Assassino Atemporal

Capítulo 62

Assassino Atemporal

Leo ficou surpreso ao ver Su Yang o seguir até fora da sala de aula.

Ele estava prestes a sair quando a turma explodiu em mais uma rodada de risadas, seguida por um silêncio abrupto—até que o grito furioso do professor ecoou novamente.

"Sai daqui!"

Dessa vez, foi Su Yang quem saiu.

Sem saber ao certo o que Su Yang tinha feito de errado, Leo olhou para ele, com a expressão confusa evidente nos olhos.

Por um breve momento, Su Yang cruzou o olhar com Leo com uma carranca, mas então, como se estivesse trocando de interruptor, seu sorriso convencido habitual voltou e ele soltou uma risada alta.

"Por que você está me olhando desse jeito, cristal do céu? Você realmente achava que era o único que ele tinha uma rixa?" perguntou Su Yang, com escolhas de palavras que deixaram Leo completamente sem entender.

"Rixa?"

"Claro que é rixa," debochou Su Yang. "Não somos os primeiros que David ensina, e a cada ano, sem falta, ele mira os alunos mais talentosos—humilhando-os diariamente só pra fazer os menos dotados acharem que o universo é justo e igualitário."

Leo estreitou os olhos enquanto Su Yang continuava, com o tom cheio de diversão.

"O irmão mais velho Du Liang já me avisou sobre o comportamento parcial dele, por isso vim preparado com uma resposta, caso ele decidisse me provocar hoje."

"E esse idiota realmente me provocou. Então, naturalmente, eu coloquei ele no lugar dele," disse Su Yang, cada vez mais sorridente.

"Então era por isso..." murmurou Leo, a compreensão começando a fazer sentido. "Por um momento, não conseguia entender por que fui expulso sem fazer nada. Mas agora vejo... ele simplesmente odeia talento."

Su Yang deu de ombros, completamente indiferente.

"Qualquer um sem talento odeia aqueles que têm, Skyshard. É assim que o universo funciona."

Os plebeus desprezam os seis grandes clãs porque só se casam entre si, mantendo as linhagens puras. Mas você sabe o que acontece com os membros do clã que se casam por amor, fora dos grandes clãs?"

Sem esperar resposta, Su Yang respondeu sua própria pergunta.

"Eles enfrentam forte estigma social. Lutam contra diferenças culturais.

Os plebeus rejeitam esses casais, incapazes de aceitar sua educação refinada, e suas vidas se tornam um ciclo interminável de brigas e arrependimentos.

Seus filhos nascem mais fracos, sem o apoio do clã, e não recebem os mesmos treinamentos ou privilégios de um herdeiro nobre.

No fim, quem casa por amor acaba abandonando o parceiro para voltar ao clã ou morrendo amargurado e desiludido."

Su Yang cruzou os braços, com a voz tom de uma sentença final.

"O mundo dos nobres e plebeus é como água e óleo, Skyshard.

Pode até estarmos na mesma academia, como óleo e água em um mesmo recipiente, mas nunca vamos se misturar.

O óleo sempre vai subir e se sobrepor à água—mas tem gente que insiste em negar essa verdade fundamental do universo."

O olhar dele se tornou mais intenso, as palavras carregando uma ponta de desafio.

"Você e eu, somos óleo. Mas, diferente de você, Skyshard, eu carrego meu sobrenome com orgulho.

Meu avô é o Deus da Família Su, e seu sangue corre nas minhas veias. Então, já me diga: não vou permitir que algum professor de segunda categoria me insultem na aula."

As palavras dele deixaram Leo pensando profundamente.

Antes daquela aula, Leo não imaginava que professores pudessem ter preconceitos contra os alunos. Mas, talvez, ele fosse ingênuo demais.

Como também sabia que haveria alguns instrutores que ficariam impressionados com o talento de Leo e Su Yang, favorecendo-os na aula.

E outros que não gostariam nada deles por esse mesmo motivo.

Existem de tudo no universo, e não é inteligente baixar a guarda com ninguém.

"Vamos lá, Skyshard, vamos até a Arena de Combate Prático.

Essa é uma boa oportunidade pra gente treinar sem ter um monte de olhares em cima —" incentivou Su Yang, enquanto Leo olhava para ele com a sobrancelha levantada.

No fundo, ele não se importava de combater com Su Yang hoje; até se sentia animado com a ideia.

Porém, sem saber como circular mana ou usar suas habilidades, ele hesitava em entrar na luta, sabendo que provavelmente não venceria.

"O quê? Você tem medo de lutar comigo?" perguntou Su Yang, percebendo a hesitação de Leo, mas Leo apenas responde balançando a cabeça.

"Não, não tenho medo. Vamos lá—" começou, quando Su Yang deu um tapinha forte nas costas dele.

"É exatamente isso que espero do meu rival. Hahaha, essa luta vai ficar na história!" disse Su Yang, enquanto ambos sorriam e corriam na direção da arena de combate prático.


Leo não era ingênuo.

Ele não deixava emoções passageiras nublarem seu julgamento, embora parecesse que tinha concordado em lutar com Su Yang de improviso, a verdade estava longe disso.

Desde o momento em que entrou na academia, Leo sabia que, cedo ou tarde, teria que enfrentar outros estudantes—muitos deles provavelmente o derrotariam em segundos.

Para evitar esse destino, primeiro precisava entender seu lugar na hierarquia da turma e avaliar sua própria força.

Após o treino matinal, Leo estava realmente interessado. Seu corpo tinha resistência notável, mesmo sem lembrar de ter treinado isso.

Apesar dessa lacuna no conhecimento, os resultados falavam por si: seu físico era muito superior ao de um humano comum.

Na manhã mesmo, correr mais de 40 quilômetros sem parar, mantendo velocidades impossíveis até para maratonistas profissionais.

Era evidente que suas capacidades físicas passavam dos limites do desempenho humano máximo.

E por isso, concordou em lutar com Su Yang, pois estava desesperado para descobrir quão forte ele realmente era.

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