Assassino Atemporal

Capítulo 138

Assassino Atemporal

(Academia Militar de Rodova – Campo de Combate Prático)

Nas duas semanas seguintes, Leo treinou como um verdadeiro louco, se esforçando além do que ele mesmo acreditava ser capaz, empenhando-se a ponto de alcançar o limite todos os dias.

Chegou ao ponto em que até os instrutores começaram a temer pela sanidade e saúde dele, expressando suas preocupações verbalmente, alertando Leo sobre os riscos de esgotamento e excesso de treino — mas Leo apenas se esforçava ainda mais.

Porque, no momento em que Su Yang oficialmente atingiu o grau de Grande Mestre?

Tudo mudou.

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A primeira coisa que Su Yang fez após sua evolução foi desafiar Leo para um duelo de treino.

Não por arrogância, mas porque ele realmente queria testar sua nova força contra a única pessoa que ele se comparava nesta academia, que era Leo.

Sua rivalidade vinha se formando desde o primeiro dia.

Na primeira semana, Su Yang tinha destruído Leo de forma absoluta.

Durante quase os três primeiros meses de vida na academia, ele manteve essa vantagem — seu talento nato e sua excelente formação compensando qualquer diferença toda vez que se enfrentavam.

Mas então Leo começou a encontrar seu ritmo.

Seu novo estilo de luta tomou forma, tornando-o fluido, preciso e imprevisível.

Devagar, as marés começaram a virar.

Trechos que antes terminavam com derrotas decisivas para Leo passaram a pender a seu favor.

Até recentemente, quando Su Yang mal conseguia tocá-lo, pois Leo havia se tornado rápido e imprevisível demais para ele acompanhar.

Mas agora?

Agora a dinâmica tinha mudado novamente.

Assim como Su Yang se tornou Grande Mestre primeiro, a diferença de poder voltou a favorecer seu lado.

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No instante em que o primeiro treino após a ascensão de Su Yang a Grande Mestre começou, Leo imediatamente percebeu que algo estava errado.

Ele não conseguiu identificar exatamente o quê — porque não era a presença de Su Yang, seu deslocamento ou mesmo a maneira como ele segurava sua lâmina que o desconcertava — mas, sim, seus olhos.

Aqueles olhos dourados, perturbadoramente calmos, abalaram Leo, pois apenas cruzar o olhar com eles enviava um arrepios sutil pela espinha — algo que ele não sentia desde aquele dia no refeitório de Rodova, quando cruzou olhares com Yu Shen pela primeira vez.

E hoje, os olhos de Su Yang carregavam a mesma pressão. A mesma advertência não dita. E foi isso que primeiro alarmou Leo.

A habilidade sanguínea de Su Yang, [Dominação], nunca antes havia funcionado com Leo — nem mesmo de leve.

Mas agora, enquanto aqueles olhos dourados o penetravam, Leo sentiu a força irresistível da vontade de Su Yang pressionando contra a sua.

Não de forma avassaladora, mas suficiente para deixar seu corpo tenso e seus pensamentos afiados de ansiedade.

E naquele momento, Leo reagiu com o maxilar contraído, ao perceber a realidade.

[Dominação] se tornava mais poderosa na medida em que a diferença de força entre o usuário e o oponente aumentava — e, embora já tivesse falhado em influenciar Leo antes, quando suas forças estavam equilibradas, essa balança agora tinha mudado.

Assim como Leo ficara para trás, [Dominação] finalmente tinha começado a fazer efeito.

E quando as primeiras lâminas se encontraram, Leo percebeu que não era apenas a pressão passiva que tinha mudado.

Tudo em Su Yang parecia diferente.

Seu deslocamento mais preciso, sua velocidade mais rápida, e o peso de cada movimento era simplesmente avassalador.

Em segundos, Leo se viu na defensiva, forçado a reagir, como um rato encurralado diante de um tigre faminto.

Whoosh—

A espada de Su Yang desceu num arco familiar, ativando o movimento básico [Vento Vertical] — uma técnica que Leo já tinha bloqueado dezenas de vezes antes.

Mas desta vez?

Quando Leo levantou as duas adagas para interceptar o golpe, a força do impacto enviou uma vibração forte até os ossos, deixando seus braços entorpecidos, mesmo conseguindo bloquear o golpe.

TRIM—!

Leo recuou cambaleando, piscando desconfiado.

'A técnica… é o mesmo movimento… a mesma execução… mas a força—'

Era completamente diferente.

Surpreendentemente diferente.

Porque, enquanto a técnica e quem a executava permaneciam os mesmos, o reino em que ele agora se encontrava tinha mudado.

Su Yang, agora um Grande Mestre, jogava por regras diferentes.

Todavia, tudo nele tinha evoluído — não apenas sua força, mas sua percepção, seus movimentos, sua capacidade de ler e controlar o ritmo da batalha — e isso ficava evidente a cada segundo que passava.

Havia uma antiga máxima no mundo do combate —

"Até mesmo o Grande Mestre mais fraco é mais forte que o Mestre mais forte."

Leo sempre descartou essa frase como uma exagero dramático.

