
Capítulo 32
Assassino Atemporal
(Academia Militar de Rodova – Quartel dos Instrutores)
Clique. Clique. Clique.
O som agudo das botas polidas batendo no piso ecoou pelos corredores pouco iluminados do alojamento dos instrutores.
Uma mulher caminhava pelo corredor com passo firme e decidido, a plaquinha no peito indicando 'Tenente Muiyan Faye'.
Se Leo a visse agora, a reconheceria instantaneamente!
Ela foi a instrutora responsável pela orientação matinal e quem lhe entregou a nota. Afinal, seu cabelo curto e preto, a pele oliva e os olhos castanhos sérios eram inconfundíveis.
Ao chegar ao que parecia ser o local de sua sala particular, ela parou por um instante, lançando um olhar rápido por cima do ombro, enquanto observava o corredor em busca de ameaças, não por medo, mas por hábito.
No entanto, ao não ver nada, colocou a palma da mão contra o scanner biométrico da porta, deslizando-a suavemente para destrancá-la.
*BEEP*
Um beep suave soou, indicando que o acesso foi liberado com sucesso, seguido pelo som do descompressor, quando a pesada porta de metal deslizou para abrir sua entrada.
De todas as salas do corredor, a dela era a única equipada com um sistema de segurança tão avançado, pois ela foi a única a pagar especialmente para ter esse recurso instalado.
Ao entrar, ela fechou as travas atrás de si, acionando uma sequência rápida de toques no painel de controle, permitindo que sua postura rígida relaxasse um pouco.
Primeiro, ela tirou as botas, colocando-as cuidadosamente ao lado da entrada, depois o botão de gola do uniforme, ao desabotoá-lo enquanto se dirigia ao espelho fixo na parede.
Observando seu reflexo, ela soltou um suspiro profundo enquanto estudava sua aparência disfarçada.
No momento, ela parecia extremamente calma, composta, exatamente a instrutora disciplinada que deveria ser.
Porém, ao levantar as mãos para o cabelo, a fachada começou a desmoronar.
Seu peruca negra como carvão foi removida primeiro, revelando longos fios vermelhos que caíam de forma suave e desordenada pelas costas.
Seus dedos tocaram a máscara sintética que cobria sua pele e, com alguns movimentos ágeis, a complexa coloração oliva se desfez, revelando uma pele lisa de tom trigo sob ela.
Depois, ela piscou uma vez — tirando uma das lentes de contato que usava, enquanto seus olhos castanhos profundos desapareciam, substituídos por um cinza frio e penetrante, antes de repetir o processo no outro olho também.
A transformação estava concluída.
A mulher que a academia conhecia?
Desaparecida.
E no lugar dela, estava Mu Fan — chefe da filial do Clã Mu.
Uma mulher sem vínculos oficiais com o Culto do Mal — mas, na verdade, uma de suas mais devotas simpatizantes.
*Suspiro*
Mu Fan exalou, rolando os ombros, enquanto sua expressão passava da autoridade calculada para algo muito mais natural — algo muito mais perigoso.
Então, movendo-se rapidamente, ela caminhou até a parede mais longe do seu cômodo, onde um painel de madeira aparentemente comum estava embutido na superfície.
Com um movimento preciso do pulso, ela pressionou os dedos contra um símbolo rúnico gravado na borda.
O painel pulsou suavemente, então deslizou, revelando um compartimento escondido repleto de inscrições rúnicas intricadas.
Dentro dele, repousando em uma caixa protetora, havia um cristal de comunicação — uma pedra negra translúcida, com veias vermelhas faintamente pulsantes em sua superfície.
Mu Fan o pegou cuidadosamente, rolando a superfície fria entre os dedos, enquanto infundia uma pequena quantidade de mana nele, fazendo o cristais brilhar com vida própria.
*Estalando–*
Um ruído de estática suave apareceu na cristal, até que a comunicação fosse estabelecida, momento em que uma voz grave e masculina ecoou do outro lado.
"Nosso alvo entrou na academia?" perguntou o homem, suas palavras afiadamente objetivas, sem rodeios.
Não houve cumprimentos, nem troca de palavras cordiais, apenas negócios diretos.
"Ele entrou", respondeu Mu Fan, com voz calma e controlada.
Ela fez uma pausa, enquanto sua mente revisava tudo o que tinha observado ao longo do dia.
"Ele é cauteloso. Atua com propósito, não baixa a guarda facilmente. Observa mais do que fala e não é imprudente." Mu Fan relatou, enquanto o homem do outro lado absorvia suas impressões.
"E seu temperamento?" ele perguntou, e Mu Fan assentiu em confirmação.
"Existe, pelo menos na sua base. Ele não confia facilmente, age com cautela calculada. Não é um tolo, isso é certo." ela afirmou, enquanto uma pausa tensa se estabelecia.
"Ele tem talento para ser Dragão?" o homem perguntou, sua voz ficando ainda mais pesada. Mu Fan exalou lentamente ao ouvir a pergunta.
Para se tornar um Candidato a Dragão, o temperamento sozinho não era suficiente.
Um Candidato a Dragão precisava de mais. Precisava do talento bruto, não refinado, para dominar as técnicas do Assassino Atemporal — para se tornar um guerreiro capaz de assustar até mesmo os Deuses do universo.
"É cedo demais para dizer," ela finalmente respondeu. "Mas saberemos em breve."
*HMMM—*
Uma vibração baixa soou do outro lado, mas o homem optou por permanecer em silêncio, como se estivesse ponderando suas palavras.
"Vamos descobrir amanhã, após o teste de aptidão... Mantenha-me informado", ele disse, encerrando a ligação.
O cristal escureceu, suas veias vermelhas pulsantes desaparecendo na escuridão.
Mu Fan o abaixou lentamente, sua mão permanecendo por um momento, antes de guardá-lo de volta ao compartimento secreto.
Com um último toque, o painel deslizou, escondendo qualquer vestígio do que tinha acontecido.
Ela ficou imóvel por um instante, com olhos cinzentos indecifráveis.
Amanhã seria o dia do veredicto.
Amanhã, ela descobriria se Leo Skyshard era o Dragão que precisavam —
Ou apenas mais uma decepção.