Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 104

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A convite chegou às 18h12.

Sem urgência.

Não marcado como prioridade alta.

Nem sequer com a cor vermelha.

Apenas uma notificação discreta e limpa deslizando pela interface de Dreyden enquanto ele já estava na metade de um ciclo de circulação.

SOLICITAÇÃO DE CONSULTA PRIVADA — ACONSELHAMENTO ESTRATÉGICO

Solicitado por: Supervisão Administrativa

Participantes: Individuo

Local: Anexo da Torre — Nível 14

Horário: 20h00

Ele respirou fundo antes de abrir os olhos.

Exalação lenta.

A magia estabilizou.

Núcleo firme.

Lucas estava deitado na poltrona oposta, girando uma lâmina de treino de forma relaxada entre os dedos.

"Você acabou de pegar alguma coisa," disse Lucas sem olhar para cima.

Dreyden não respondeu imediatamente.

"Tão óbvio?"

"Você ficou imóvel," respondeu Lucas. "Não pensando. Decidindo."

Dreyden permitiu-se o mais sutil sorriso.

"Consulta," disse ele.

A mão de Lucas parou de girar no meio do movimento.

"Extração."

"Arquitetura de convite," corrigiu Dreyden.

Lucas se levantou. "Mesma coisa."

"Não," disse Dreyden calmamente. "Extraction remove você. Invitation isola você."

Lucas passou a mão pelos cabelos. "Você vai?"

"Sim."

Lucas encarou. "Tá brincando."

"Não."

"Essa é a idiotice mais absurda—"

"É terreno controlado," interrompeu Dreyden.

"É o território deles."

"Exatamente."

Lucas se ergueu. "Você disse que a extração de liderança é a terceira fase."

"É mesmo."

"E você está se voluntariando?"

Dreyden se levantou lentamente.

"Eles estão mudando de estratégia."

"Como você sabe?"

"Porque a força não conseguiu restabelecer a dominação psicológica." Ele ajeitou o casaco nos ombros. "Forçar aumenta a coesão. Consultar a fratura."

Lucas franziu a testa. "Como assim, fratura?"

"Ao separar influência de visibilidade."

Silêncio.

Lucas entendeu.

Se Dreyden entrasse sozinho na Torre, a especulação se espalharia. Medo. Boato. Incerteza.

A liderança não precisa de correntes para enfraquecer-se.

Ela precisa de dúvida.

"Então não vá," disse Lucas.

"Se eu recusar," respondeu Dreyden, "eles escalonam para remoção visível."

Lucas rangeu a mandíbula.

"Você não consegue driblar tudo."

"Não," concordou Dreyden. "Mas posso controlar o timing."

Os olhos de Lucas se aguçaram. "Você está preparando algo."

Dreyden não negou.

Em vez disso, verificou a hora novamente.

18h21.

Uma hora e trinta e nove minutos.

Suficiente.

"Onde está Raisel?" perguntou Lucas.

"Observando os painéis de rotação."

"E Maya?"

O olhar de Dreyden desceu brevemente.

"Observando a divergência."

Lucas não insistiu mais.

"Não vá sozinho," voltou a dizer Lucas, agora num tom mais tranquilo.

Dreyden cruzou o olhar com ele.

"Eu não vou estar sozinho."

Lucas bufou. "Esse quarto vai ficar absolutamente sozinho."

"Fisicamente," disse Dreyden. "Não estruturalmente."

Lucas não gostou dessa resposta.

Mas não insistiu mais.

19h52 — Anexo da Torre

O nível 14 não parecia uma área de contenção.

Parecia mais investimento.

Paredes lisas e brancas.

Corredor de vidro longo com vista para a cidade.

Iluminação suave calibrada para evitar sombras duras.

Tipo de lugar onde instituições fingem ser razoáveis.

Dois acompanhadores administrativos aguardavam fora do elevador.

Sem mangueiras de força.

Sem armas visíveis.

Profissional.

Reservado.

"Stella," cumprimentou um. "Obrigada por aceitar."

A presença marcada por cortesia.

Dreyden inclinou a cabeça. "Participação voluntária."

Sorriso do acompanhante não mudou.

"Claro."

Foi conduzido por um corredor curva até uma câmara circular.

Sem degraus.

Sem projeções.

Apenas uma mesa central.

Três cadeiras ocupadas.

O mesmo trio de antes.

Homem de cabelos grisalhos.

Mulher com tablet.

Observador mais velho.

Sem plateia.

Não era uma performance.

Era calibração.

"Por favor," o homem grisalho gesticulou.

Dreyden sentou-se.

Ele não cruzou as pernas.

Não recostou.

Não se inclinou para frente.

Postura neutra.

Confortável.

Não defensiva.

