
Capítulo 44
Assassino Atemporal
O corpo de Leo se tensou quando a tela piscou novamente, uma única linha ameaçadora iluminou o visor.
[Aviso: Anomalia Não Identificada Detectada.]
Seu pulso acelerou. Sua respiração desacelerou.
Uma anomalia?
Sua mente passou rapidamente por possibilidades, mas antes que pudesse processar o que aquilo significava, a máquina ganhou força novamente, com intensidade renovada. Os circuitos pulsaram de forma errática, recalibrando-se como se lutasse para classificar aquilo que acabara de descobrir.
Então—ele sentiu.
Uma atração, bem no fundo de seu núcleo. Algo oculto, enterrado muito além do alcance de sua consciência, sendo forçadamente despertado pelo teste. Suas veias arderam suavemente, seus músculos se tensaram involuntariamente, e por um instante passageiro, ele teve a sensação de que a máquina estava extraindo algo dele que ele não tinha controle.
Não era dor—era pressão. Um peso que pressionava sobre ele, enrolando-se dentro de sua própria estrutura genética, como uma força adormecida sendo desenterrada.
[Tentando Reclassificação…]
A cápsula vibrava mais alto. A mana dentro dela pulsava—
Leo cerrava a mandíbula enquanto um novo pulso de energia atravessava seu corpo, mais forte do que antes, como uma mão invisível rasgando sua própria existência, removendo as camadas de seu código genético em busca de algo inquestionável, até que parou bruscamente, e um resultado apareceu na tela à sua frente.
[Nível de Despertar Genético: NÍVEL MONARCA]
Uma breve, egelical quietude tomou conta do ambiente, enquanto Leo estudava as palavras diante de si com olhos arregalados.
Então, sem aviso—
Uma risada aguda e extasiada rompeu o silêncio.
"Hahaha!"
"Estava aqui pra ver isso! Fui eu quem realizou o teste em uma figura histórica!! Woohooo!" A assistente gritou de alegria, segurando quase sem firmeza sua prancha de dados enquanto girava nos calcanhares.
Rindo consigo mesmo, ele cambaleou para trás, balançando a cabeça em pura descrença.
"Juro… vou contar para meus netos sobre esse dia," murmurou, a voz transbordando de incredulidade empolgada. No entanto, Leo mal o acolheu, pois seu olhar permanecia fixo nas palavras brilhantes na tela, enquanto seus pensamentos se espalhavam.
Talento de nível monarca.
Um verdadeiro herdeiro de uma das seis grandes famílias poderia ter reagido a essa notícia com arrogância, deliciando-se com sua própria superioridade.
No entanto, Leo sabia, bem no fundo, que não era um dos membros das seis grandes famílias.
Por outro lado, um recruta comum ficaria radiante com a notícia, tomado pelo peso do que isso significava para seu futuro e sua família. Mas Leo também não se sentia sobrecarregado.
Ao contrário, uma mistura estranha de alívio e desconfiança se formava dentro dele, causando-lhe uma ansiedade conflitante.
O alívio foi instintivo. Mesmo sem suas memórias, mesmo sem entender toda a extensão do que aquele resultado genético significava, ele compreendia o que aquela classificação representava—poder, privilégio e proteção.
No futuro, ele não seria descartado como uma peça de reposição. Nem dentro da academia, nem fora dela.
Ele seria cuidado, teria acesso às melhores recursos e seria considerado um bem raro para qualquer instituição à qual se juntasse.
Mas a desconfiança? Essa era mais profunda.
Será que esse realmente era seu talento?
Ou seria mais uma peça no quebra-cabeça que lhe foi apresentada?
Um resultado predeterminado? Um roteiro escrito antes mesmo dele chegar à Rodova?
O aperto em suas mãos se intensificou levemente, seus dedos se flexionando enquanto ele mantinha o rosto impassível.
Ainda não sabia quem era antes de acordar naquele carrinho de transporte.
Ainda não sabia quem tinha o enviado até ali.
Mas eles sabiam.
Quem quer que tivesse apagado suas memórias—quem quer que o tivesse colocado naquela prova de entrada horrenda—deveria ter sabido.
E agora, enquanto ele permanecia ali, fixo naquelas palavras brilhantes—Despertar de Nível Monarca—uma ideia arrepiante o atingiu.
Esse resultado era algo que ele realmente conquistara? Ou era algo que alguém garantia que acontecesse?
Era mesmo seu talento? Ou era uma armação, assim como o símbolo que lhe foi dado para memorizar antes do teste psicológico?
Essas perguntas corroíam sua mente. Contudo, antes que pudesse pensar nelas mais profundamente, a assistente—ainda sorrindo como se tivesse ganhado na loteria—de repente tocou uma sequência em sua prancha de dados, enviando o relatório de avaliação diretamente às instâncias mais altas da Academia.
Uma notificação discreta apareceu no dispositivo.
[AVISO ENVIADO PARA: DIRETOR ALRIC DAINHART.]
[AVISO ENVIADO PARA: PROFESSOR DAVI.]
Leo não viu.
Não ouviu.
Não soube que, neste exato momento, duas das figuras mais poderosas da Academia Militar de Rodova estavam lendo seu nome nos seus dispositivos pessoais, processando o peso do que tinha acabado de acontecer.
