobrevivido ao caos do Mundo Congelado no Tempo, ainda não tivesse perdido a sanidade.

*Curvar-se*

Ela fez uma reverência respeitosa diante de Antonio, com postura digna.

"À vontade", disse Antonio, indicando a cadeira em frente a ele. "Espero que não esteja tendo muitos pesadelos, Capitã."

Reema sentou-se, com a coluna ereta. "Haha, claro que tenho, vice-Guildmaster. Não é fácil retornar à vida civil depois daquele lugar... mas estou aguentando. A corrupção não me pegou tão forte."

Antonio a estudou atentamente, notando a firmeza na voz dela e a ausência de tremores nas mãos. Sem sinais visíveis de trauma—pelo menos, não na superfície.

"Convocar você aqui foi porque Leo Skyshard afirma que você e sua equipe estiveram presentes quando ele matou o Transcendente Karl Maxtern. Isso é verdade?"

Reema assentiu sem hesitar. "É verdade, senhor. Eu testemunhei tudo com meus próprios olhos."

Antonio ergueu uma sobrancelha, claramente surpreso. "Você viu com seus próprios olhos?"

"Minha unidade foi alvo de um ataque pesado", ela afirmou com firmeza. "Leo apareceu do nada. E, num instante, Karl estava morto. Assim, de repente. Um golpe limpo. Sem movimentos desperdiçados. Se ele não tivesse intervindo, eu não estaria aqui."

Antonio piscou lentamente, processando as palavras dela.

"Ele não teve ajuda externa?"

"Nenhuma que eu tenha visto", Reema confirmou. "Ele resolveu tudo sozinho."

O silêncio se instaurou entre eles enquanto Antonio continuava a avaliar sua postura, expressão inalterada.

"Você tem certeza absoluta?"

"Tão certa quanto estou aqui, senhor."

Ele fez uma pausa longa, depois inclinou-se na cadeira. "Isso é tudo, Capitã."

Reema levantou-se, deu um aceno de cabeça breve em sinal de respeito e saiu do cômodo sem dizer mais nada.

Deixado sozinho, Antonio exalou pelo nariz, o silêncio mais pesado do que antes.

"Então... a garota realmente conseguiu...", refletiu, enquanto algo nessa situação toda não fazia sentido para ele.

"A garota tem um passado limpo, mas de alguma forma não acredito na história dele."

Um garoto talentoso como ele entrando na Serpente Negra antes de sair de Rodova? E logo indo para o Mundo Congelado no Tempo, de onde não há garantia de retorno?

Não acredito na história dele. Nem no motivo dele estar aqui.

Com toda a fama, ele deveria estar aproveitando a vida ou treinando para melhorar suas habilidades.

Mas a ansiedade com que ele está se aprimorando sugere que há uma agenda oculta dele que eu desconheço"

"Além disso, o pedido dele de escolher um item na arca ao invés de levar 6,5 bilhões de MP também é estranho."

Ele pode comprar qualquer item de sua preferência por 6,5 bilhões de MP no mercado aberto, ou contratar os melhores ferreiros para fazer um sob medida, mas, de qualquer forma, ele vai entrar na Arca."

Por quê?

Por quê? Entrar na arca quando só há três itens lá que provavelmente são únicos e inestimáveis, dois dos quais seriam proibidos para ele...?

Não faz sentido.

Algo no comportamento do garoto não bate!

Antonio falava consigo mesmo, sem se sentir completamente à vontade para permitir que Leo entrasse na arca.

Por um lado, não podia negar o direito dele de entrar, pois isso prejudicaria a integridade da guilda e abalaria suas bases.

Por outro, não conseguia afastar suas suspeitas.

Com Leo desafiando abertamente o Culto do Mal, não uma, mas duas vezes, Antonio não podia vinculá-lo ao Cult, mas, de algum modo, não confiava que o menino estivesse sem segundas intenções.

"As únicas pessoas desesperadas o suficiente para entrar na arca, independentemente do preço, são os Operativos do Culto do Mal.

Eles querem a sua pergaminho de volta tão desesperadamente que fariam qualquer coisa para consegui-lo.

Mas o garoto parece não ter ligação com o Cult.

Se não são eles, então quem?

Por que alguém pediria para entrar na Arca e não pegaria o dinheiro?" refletiu Antonio, quando a porta do elevador ao seu escritório se abriu novamente com um sussurro.

*Suspiro*

Dessa vez, um homem alto entrou na sala, com expressão neutra, olhou nos olhos de Antonio antes de fazer uma reverência.

"Então, Fredrick, o que descobriu ao seguir o garoto nos últimos dias?" perguntou Antonio, enquanto o espião que monitorava Leo nos últimos dias lhe entregava seu relatório.

"O garoto é estranho. Passa a maior parte do dia andando sem rumo pelas ruas de Dente Gêmeo, olhando o que estranhos fazem, como um ancião numa caminhada matinal."

Ele não treina suas habilidades de combate físico, nem faz muita atividade física.

Ele simplesmente anda.

Visita restaurantes caros.

E dorme", afirmou Fredrick, enquanto Antonio franzia o rosto ao ouvir aquilo.

"Que tipo de campeão de Circuito não treina o corpo?" perguntou Antonio, com preocupação, achando cada vez mais suspeito o comportamento de Leo.

"O garoto é estranho, mas não está fazendo nada ilegal, nem se encontrando com alguém suspeito.

Recebeu uma encomenda hoje, mas quando pesquisei o nome, parecia ser do professor dele em Rodova. Então, faz sentido.

Não fiz uma busca detalhada sobre o quarto dele, mas, se quiser, posso invadir o apartamento dele enquanto ele estiver passeando e fazer uma busca minuciosa—" sugeriu Fredrick, ao que Antonio acenou com a cabeça e deu sinal positivo.

"Faça isso e me informe o que encontrar.

Acho que o fato dele ser um estranho solitário não é problema... ele claramente é um gênio, e todos os gênios são um pouco excêntricos e diferentes.

Mas preciso garantir que ele possa entrar na Arca antes de autorizá-lo, porque não posso arriscar convidar um lobo para dentro de um aprisco."

"Espero por você, Skyshard, que você seja tão inocente quanto parece, porque se não for, vou tirar uma satisfação enorme de economizar para a guilda 6,5 bilhões de MP do prêmio...", disse Antonio, respirando fundo enquanto olhava para fora da janela de vidro do seu escritório, onde apreciava a vista do pôr do sol sobre o horizonte da cidade.

Por um momento, enquanto o sol se escondia mais abaixo no horizonte, Antonio se questionou se estava exagerando.

Talvez Leo fosse realmente apenas um prodígio excêntrico, assombrado por algo não dito, impulsionado por motivos que não eram sinistros, mas pessoais.

Mas, na experiência de Antonio, não existe fumaça sem fogo, e o fato de seus instintos apontarem Leo como uma ameaça era suficiente para ele.

*Som de bebericada*

*Som de bebericada*

Antonio se levantou, serviu-se de uma bebida do armário perto da janela, o líquido âmbar captando os últimos raios de sol.

"Vou te dar a sua chance, garoto", murmurou para si mesmo. "Mas estarei de olho."

Porque, na Serpente Negra, confiança não era algo dado de bandeja. Era conquistada, sangrada e provada ao longo do tempo.

E a Arca da guilda não era lugar para segredos.

Se Leo tivesse alguma intenção oculta... Antonio pretendia descobrir, levar à luz—e esmagar antes que se tornasse um problema incontrolável para a guilda.

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