"Seu comportamento recente tem sido… instrutivo," começou o homem.

"Sobre o quê?" perguntou Dreyden de modo tranquilo.

O olhar da mulher piscou brevemente para cima.

Idioma preciso.

O homem continuou.

"Sobre padrões de influência entre sua turma."

"Então sou um estudo."

"Um caso," corrigiu.

Dreyden assentiu lentamente.

"E sua conclusão?"

Dessa vez, o observador mais velho falou.

"Você entende sistemas."

"Todos entendem," respondeu Dreyden.

"Não na profundidade estrutural," disse o observador com suavidade.

Silêncio.

O homem de cabelos grisalhos fechou as mãos.

"Você desestabiliza a previsibilidade."

"Previsibilidade não é estabilidade," afirmou Dreyden.

"Talvez não," admitiu o homem. "Mas a imprevisibilidade corrói a confiança."

"De quem?"

Mais um pequeno silêncio.

Por fim, a mulher falou de forma direta.

"Você está incentivando coesão distribuída."

"Estou incentivando cooperação funcional."

"Fora hierarquias definidas."

"Dentro das margens de capacidade."

O ambiente ficou muito silencioso.

Não estavam acostumados a serem respondidos em linguagem de sistemas.

"Acredita que o modelo do Triângulo está desatualizado," disse o homem com cuidado.

"Acredito que ele se adapta lentamente," corrigiu Dreyden.

"E você está acelerando essa adaptação."

"Sim."

Ali estava.

A confissão.

Sem ser defensivo.

Sem ser agressivo.

Apenas factual.

O observador mais velho o estudou.

"Você sabe que acelerar a estrutura implica risco de colapso."

"Sim."

"E aceita isso?"

"Não."

Uma pausa.

"Então, o que aceita?"

Dreyden não piscou.

"Transparência estrutural."

A palavra ficou no ar.

Os dedos do homem grisalho se apertaram, lentamente.

"Você associa transparência com estabilidade."

"Associo opacidade ao medo."

O tablet da mulher registrou algo discretamente.

Ninguém olhava para ele.

O homem inclinou-se um pouco para frente.

"Você se tornou um ponto focal."

"Isso não foi intencional."

"Intenção é irrelevante."

"Sim," afirmou Dreyden de modo firme. "É."

Outro silêncio.

Não estavam mais tentando intimidá-lo agora.

Estavam medindo elasticidade.

"Participar do Caminho da Integridade pode ser aperfeiçoado," disse a mulher.

"Como?"

"Maior colaboração. Oportunidades internas de consulta."

Captura sutil.

"Envolvimento no aconselhamento?" perguntou Dreyden.

"Sim."

Ali estava.

A terceira fase não era extração por força.

Era absorção.

Trazer a influência para dentro.

Transformar resistência em cooperação.

"Por que eu?" perguntou Dreyden.

"Você tem conexão," respondeu o homem.

"Com quem?"

"Com a instabilidade."

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Dreyden.

"Isso é uma classificação incorreta."

"Então corrija."

Ele encarou o olhar deles.

"Estudantes não são instáveis. São responsivos."

"À pressão," acrescentou o observador.

"Sim."

"E você remove a pressão?"

"Não," disse Dreyden. "Eu a exponho."

Isso pegou mais forte do que qualquer coisa antes.

Pois reformulou toda a fase piloto.

A exaleração do homem de cabelos grisalhos foi lenta.

"Expor enfraquece a percepção institucional."

"A força a enfraqueceu primeiro," disse Dreyden calmamente.

A mulher arregalou os olhos com isso.

"Nenhuma ação disciplinar foi tomada durante a contenção."

"A contenção requereu autorização," respondeu ele. "Autorização revelou o limiar."

Silêncio.

Ele não elevou a voz.

Essa era a parte desconcertante.

"Você está litigando," disse o homem de modo equilibrado.

"Eu estou descrevendo."

O observador bateu levemente na mesa.

"Se convidarmos formalmente você a entrar na consulta estrutural," disse, "você aceitaria?"

Absorção.

Visibilidade por dentro, ao invés de fora.

O aviso inicial de Lucas ecoou fraco na memória de Dreyden.

Você está preparando algo.

"Sim," disse Dreyden.

A stylus da mulher parou.

"Mas sob condição."

Uma sombra tênue cruzou os olhos do homem grisalho.

"Diga."

"Registros em minutos. Resumos públicos. Sem redigir seletivamente minhas contribuições."

Direto.

Sem agressividade.

Intransigente.

"Isso compromete a confidencialidade," respondeu o homem.

"Prevents narrativa distorcida."

A mulher falou com cuidado.

"Consulta é mais eficaz quando honesta."

"Transparência permite sinceridade," disse Dreyden.

A sala esfriou.