Tudo o que Leo sabia era que algo não parecia certo, e que seu pod de avaliação se abria diante de seus olhos, enquanto a assistente corria em sua direção para cumprimentá-lo.
"Parabéns, Cadete, não, quero dizer, Senhor Leo, você é o nono candidato na história da Academia Militar de Rodova a ser avaliado com Talento de Nível Monarca."
"Para mim, é uma honra sem igual ter conduzido esse teste para você, Senhor—" A assistente quase tropeçou nas palavras, visivelmente se segurando para não comemorar alto.
Entretanto, seu tom subserviente só deixou Leo mais desconfortável, ao responder com a mesma humildade.
"Ué, se não for pedir muito, poderia me explicar o que significa essa avaliação de talento? Meus registros foram todos apagados antes de eu chegar aqui, então não tenho muito do conhecimento geral que vocês imaginam que eu tenha?" pediu Leo, sendo honesto sobre sua amnésia.
"Ah? Ahhh— Ohhhh!" resmungou a assistente, parecendo só então perceber o que estava acontecendo, e assentiu vigorosamente.
"De fato, senhor, não se preocupe, eu vou explicar tudo para você," disse a assistente, respirando fundo para se acalmar antes de começar sua explicação.
"Primeiro, vamos falar de habilidades. Todo indivíduo com talento para se tornar guerreiro, mesmo aqueles com potencial genético de nível Adepto, tem a capacidade de aprender e dominar habilidades. Contudo, há um limite fundamental para a quantidade de habilidades que podem ser aprendidas simultaneamente, que é de —cinco."
Sem importar sua dedicação, sem importar o quanto se esforce, um guerreiro de nível Adepto nunca conseguirá aprender e dominar mais de cinco técnicas de habilidades na vida."
Leo ouviu com atenção, sua expressão neutra, mas sua mente processava ativamente cada palavra.
"Claro," continuou o assistente, ajustando os óculos, "a classificação das habilidades que eles aprendem pode variar bastante. Um guerreiro de nível Adepto pode aprender habilidades mais fracas comparado a um guerreiro Transcendente ou de Nível Monarca, e seu domínio sobre essas habilidades sempre será fundamentalmente inferior. Além disso, existe uma restrição absoluta—não importa o quão talentosos sejam, um guerreiro de nível Adepto nunca poderá dominar habilidades além do grau Lendário ou Mestre Grandioso, pois as leis de compatibilidade genética simplesmente não permitiriam."
Leo estreitou os olhos, absorvendo as implicações. O número de habilidades que alguém podia dominar era fixo, e havia limites para o quanto uma pessoa de nível inferior podia se esforçar.
Porém, antes que o assistente pudesse continuar, Leo levantou a mão, querendo evitar sair da conversa com mais dúvidas e peças, e decidiu aproveitar a oportunidade para esclarecer suas perguntas.
"Desculpe interromper, mas você também pode me explicar em que classificação as habilidades se enquadram? Eu não conheço os nomes delas." pediu Leo, enquanto o assistente piscava surpreso e assentia rapidamente.
"Ah, claro, senhor Leo. Isso é uma parte crucial da discussão." Ele disse, tocando em sua prancha de dados, e exibindo uma projeção holográfica.
"A classificação das habilidades varia em diferentes partes do universo, já que diferentes facções e organizações usam sistemas de classificação distintos. Contudo, existem dois métodos amplamente aceitos."
Ele deslizou a tela, levantando duas colunas.
"O primeiro método segue a mesma classificação de níveis do potencial genético. Começa pelo mais baixo, com habilidades de nível Leigo, e progride assim: Mestre, Grande-Mestre, Transcendente, Monarca e Deus, no auge."
Leo analisou a lista enquanto o assistente prosseguia.
"Esse sistema é direto, fácil de compreender e é o mais utilizado em instituições militares e academias governamentais, como a nossa. No entanto, em outras regiões, sobretudo entre facções independentes e famílias marcial de elite, é usado um sistema mais detalhado."
O assistente deslizou novamente na tela, mudando para a segunda coluna.
"Esse segundo sistema possui mais classificações, dividindo as habilidades em categorias mais específicas: Comum, Rara, Bronze, Prata, Ouro, Ouro Escuro, Épico, Semi-Lendário, Lendário, Semi-Divino, Divino, e por fim, Deus no topo."
Leo estudou a lista e depois olhou de volta para o assistente. "Então, apesar dos nomes diferentes, o segundo sistema pode ser aproximadamente mapeado para o primeiro?"
"Exatamente," confirmou o assistente. "Por exemplo, habilidades de nível Ouro no segundo sistema geralmente correspondem ao nível Grande-Mestre no primeiro. Habilidades Lendárias e Semi-Divinas equivalem ao nível Transcendente, enquanto Divino equivale ao Monarca, e, claro, o nível Deus permanece no auge absoluto."
Leo assentiu, com a informação se consolidando em sua mente. Fazia sentido por que algumas organizações preferiam o sistema mais simples, enquanto outras optavam por uma classificação mais detalhada.
Satisfeito, sinalizou para o assistente continuar sua explicação.