
Capítulo 83
Assassino Atemporal
(Academia Militar Rodova, Refeitório – Horário Atual)
Após Yu Shen e os demais membros da equipe de circuito saírem do refeitório, um silêncio pesado pairou no ar.
Todos os olhares se voltaram para Leo e Su Yang, os dois calouros que acabaram de ser humilhados publicamente e sobrepujados — e os olhares que caíram sobre eles hoje não eram algo a que estivessem acostumados.
Eles estavam acostumados com admiração. Medo. Respeito.
Mas hoje?
Os olhares direcionados a eles não carregavam nenhuma dessas emoções.
Em vez disso, estavam cheios de pena, zombaria e satisfação com a sua derrota — exatamente os olhares que tinham sido lançados sobre o infeliz calouro Su Yang no próprio primeiro dia.
Mas agora, era a vez deles.
Leo podia sentir o peso daqueles olhares pressionando-o, seu orgulho masculino ardendo por dentro enquanto torcia para suportar o amargo gosto da impotência.
Ele enfrentou muitas coisas desde que chegou nesta academia.
Lutas. Ameaças. Insultos.
Mas nunca tinha experimentado uma impotência tão completa e absoluta.
Isso corroía seu interior, torcendo seu estômago em nós.
Porém, por mais que fosse doloroso para ele — dava para perceber que para Su Yang era ainda pior.
O rapaz orgulhoso, o caçula dourado dos calouros, sempre tão composto, sempre agindo como um rei entre os homens — agora permanecia imóvel, com a mandíbula cerrada tão forte que parecia que iria se partir.
Suas mãos tremiam, seu corpo inteiro tenso de raiva contida.
E então—
"Que se dane isso–" — Su Yang disseminou pelos dentes cerrados, a voz carregada de fúria contida.
Sem dizer mais uma palavra, ele saiu de cabeça baixa do refeitório, deixando para trás seu prato metade comido, recusando-se a olhar nos olhos de qualquer um.
*Risadinhas*
*Risadas contidas*
No momento em que ele saiu, uma onda de risadinhas abafadas se seguiu.
Primeiro, suaves.
Depois, mais altas.
As risadinhas quietas se transformaram em sussurros. Depois, em murmúrios. E, finalmente, em risos escancarados de diversão.
Era como ver uma potência desmoronar.
E enquanto Leo o seguia — ele ouviu.
As vozes sussurradas, as risadinhas quase contidas, os sorrisos de escárnio formando-se ao seu redor.
Isso queimava.
Queimava pra caramba.
Mas ele não reagiu.
Não iria reagir.
Porque, neste momento? Neste exato momento, qualquer coisa que dissesse ou fizesse só pioraria a situação.
Então, ele apenas caminhou.
Passo após passo.
Mantendo o rosto neutro, os olhos frios, os movimentos firmes — como se não tivesse ouvido, como se não ligasse.
Por dentro?
Por dentro, seu sangue fervia.
Por dentro, ele repetia aquele momento várias vezes.
O sorriso condescendente de Yu Shen.
O peso insuportável de seu poder.
A impotência. A humilhação.
E, enquanto avançava pelos corredores da academia em direção ao alojamento, uma coisa ficou muito, muito clara.
Esse sentimento?
Essa impotência intolerável, que apertava o estômago e consumia a alma?
Ele nunca quis experimentar aquilo de novo. Não importa o quê.
********
(Quarto de Leo, 22C)
Depois de chegar ao seu quarto, Leo bateu a porta com força, começando a dar voltas de um lado para o outro como um louco.
Ele não conseguia ficar parado, porque estava agitado demais para ficar sem se mexer, então andar de um lado para o outro era sua única maneira de liberar a raiva.
"Filho da puta, safado, filho da mãe!" — Leo rosnou, a voz baixa, venenosa, enquanto sua mente girava em um ciclo infinito de cenários alimentados pela ira.
No começo, tudo o que ele pensava era como machucaria Yu Shen, se tivesse o poder para isso.
Imaginava quebrar aquele sorriso de superioridade dele.
