Assassino Atemporal

Capítulo 215

Assassino Atemporal

(Arena do Deus do Céu, Final da Competição 8)

No combate final, Leo se viu na mesma posição que Ramos tinha ocupada há pouco tempo, onde ficou encurralado, exausto e sendo perseguido pelo adversário.

Exceto que, desta vez, ele não era quem pressionava com intenção letal, mas sim quem estava sendo caçado.

'Ele age como uma criança ingênua, mas seus instintos de combate são de verdade... A velocidade e os reflexos dele não são brincadeira. Mal consigo acompanhar esse corpo cansado–' Leo reconheceu, enquanto desviava por pouco de um corte que passou por cima da sua cabeça.

'Quanto mais esse luta, pior ficam minhas chances de vencer,' ele admitiu internamente, com o peito se levantando de forma irregular enquanto ajustava a pegada nas adagas, o peso da exaustão puxando seus membros.

Por causa da [Recuperação Rápida], a ferida na cintura que recebeu na batalha anterior já tinha ficado adormecida, mas não sumido—pois cada torção do tronco lembrava que ela ainda estava lá.

Sua omoplata latejava sob uma camada seca de sangue e seu campo de visão vacilava nas margens, como uma lâmpada prestes a queimar.

Ele tinha esgotado a maior parte das reservas naturais de mana do corpo e agora estava extraindo energia de suas novas células aprimoradas, porém, mesmo elas só sustentavam sua movimentação por um tempo limitado.

Ele precisava de um golpe decisivo.

Um fim para essa luta—

E rápido.

Mas atacar sem entender as habilidades do oponente—sem conhecer o alcance, o ritmo ou o tempo de reação de Darnell—seria suicídio, por isso Leo decidiu avaliar suas habilidades primeiro, antes de apostar tudo numa sequência final.

*Swish—Clang—Whoosh—!*

Ele observou, enquanto a pequena espada de Darnell cruzava o ar, seus movimentos surpreendentemente elegantes— ataques amplos dando lugar a golpes rápidos, tudo acompanhado daquele sorriso inocente e irritante estampado nos lábios dele.

"Nossa! Quase era você, né?" ele brincou no meio do golpe, como um garoto testando um brinquedo novo, mas Leo não respondeu.

Ele permaneceu concentrado e sério, calculando o arco exato dos golpes de Darnell usando [Visão Absoluta], enquanto seus olhos captavam a mínima contração dos músculos e antecipavam o próximo movimento.

*Swoosh*

Leo inclinou-se. Deslizitou. Rolou. Pivotou. Nunca deixando a lâmina de Darnell tocar sua pele, mas também sem recuar demais para resetar a postura, esforçando-se ao máximo na agilidade.

Cada esquiva era calculada—não para manter distância, mas para se aproximar de uma resposta, avaliando as habilidades de Darnell da forma mais ousada possível.

Ele percebeu os atrasos no pivô dos passos de Darnell. Seguiu quanto tempo levava para passar de um movimento de raspagem baixa para uma finta alta. Mediu o tempo necessário para recuperar-se após uma investida.

E então, veio o movimento que quase o pegou de surpresa.

Um passo inward apertado. Uma transição de baixo para cima com a intenção de induzir um pulo. Uma leve descida de ombro enganosa para vender a finta.

E um ataque real direcionado às costelas.

Era um movimento chamado [ Mordida da Serpente], um golpe composto que Leo nunca havia visto antes. Ele caiu na enganosa armadilha por um instante, percebendo o erro só após, e corrigiu sua trajetória, mas já era tarde demais para evitar o golpe. Restava-lhe uma única opção: ativar—

[Véu Celestial]

*CLANG!*

A mana irrompeu em uma cintilação de luz—transparente, radiante e impenetrável—enquanto a lâmina de Darnell colidia contra ela com força suficiente para fazer os arquibancados estremecerem.

Poeira levantou-se. A plateia praguejou.

E no meio da névoa, Leo se agachou—respirando com dificuldade, mas com olhos afiados, chegando à conclusão que estava esperando.

'Então essa é sua limitação de força. Essa é sua alcance máximo e esse é o melhor movimento que tem—'

Ele concluiu, ao finalmente reunir a informação que precisava para lançar o contra-ataque.

'Não tenho mana suficiente para fazer isso duas vezes... Então, tem que dar jeito pelo bem ou pelo mal—' Leo pensou, sabendo que não tinha muito mais à disposição—mas com esperança de que não precisasse usar tudo também.

Ao ativar [Processamento Paralelo], o mundo pareceu desacelerar—

Agora ele via tudo com mais clareza.

A ascensão e queda suaves no peito de Darnell enquanto respirava.

O movimento dos pés ao se lançar para um golpe de seguimento.

E o brilho no olhar, aguardando Leo girar para desviar.

Cada tremor dos músculos de Darnell, cada mudança de peso no calcanhar, cada centímetro de sua lateral exposta, tornaram-se evidentes para Leo, ao ativar [Mil Cortes Fantasma] e acelerar sua velocidade ao máximo.

Para a plateia, ele virou um borrão, alguém tão rápido que nem conseguiam acompanhar seus movimentos.

E para Darnell—ele virou um pesadelo, com dezenas de Leo(s) fantasma surgindo em sua direção—uns atacando do alto, outros de baixo, outros de ângulos impossíveis em sequência.

Sua mente mal conseguia processar um antes do próximo vir, e embora tenha girado para defender o primeiro ataque, que achava que vinha da direita—

ele veio mesmo foi da esquerda, com uma força tamanha que fez sua lâmina escapar de suas mãos.

*CLANK!*

A curta espada caiu ao chão.

E naquele momento, o verdadeiro Leo avançou—uma mão firme ao dobrar o pulso direito de Darnell, enquanto a outra repousava no seu pescoço, traçando uma linha de sangue.

"Chegou ao fim... eu venci—" Leo sussurrou em seus ouvidos, com a voz exausta, enquanto Darnell congelava, surpreso.

"Não pode ser! Nem percebi quando você se moveu—" Darnell falou assustado, sem conseguir entender exatamente como ou quando se encontrou naquela condição, já que Leo foi incrivelmente rápido até o fim.

"Deixe-o ir… acabou—" disse o árbitro, correndo até os dois, enquanto Leo retirava sua lâmina e sorria, e a plateia se levantava de um só brado.

Estava concluído! Leo havia vencido… de alguma forma, alcançou o impossível. Mas, justo quando o árbitro se aproximou para levantar sua mão como vencedor, algo inimaginável aconteceu.

"Vencedor—"

Começou o árbitro, estendendo a mão para a palma de Leo, quando de repente—

*Explosão—!*

O chão se abriu em uma rachadura gigantesca.

E tudo virou um caos.

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