Assassino Atemporal

Capítulo 64

Assassino Atemporal

Academia Militar Rodova – 2º andar, Edifício Administrativo, Sala dos Professores

Enquanto Leo caminhava em direção à sala dos professores, sua mente permanecia presa ao que acontecera após a luta com Su Yang.

Ter revelado sua perda de memória para Su Yang tinha sido uma jogada arriscada. Uma fraqueza exposta. Uma vulnerabilidade escancarada.

Mas, no final, algo positivo tinha surgido disso.

Marechal Hen lhe dera uma pista — um professor que talvez tivesse a capacidade de ajudá-lo a recuperar suas memórias perdidas, e, se realmenteFuncionasse, Leo sentia que poderia mudar tudo.

'Se eu puder recuperar minha memória sem depender daqueles que a apagaram… então poderei retomar o controle da minha vida—'

Esse pensamento, sozinho, lhe encheu de uma renovada determinação.

Com otimismo, chegou ao destino com um sorriso suave se formando por trás de seus lábios machucados.

Respirando fundo, ficou na porta da sala dos professores e, calmamente, chamou pelo nome do instrutor que lhe fora indicado.

"Instrutora Muiyan Faye."

Esperou, com os braços relaxados ao lado do corpo, tentando parecer indiferente.

Mas, no instante em que a porta se abriu e ela saiu, o ar em seus pulmões pareceu petrificar.

Ela o conhecia.

Aquele cabelo curto, pele oliva, olhos severos. Era ela quem lhe dera o tour de orientação!

Ela quem lhe entregara a segunda mensagem!

E agora ela estava ali, com a sobrancelha arqueada — como se não tivesse feito parte do grupo que lhe apagou as memórias.

Um calafrio cortou Leo. De todas as pessoas que Hen poderia ter enviado, por que tinha que ser ela?

Não era a situação que ele desejava para encontrá-la.

"Sim? Como posso ajudar hoje, estudante?" ela perguntou, com uma voz calma. Quando seus olhos perscrutadores se fixaram nele, o corpo de Leo se tensionou, e seus pés deram um passo instintivo para trás.

"Eu— isso, é que," ele gaguejou, as palavras travando-se umas nas outras, até que respirou fundo e se forçou a se estabilizar.

Ele não podia se dar ao luxo de parecer fraco.

Não agora.

Com o queixo ligeiramente levantado, encarou-a, com uma voz firme, apesar do aperto de ansiedade que se formava no peito.

"Marechal Hen me enviou para falar com a senhora, mamãe. Ele disse que você poderia ajudar com minha perda de memória." Disse, avaliando a reação dela.

"Hen? Hmmm, quanto tempo falta para sua próxima aula?" Faye perguntou, olhando para o relógio no pulso.

"Um pouco mais de uma hora, mamãe," Leo respondeu, enquanto ela acenava com a cabeça e fazia um gesto para que o seguisse.

"Venha até a minha sala, não posso garantir que consiga te ajudar, mas vou tentar—" disse Faye, começando a caminhar em direção à sua sala, com Leo logo atrás.

*********

TAP. TAP. TAP.

As botas de Faye batiam ritmadamente contra os pisos polidos.

Ao contrário de Leo, que se movia silenciosamente, sua passada era treinada, disciplinada e previsível.

Num combate, ele provavelmente a ouviria de um centímetro de distância. Mas, no momento, enquanto a seguia, o eco agudo de seus passos era o menor de seus problemas.

'Ela vai tentar me ferir quando estivermos sozinhos?'

'Ela vai realmente me ajudar a recuperar a minha memória?'

'Finalmente vou encontrar algumas das respostas que tenho buscado?'

A dúvida fervilhava dentro dele, cada passo trazendo uma nova onda de incerteza. Seu coração e mente se misturam num emaranhado de emoções.

Porém, apesar de tudo — apesar de saber que ela fazia parte do grupo que apagou suas memórias — ele de alguma forma não se sentia ameaçado na presença dela.

Seu instinto dizia que Muiyan Faye não tinha intenção de matá-lo.

Mas só o instinto não era suficiente para confiar nela.

Seus dedos roçaram a lâmina oculta presa à sua farda — a mesma que ele escondia secretamente após o treino.

