Assassino Atemporal

Capítulo 213

Assassino Atemporal

(Arena do Deus do Céu – Cabina de Comentários)

"Ele não faria isso, faria? Não consegue..." Derek respirou fundo, com a voz baixa e ainda incrédulo. "Quer dizer—ele está machucado, cheio de hematomas, não há como ele enfrentar um lutador descansado... Mas também não dá para negar que ele venceu Gu Ramos. E mesmo sabendo que é improvável... algo naquele garoto me faz esperar que talvez—"

Lee permaneceu em silêncio por um momento.

Seus braços cruzados sobre o peito, os olhos fixos na tela enquanto a câmera aproximava de Leo—ainda de pé, sozinho no centro da arena, suado, ensanguentado, mas silencioso. Inabalável.

"Essa é a questão do perigo de lutadores como ele," finalmente disse Lee. "Não são os mais fortes. Nem os mais experientes. Mas têm uma profundidade que não se mede, pois continuam fazendo coisas que não deveriam ser capazes... e, em algum momento, você para de apostar contra eles."

"Bem, você não pode negar que ele deu uma chance de luta ao Rodova," concordou Derek, ainda sem fôlego. "Ficou 4–4 agora. Todo o Circuito Interestelar... até a última batalha. E, de algum modo—apesar de estar perdendo por 3–1 há poucos rounds—Rodova ainda está nessa."

"Mas não se deixe enganar pelo placar," cortou Lee, com a voz mais firme. "Geneva ainda tem vantagem. Leo está exausto, e seu corpo sofreu bastante."

"Ele está sangrando do ombro e da cintura… e já gastou muita energia derrotando três oponentes de nível Mestra, acho que não tem mais muito na reserva—"

"E agora vai lutar contra Darnell Nuna," acrescentou Derek baixinho. "Um Mestre Nova, descansado, que não levantou um dedo o dia todo, e cujo recorde nos circuitos nunca conheceu derrota."

"Não há certeza de que ele vai ganhar essa," disse Lee balançando a cabeça—mas sem zombaria na voz, apenas gravidade. "Logicamente, não há caminho. Contra um Darnell ileso. Ramos já estava machucado na luta, mas Darnell? Darnell chega com tudo disponível."

Uma pausa.

E então Derek acrescentou—

"…Mas a lógica definitivamente não é o forte do Leo Skyshard, né?"

"Não," concordou Lee lentamente. "Mas milagres não duram para sempre, Derek. E ele já usou dois."

Outro silêncio pesado se instaurou antes de Derek se inclinar um pouco para frente, com a voz mais suave.

"Então, acho que a única pergunta agora é… ele tem mais um na manga?"

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A dúvida de se Leo ainda tinha mais um milagre na ponta dos dedos não era algo que os comentaristas se perguntavam sozinhos. Todas as pessoas nas arquibancadas e assistindo de casa se viam na mesma incerteza, impossibilitadas de desviar o olhar.

Durante muito tempo, a Arena do Deus do Céu foi um tempestade de domínio de Geneva—barulhenta, barulhenta, confiante.

Mas agora?

Agora, estava em silêncio.

Não porque não acreditassem em Darnell.

Mas porque tinham acabado de testemunhar o impossível acontecer.

Viram um primeiro ano ensanguentado, com punhais e disciplina, atravessar três Mestres Veteranos sem um pingo de hesitação.

E, embora a lógica gritasse que a luta final deveria ser apenas um formalidade… seus corações hesitaram em aceitar.

Na seção de Rodova, torcedores que antes estavam cabisbaixos agora se levantavam altivos—mãos na boca, punhos tremendo nas grades, olhos arregalados de esperança não dita.

Alguns tinham lágrimas nos olhos. Outros sussurravam orações.

"Vai, Leo… só mais um."

"Você consegue, garoto! Por favor, nos traga glória depois de 22 anos longos!"