Imaginava virar o jogo no instante em que Yu Shen ousasse olhá-lo nos olhos.
Imaginava fazê-lo sentir a mesma impotência que tinha causado nele.
Mas então, os cenários mudaram—
Em vez de "e se eu tivesse o poder?",
passou a ser "e se eu o tivesse superado?".
À medida que os cenários que ele criava na cabeça ficavam cada vez mais delirantes.
Ele pensava em como deveria ter contra-atacado a humilhação.
Como deveria ter invertido a situação.
Como deveria fazer Yu Shen parecer o idiota, ao invés de ficar ali, parado como um zumbi de merda.
Mas nada disso importava.
Porque planejar esses cenários não ia mudar o que já tinha acontecido de verdade.
E só quando passara meia hora, quando sua fúria tinha baixado o suficiente para sua mente recuperar um fio de clareza, e ao olhar para sua própria imagem enlouquecida no espelho do banheiro, é que ele finalmente sentiu de verdade o peso de tudo.
Isso era inútil.
Não importava quantas vezes ele reimaginasse o cenário, porque não ia mudar nada do que realmente aconteceu.
Não.
Só iria fazer dele alguém fraco.
O que ele precisava fazer, ao invés de ficar remoendo hipóteses inúteis, era aceitar e seguir em frente.
O que precisava agora era planejar, descobrir exatamente o que era preciso para garantir que isso nunca mais acontecesse.
Porque, quer goste ou não —
Yu Shen e toda a equipe de circuito do segundo ano eram mais fortes que ele.
E isso?
Era uma verdade indiscutível.
'Freaks… São aberrações—' — Leo pensou, ao lembrar do olhar dos membros que estavam atrás de Yu Shen…
Aqueles que nem mesmo tinham agido hoje, enquanto ele se lembrava de como eles também exalavam uma força que Leo não tinha esperança de igualar facilmente.
"Eles querem me enfrentar neste domingo... Toda a academia vai estar de olho.
Essa é minha chance de reagir—
Se eu conseguir mostrar um desempenho forte lá, posso mandar um recado de que não sou alguém que se deve desafiar," refletiu Leo, começando a se preparar psicologicamente para a luta que viria.
"Tenho que treinar minhas habilidades… todas elas! Preciso voltar ao meu auge.
Tenho que ser 'O Chefe' de novo.
Se quero alguma esperança de vencer, preciso retornar ao meu auge marcial!" — comentou Leo, pegando duas adagas da sua caixa de armazenamento, e saiu correndo do alojamento direto para o campo de treinamento de combate prático.
**********
(Enquanto isso, Su Yang)
Ao contrário de Leo, que conseguiu se acalmar após alguns minutos, Su Yang não conseguiu fazer o mesmo, pois os móveis destruídos em seu quarto eram prova de sua raiva borbulhante.
"Quem ele acha que é? Aquela filha da puta de segundo ano! Eu sou um descendente de sangue da Família Su.
Um dia serei o Patriarca da Família Su.
Mas ele ousa colocar a mão em mim?" — Su Yang cuspiu, levantando a cama meio quebrada e a esmagando no chão mais uma vez.
"Sofrer uma humilhação pública assim… Eles têm que pagar um preço… Neste domingo, preciso reconquistar minha honra, ou que adianta o sangue da Família Su correndo nas minhas veias?" — murmurou Su Yang, olhando para o teto, deixando sua raiva secar as lágrimas que se formaram nos olhos, impedindo-as de cair.
"Juro que vou chegar na equipe de circuitos de Rodova… Juro que vou provar para todo mundo que riu de mim hoje que a Família Su não é para ser desrespeitada.
Talvez eu não consiga tocar Yu Shen hoje, nem em um futuro próximo.
Mas juro que vou devolver a humilhação que recebi hoje, nesta vida ou na próxima—" — disse Su Yang, e saiu correndo do quarto também.
Seu destino era o campo de treinamento de esgrima, especialmente criado para que os espadachins pudessem testar seus poderes.