
Capítulo 77
Assassino Atemporal
(Academia Militar Rodova, dormitório do Leo, 0h30)
Por volta da meia-noite e meia, Leo finalmente desistiu da meditação por hoje, após passar cinco horas e meia frustrantes, sem avançar praticamente em nada.
Sua cabeça doía, o foco estava esgotado e a paciência com todo o processo tinha se esgotado.
Então, ao invés de continuar nessa linha inútil, voltou sua atenção para algo novo — o pergaminho da habilidade Visão Absoluta.
Um desafio, sim.
Mas, esperançosamente, um que não fosse tão cansativo e chato quanto meditar.
Vrrr—
O pergaminho holográfico ativou-se, piscando para a vida na sala escura, pairando diante de seus olhos exatamente como o manual de meditação.
Mas, diferentemente do silencioso zumbido do guia de meditação, este fazia um som de sussurro mecânico baixo, parecido com um motor antigo, gasto, começando a funcionar — engasgando para ligar.
Então, a primeira série de instruções apareceu, brilhando levemente.
[Dominar a Visão Absoluta requer dominar a Percepção de Mana primeiro.]
[Até conseguir visualizar o fluxo de mana ao redor de você com os olhos fechados, não adianta tentar esse método.]
Leo exalou de repente, fechando os olhos sem hesitar.
E, imediatamente, sentiu isso.
A sutileza do mana no ar, girando em correntes invisíveis.
Não era visível, mas estava lá — uma maré invisível que ele, inconscientemente, estava atraindo para dentro do próprio corpo, como um redemoinho sugando lentamente a água ao redor.
Quando abriu os olhos de novo, o aviso desapareceu.
O texto do pergaminho já havia se atualizado, passando para a próxima fase de instrução.
[Circulae a mana pelo seu corpo, seguindo o caminho na imagem à sua frente.]
O holograma mudou, revelando um diagrama anatômico do corpo humano, traçando a rota específica de circulação de mana que ele precisava seguir.
O caminho começava perto da base do crânio, descendo pela coluna, ramificando-se pelas pernas até as pontas dos pés — e, então, retornando em um ciclo contínuo.
Ao contrário do Manual de Meditação, que exigia distribuir mana em microcaminhos delicados, essa técnica era bem mais direta.
Ela não precisava de ramificações complexas. Nenhum desvio complicado. Apenas um ciclo limpo, fluido.
Três tentativas. Foi o tempo que levou para memorizar o padrão.
Após apenas três repetições, ele já tinha gravado o processo na memória muscular, circulando a mana pelo corpo de forma suave e sem erro.
[Etapa concluída.]
[Por favor, feche novamente os olhos e circule a mana mais uma vez.]
Leo obedeceu na hora, fechando os olhos e realizando a circulação pela memória.
Não esperava nada diferente.
Porém—
No momento em que concluiu o ciclo—
seu mundo mudou.
Um mapa tridimensional de tudo ao seu redor explodiu na sua mente.
Não uma impressão borrada. Não uma sensação vaga.
Mas uma reconstrução detalhada, espacialmente precisa de toda a sala.
Conseguia sentir o contorno da cama, a leve irregularidade da mesa, a suave ondulação do ar ao tocar a pele.
O mundo ao redor tinha mudado, deixando de depender da visão e passando a depender somente da percepção.
"Caramba, caramba, caramba, caramba—caramba…."
Leo cambaleou, quase perdendo o equilíbrio.
Estava muito real. Demais. Agoniantemente intenso.
Seu cérebro lutava para processar essa enxurrada de informações, ajustando-se a uma nova maneira de perceber a realidade.
Por um instante—
ele não estava usando os olhos.
Mesmo assim, ainda via tudo.
[Parabéns, você conseguiu dominar com sucesso o primeiro estágio do (Visão Absoluta): você compreende de forma inerente o conceito por trás da imagem em 3D e possui um cérebro subconscientemente forte, capaz de interpretar as informações em tempo real.]
O pergaminho da habilidade dizia isso, enquanto Leo fazia uma careta profunda ao ler.
Ele ficou intrigado, imaginando como era possível dominar uma técnica tão difícil com tanta facilidade, porém, parecia que ele já tinha uma compreensão inata de como perceber a mana ao redor do corpo — e uma mente suficientemente robusta para compilar as informações que coletava.
[O próximo passo é aprender a fazer uma circulação dessa técnica a cada respiração que você tomar.]
O foco é na velocidade com precisão.
Instruiu o pergaminho, enquanto Leo fechava novamente os olhos, respirando fundo, tentando sincronizar um ciclo de rotação de mana ao seu ritmo de respiração.
No entanto, ao tentar fazer a mana percorrer o caminho decorado, percebeu que precisava de pelo menos 3,5 segundos para completar um ciclo.
Enquanto isso, a imagem mental criada após cada ciclo durava apenas 1 segundo.
O que significava que, se quisesse aprender a manter essa circulação continuamente, precisaria diminuir o tempo de circulação de 3,5 segundos para menos de um, e sincronizá-lo com a respiração, de modo que seu cérebro associasse essa técnica ao ato de respirar — fazendo isso automaticamente, sem precisar focar.
*Suspiro—*
Leo exalou rapidamente, fechando os olhos mais uma vez.
De novo.
Ele impulsionou a mana pelo caminho, forçando-se a acelerar, mantendo a precisão.
Desta vez, melhorou um pouco mais, levando o ciclo para 3,4 segundos, mas ainda era lento demais.
"De novo…" ele pensou, acelerando ainda mais o movimento, repetindo o percurso da circulação, ajustando seu controle e eliminando hesitações desnecessárias.
Resultado?
Conseguiu reduzir seu tempo para 3,2 segundos, uma grande melhora em relação aos 3,5, mas ainda longe do ideal.
Leo exalou, massageando a testa enquanto a fadiga mental começava a se instalar.
Um olhar rápido para o relógio mostrou que já eram 3h da manhã, restando apenas 1h30 para que os alarmes soassem e o próximo dia de aulas começasse.
"Preciso descansar. Continuar agora só vai ser contra-produtivo. Acho que amanhã volto a trabalhar nisso," pensou Leo, enquanto desligava o holograma do pergaminho e se deitava na cama suspensa.
"Ainda tenho um longo caminho a percorrer," percebeu Leo, e, ao pensar nisso, seu cérebro logo relaxou, quase instantaneamente desligando-se após o cansaço acumulado ao longo do dia.
Aprender a meditar e a desenvolver essa habilidade de percepção ao mesmo tempo foi uma grande tarefa, mas Leo tinha fé de que conseguiria acompanhar, independentemente.