"Vou comprar pessoalmente todo produto que você lançar se ganhar essa por nós. Mas por favor, fica firme—"

Todos os olhos estavam fixos em Leo, enquanto a audiência do circuito atingia seu pico absoluto de 864 bilhões de pessoas assistindo ao vivo.

Esse era um novo recorde, já que os circuitos nunca estiveram tão interessantes há um bom tempo, com as pessoas grudadas nas telas, esperando que Leo realizasse um milagre.

Até os dignitários nos camarotes VVIP estavam com o olhar aguçado—observando não só o placar, mas também o garoto que havia inclinado a barra da disputa de volta do abismo da derrota.

O garoto que não tinha o sobrenome de nenhuma das seis grandes clãs, mas que ainda assim envergonhava qualquer lutador desses clãs.

Com a curiosidade por esse homem e seu passado crescendo entre os elite.

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Por fim, eram os companheiros feridos de Leo, e os instrutores assistindo das arquibancadas, quem orava para que ele fosse bem, já que todas as esperanças e aspirações agora estavam nas mãos dele.

Yu Shen, deitado imóvel na maca da enfermaria, se recusava a tirar os olhos da tela. 'Você está aí, segurando a linha pra todos nós… e eu nem consegui passar da primeira fase. Se ganharmos isso… não será por minha causa. Será apesar de mim. Então, por favor… termine o que eu não consegui. Para que todos nós possamos erguer a cabeça—'

Su Yang levantou-se pela primeira vez desde que recobrou a consciência, ainda pálido, ainda machucado—mas com as mãos abertas e unidas na frente, com força.

'Que diabos, Skyshard? Por que você está tão cansado? Eu ainda não acordei de quase morte para te ver cair agora… Vamos! Vai fundo e arranque o couro deles… Eu sei que você consegue!'

Enzo, enrolado em bandagens e deitado de lado na bancada, soltou uma risada cansada. "Heh… olha a multidão," murmurou. "Os fãs de Geneva estão em silêncio total. Tenho certeza que eles não achavam que um palito magro com punhais pudesse abalar eles assim."

O diretor Alric, de braços cruzados acima da cabine de Rodova, observava Leo firme, com uma expressão de alegria visível no rosto. "Só mais uma vitória… e ninguém vai questionar porque coloquei minha fé em alguns garotos novos ao invés de muitos. Eu percebi no dia que ele entrou. Que ia acabar sendo entre ele… e Su Yang. E eu estava certo. No final, foram esses meninos que marcaram pontos pra Rodova—"

O instrutor Hen se inclinou para frente na seção de Rodova, apoiando uma das mãos na grade, os nós dos dedos brancos. "Todas aquelas noites que fiquei até tarde treinando você… todas as horas que passamos lutando até suas pernas não aguentarem mais—tomara que tenha sido o suficiente pra te sustentar até a última rodada."

E até o professor David, sentado silencioso à sombra do setor de professores, bebia seu chá sem demonstrar emoção. "Se você conseguir fazer isso por Rodova… talvez—apenas talvez—eu seja mais brando nas finais acadêmicas."

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"LEO!!!"

"LEO!!!"

*APLAUSOS*

*APLAUSOS*

*APLAUSOS*

"LEO!!!"

"LEO!!!"

Os torcedores de Rodova cantavam em ritmo, enquanto Leo permanecia impassível no centro da arena.

De um lado, Darnell Nuna, filho do líder do clã das Serpentes Negras, Dupravel Nuna, o adversário que ele menos queria enfrentar neste torneio.

Até agora, ele ainda não tinha decidido se lutaria de verdade contra Darnell Nuna, mas, naquele momento, entre os gritos da multidão, chegou à conclusão de que daria tudo de si contra o adversário.

Se a consequência de derrotar o filho do líder do clã das Serpentes Negras fosse ser barrado na entrada do clã… que assim fosse.

Contudo, ao ver como Su Yang e Enzo se esgotaram apenas pelo bem de Rodova, ele não pôde mais se permitir jogar fora a final, decidindo dar tudo de si na próxima luta.

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