Eles sabiam que estavam na armadilha.

Se recusassem—

Ele poderia interpretar a consulta como contenção.

Se concordassem—

Surrenderiam a opacidade.

"Por que insistir nisso?" perguntou o observador.

"Porque," respondeu Dreyden baixinho, "os estudantes já acham que vocês operam de forma seletiva."

Outro silêncio.

Isso não era rebelião.

Era diagnóstico.

O olhar do homem se aguçou.

"Você assume que há uma desconfiança generalizada."

"Observo picos de correlação."

Isso fez a mulher olhar para cima rapidamente.

"Você tem acesso interno—"

"Não," interrompeu Dreyden de modo firme. "Tenho acesso ao comportamento."

A verdade.

E não toda a verdade.

O observador recostou-se um pouco.

"Você está em uma corda bamba, Stella."

"Sei disso."

"E se você cair?"

"Não caio sozinha."

Ali estava.

Não ameaça.

Não bravata.

Declaração.

O tipo de coisa que as instituições mais odiavam.

O homem de cabelos grisalhos finalmente falou com um tom menos refinado.

"Você não é a única figura influente."

"Sei disso."

"E se optarmos por uma direção diferente?"

"Então vocês aceleram a divergência."

A mandíbula da mulher se apertou discretamente.

"Você parece confiante."

"Não," disse Dreyden. "Só estou preparado."

Outra longa pausa.

Então o homem acenou uma vez com a cabeça.

"Vamos considerar seus termos."

"Ótimo," respondeu Dreyden calmamente.

Sem sorriso.

Sem triunfo.

Apenas fechamento.

A reunião terminou sem uma resolução formal.

Isso foi intencional.

A ambiguidade preservou o espaço para manobras.

20h47 — Terraço Inferior

Lucas esperava.

"Você está vivo," murmurou.

"Por enquanto," respondeu Dreyden.

Lucas analisou sua expressão.

"Eles não te detiveram."

"Não."

"Ofereceram algo."

"Sim."

Lucas exalou. "Sabia."

"Papel consultor de estrutura."

Lucas amaldiçoou baixinho.

"Você não está realmente—"

"Aceitei com condição."

Lucas gemeu. "Isso é pior."

" Talvez."

Lucas se apoiou no corrimão.

"Qual foi a condição?"

"Transparência."

Lucas piscou.

"Você está louco."

"Possivelmente."

"E eles concordaram?"

"Disseram que considerariam."

Lucas balançou a cabeça lentamente.

"Você forçou o binário."

"Sim."

"E se eles rejeitarem?"

"Consulta vira prova."

Lucas o observou em silêncio por alguns segundos.

"Você realmente acredita que a exposição vence."

"Não."

A voz de Dreyden suavizou um pouco.

"Acredito que a hesitação se espalha."

O vento passou entre os edifícios.

As luzes piscavam nas janelas dos dormitórios enquanto a noite aprofundava.

Abaixo, os estudantes se movimentavam em grupos menores agora.

As mudanças na dinâmica do seminário tinham dispersado os padrões.

Mas os frameworks continuavam circulando.

A coordenação não desaparecia.

Ela apenas reroteava.

Lucas olhou na direção da Torre.

"Você acha que vão tentar te isolar ainda mais."

"Sim."

"E sua resposta?"

"Dissolução."

Lucas soltou um suspiro lento.

"Você vai se tornar mais difícil de localizar."

"Sim."

"Intencionalmente reduzir a visibilidade."

"Sim."

"Isso contradiz transparência."

"Não," disse Dreyden. "Reduz a capacidade de ser alvo."

Lucas o examinou cuidadosamente.

"Você está equilibrando duas forças opostas."

"Sim."

"Exposição pública e opacidade pessoal."

Dreyden olhou para ele.

"Sobrevivência requer ambas."

Lucas assentiu lentamente.

Por uma vez, a estática branca atrás de seus olhos não parecia caótica.

Parecia alinhada.

E em algum lugar no setor administrativo—

O trio permanecia em silêncio deliberando.

O convite não produziu submissão.

A consulta não gerou conformidade.

A influência não se dissolveu pela proximidade.

Pelo contrário—

Ela se aprofundou.

Não mais alto.

Não maior.

Mais enraizada.

O que a tornava perigosa de uma forma que a força nunca conseguia ser.

Pois força podia ser resistida.

Influência enraizada—

Primeiro tinha que ser compreendida.

E a Supervisão começou a perceber algo sutil e inquietante:

Dreyden Stella não tentava desmontar o Triângulo.

Ele tentava forçá-lo a se revelar.

E uma vez que algo se revela—

Ele se torna passível de responsabilização.

E a responsabilização—

É mais difícil de controlar do que a rebelião.

Comentários