Era seu recurso final. Um plano B, caso algo desse errado.

Em breve, chegaram às acomodações dos professores.

Faye parou diante da porta, pressionando a palma da mão contra o scanner biométrico.

O fecho se destravou com um clique e ela deu um passo ao lado, sinalizando que ele podia entrar primeiro.

"Obrigado," disse Leo educadamente, entrando sem hesitar.

Assim que cruzou a porta, Faye entrou logo atrás — a porta se fechando com um som alto de WOOSH.

O olhar de Leo foi para o mecanismo de trava.

Era selada a vácuo. Assim que a porta se fechou, o sistema de segurança reativou-se automaticamente, indicando que até sair da sala precisaria de verificação biométrica, ou seja… ele estaria preso ali até que Faye o liberasse.

'Meu plano de escapar se as coisas dessem errado…’ Leo pensou, embora não mostrasse a ansiedade no rosto, seu coração já tinha pulado alguns batimentos.

"Então… a Hen realmente te enviou? Ou foi só uma desculpa para me encontrar?" Faye quebrou o silêncio desconfortável, e o que surpreendeu Leo foi a mudança aparente no tom de voz dela.

Sumiu a voz suave, formal, que ela usava em público.

Agora, sua voz era mais leve — mais aguda, mais feminina.

Como se, agora que estavam a sós, ela não precisasse mais manter sua fachada disciplinada.

"Sim, foi o Marechal Hen quem me enviou, mas, na verdade, eu já vinha procurando por você desde o dia em que você me entregou a mensagem no primeiro dia, só que não consegui te encontrar," Leo admitiu, enquanto Faye assentia com a cabeça.

"Pois é, eu esperava que você me encontrasse. E, se tivesse prestado mais atenção e olhado minha etiqueta durante a orientação, talvez tivesse me localizado mais cedo," ela apontou, fazendo uma crítica sutil a Leo.

"Fico feliz que esteja calmo, sentado aqui na minha frente, pois tenho certeza que você deve estar com um milhão de perguntas na cabeça.

Porém, antes de você as fazer, deixe eu te avisar: não conseguirei responder à maioria delas agora, então não fique frustrado se eu recusar a responder a boa parte das suas dúvidas," disse Faye, suas palavras fazendo Leo apertar os punhos de raiva.

'O que ela quer dizer com que não vai responder à maioria das minhas perguntas? Quem diabos ela é? E onde estão minhas memórias?' era o que queria gritar no momento, mas, sabendo que a agressividade não levaria a nada, ele conseguiu reprimir sua fúria quase que por instinto.

"Entendo, mas, ao invés de eu fazer as perguntas, que tal você me contar o que puder, para que eu não perca nenhuma informação que seja permitida por você hoje?" Leo sugeriu, colocando a bola no campo dela, tentando se segurar com alguma paciência.

"Boa escolha. Vamos fazer assim mesmo…" Disse Faye, com um sorriso suave nos lábios, começando a pensar na melhor forma de explicar a situação em que Leo se encontrava.

Por um tempo, silêncio absoluto tomou conta do cômodo.

Então, Faye finalmente iniciou com o resumo.

"Seu nome verdadeiro é Leo Skyshard, seu planeta de origem é a Terra, e você era amplamente conhecido como o melhor assassino da Terra, e seu maior guerreiro, quando caçava sob o nome de 'OChefe'," Ela começou, seu sorriso se tornando artificial ao mencionar a última frase.

"Você foi sempre um garoto arrogante. Isso ficava claro pelo seu modo de se nomear.

Tipo assim, quem realmente chama a si mesmo de 'OChefe'? É cafona e idiota. Mas, na verdade, você tinha talento suficiente para fazer jus ao seu nome ridículo. E isso eu acho muito impressionante—" falou, claramente desviando do assunto para fazer esse comentário, embora parecesse que ela não se controlava.

"Sua perda de memória foi uma decisão sua. Ninguém te forçou a fazer isso.

Porém, você viu os méritos desse processo e decidiu segui-lo pelo bem da missão, e pela segurança da sua família," disse Faye, até que Leo arregalou os olhos, surpresa, e sua paciência finalmente quebrou, não conseguindo mais ficar em silêncio.

Comentários