Mas não podia mais fazer isso agora.

Após assistir ao mesmo Su Yang que tinha dificuldades em acertar golpes nele dominar a luta de forma tão completa que Leo nem conseguia defender-se bem.

Clang

Bloqueio

Clang—

Cada troca de golpes terminava com Leo sendo jogado para trás.

Cada tentativa de contra-atacar era prevista e interceptada.

Parecia que ele estava de volta à primeira semana na academia — indefeso, desesperado, tentando sobreviver, enquanto Su Yang permanecia imbatível acima dele.

'Ele virou tipo Major Hen now…' — pensou Leo, arfando forte enquanto escorregava pelo chão da arena, as costelas latejando após uma entrada brutal.

Su Yang não tinha se tornado invencível — mas a diferença entre eles tinha aumentado mais do que Leo imaginava.

E o pior?

Ele nem estava usando técnicas novas.

Apenas aquelas mesmas velhas — reutilizadas, recicladas, mas agora amplificadas pela força e finesse de um Grande Mestre.

E esse era o verdadeiro horror —

Pois as mesmas técnicas que Leo costumava considerar previsíveis, agora eram entregues com uma precisão tão impecável e uma pressão tão esmagadora que pareciam totalmente novas.

Isso, aparentemente, era o que realmente significava tornar-se Grande Mestre.

Quando alguém não apenas melhora todos os aspectos físicos, mentais e mágicos ao subir de nível, mas também aprimora tudo relacionado a esses aspectos, como habilidades e seus resultados.

Por exemplo, se um mago Grande Mestre e um Mestre que dominou uma [Bola de Fogo] na mesma graduação [Perfeita] disparassem ambos ao mesmo tempo,

Se o Mestre pudesse queimar uma árvore com ela, o Grande Mestre queima十.

Assim, explica-se a enorme diferença na força de saída entre os níveis.

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"Caramba… tinha esquecido o quanto é prazeroso destruir seu ego com tanta força."

Disse Su Yang, após o duelo, com a expressão claramente animada.

"Boa, Yang—" respondeu Leo, enquanto se deitava no chão, cobrindo os olhos com o braço, recordando as falhas cometidas na luta com uma expressão impassível.

"Você precisa me acompanhar, Skyshard. Não me deixe ficar muito à sua frente, ou o pessoal vai esquecer que você é meu rival!" — brincou Su Yang, em tom de brincadeira, enquanto Leo apenas resmungava em resposta.

"Mmhmm—"

De fato, Leo nunca se importou tanto com a amizade ou rivalidade quanto Su Yang. Mas também não desgostava dela.

Para ele, Su Yang era um referencial, uma motivação para buscar o melhor de si, motivo pelo qual o mantinha por perto, mas sem envolver sentimentos profundos.

Por outro lado, para Su Yang, Leo era um amigo genuíno e um irmão para toda a vida. Sentando-se ao seu lado, Yang finalmente revelou o que vinha pensando há meses.

"Sei que a turma não ri mais de nós agora — nem como faziam no começo, quando perdemos para os mais velhos," — murmurou Su Yang, com voz baixa mas afiada.

"Mas pra mim, isso ainda não basta. Nem perto. Não vou ficar satisfeito até jogar na lama a alegria de Minerva e Yu Shen, e ainda rir enquanto faço isso. Essa é a única vingança que importa."

Então ele se voltou para Leo, com um olhar feroz.

"Você e eu, Skyshard — somos nobres. Carregamos o sangue de deuses nas veias. E esses bestas de plebeus? Não valem nada. Nascidos na lama, e voltarão para ela."

"Não me importo com quanto Rodova fala em igualdade ou em orgulho por construir a academia no 'mérito' — porque sei exatamente o que acontece se deixarmos os plebeus acharem que são nossos iguais."

Sua voz caiu um pouco, carregada de veneno.

"Eles vão se tornar os próximos opressores deste universo. Igual ao David. Aquele odeia a gente — não porque sejamos maus, mas porque o lembramos do que ele jamais será."

Su Yang fez uma pausa, as mãos cerradas até ficarem brancas.

"Você consegue imaginar se o David fosse Diretor de Rodova?" — falou, com incredulidade na voz. — "Você realmente acha que ele deixaria a gente treinar assim? Que ele daria uma chance justa para a gente fazer a graduação?"

"Não. Ele iria sabotarnos em cada passo — porque é obcecado em levantar os plebeus. Nunca se importaria com nossas lutas, por mais difíceis que fossem."

"E é por isso que nunca podemos deixá-los nos olhar por cima. Porque, assim que acreditarem que somos iguais — aí começa o caos. Aí tudo desaba."

"Para mim? Os plebeus são uma ameaça maior a este universo do que o Culto do Mal jamais foi," — declarou Su Yang, com o ódio na voz, forte e direto.

Depois de uma longa respiração, voltou-se para Leo novamente.

"No final das contas, somos nós contra o universo, irmão."

Sorrindo de forma fria e decidida, seus lábios se curvaram.

"Então, se cuide, porque não vou esperar por você por muito tempo, e também porque temos que mostrar a essa academia quem realmente manda aqui."

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