
Capítulo 89
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O Triângulo não parecia mais uma escola.
Nem depois de aprender como o mundo acabou.
Nem depois de descobrir que havia um fim.
Sentia-se como uma máquina—fria, eficiente e voraz—destinada a transformar as pessoas em "resultados".
E hoje, a máquina estava sorrindo.
Porque hoje era o exame mensal do calabouço.
O dia em que o Triângulo fingia que estava medindo o progresso.
O dia em que secretamente avaliava quais estudantes valiam a pena manter.
Estava no salão de preparação com a Turma A1, socos americanos escondidos na cintura, colarinho da uniforme rígido contra minha garganta.
Acima de nós, telas enormes piscavam com o nome do calabouço:
[Porta: Pomar Oco — Rank: C+]
Uma porta de nível baixo.
Supostamente segura.
Supostamente controlada.
Supostamente nada como aquela que mais tarde destruiria tudo.
Já não confiava na palavra "supostamente".
Nem depois de Maya.
Nem depois das memórias da Wendy.
Nem após perceber que o enredo não se importava se você implorasse.
Ele só se importava se você sobrevivesse.
"Dreyden."
Virei-me.
Maya estava ao meu lado, capuz puxado, cabelo vermelho escondido como se estivesse tentando disfarçar do mundo. Seus olhos estavam mais calmos do que costumavam—mas aquele calma tinha mudado.
Não era o calma tímida de alguém tentando passar despercebido.
Era a calma de alguém que já viu sua própria morte em alta definição.
Ela segurava a identidade estudantil numa mão.
Na outra… não segurava nada.
E ainda assim, consegui sentir o peso de sua energia metafísica repousando atrás de suas costelas como uma segunda pulsação.
"Você estáDivagando," ela sussurrou.
"Pensando," corri atrás.
"Isso é divagar."
Sorri levemente. "Começa a parecer comigo."
Ela estreitou os olhos. "Não diga isso como se fosse uma ofensa."
Não respondi.
Porque não era a ofensa que me incomodava.
Era a verdade que ela escondia.
Maya tinha mudado. Não apenas por causa do poder.
Por causa da perspectiva.
As memórias da Wendy não só davam spoilers—-elas lhe davam instintos.
O tipo de intuição que leitores desenvolvem quando assistiram a uma história punir personagens por serem ingênuos.
O tipo que faz você desconfiar de cada evento "seguro".
O tipo que faz olhar para um calabouço e pensar:
Qual parte vai nos matar?
Uma caixa de som chiou.
"Turma A1. Vocês entrarão em esquadrões de cinco. Seu desempenho determinará a alocação de méritos e a estabilidade da classificação."
Estabilidade da classificação.
Lingua do Triângulo para:
"Se nos envergonhar, vocês caem."
Olhei para a turma.
Lucas estava calmo, como sempre.
Raisel estava com o arco preso às costas, rosto impassível, o vento brincando ao redor dos tornozelos em pequenas pulsações inquietas.
Dhara e Riven estavam… próximos. Não do jeito antigo. Não como irmãos.
Algo diferente.
Jayden estava com seu grupo—rindo. Rindo.
Isso ainda fazia minha pele formigar.
Porque aquilo não era o Jayden que Wendy lembrava.
E quando vilões agem de forma fora do personagem, é sinal de que a linha do tempo já está podre.
A voz do Sr. Lean ecoou no hall.
"As equipes estão postadas."
Uma tela descendeu.
Nomezões apareceram relâmpago.
Passei rápido pelo lista—
Equipe 3: Lucas Væresberg / Raisel Silvius / Arlo Stanford / Dreyden Stella / Maya Serenity
Meu maxilar se apertou.
Claro.
O Triângulo sempre fazia isso quando queria observar um incêndio.
Juntar anomalias para ver qual explode primeiro.
Maya se aproximou, sussurrando baixinho. "Eles querem nos observar."
"Que o façam," eu respondi.
Olhos dela se voltaram para os meus. "Você fala como se eles não pudessem nos machucar."
"Podem."
Mantive o tom neutro.
"Mas eles não podem prever a gente."
Ela não sorriu.
Apenas assentiu uma vez, como se aquela fosse a única oração em que confiava.
A sala da porta estava mais fria do que deveria.
Não fisicamente.
Emocionalmente.
Aquele frio estéril do Triângulo—aquela sensação que te fazia parecer que entrava em um experimento de laboratórios.
Um portal circular gigante de luz verde pálida pairava ao centro, cercado por pilares de metal e equipamentos de monitoramento.
Instrutores estavam espalhados como árbitros.
Eles não estavam aqui para nos proteger.
Eram para registrar.
"Lembre-se," um instrutor falou firme. "Podem recuar se estiverem sobrecarregados. Mas recuar conta como fracasso."
Fracasso significa rebaixamento.
Rebaixamento é morte.
Todo mundo entendeu.
Lucas foi o primeiro a avançar.
Raisel o seguiu.
Arlo deu um sorriso como se tentasse fingir que aquilo era divertido.
"Cara, isso aqui é um esquadrão de filme."
"Sim," eu murmurei. "Um filme de terror."
Maya tocou na minha manga.
Não para me segurar.
Para se firmar.
Então, passamos pelo portal.
O mundo se ajustou como uma câmera focando.
Saímos para uma floresta.
Mas chamá-la de floresta parecia errado.
As árvores eram muito pálidas. A casca parecia osso. Os galhos pendiam pesados, carregados de frutos que não pareciam frutos.
Pareciam olhos—redondos, brilhantes, reflexivos.
Então, Pomar Oco.
O ar tinha cheiro doce, de maçãs podres embebidas em perfume.
Eu odiei isso imediatamente.
Arlo fez um careta. "Por que dá a impressão que alguém tentou esconder um cadáver com perfume?"
Raisel não reagiu. Ela puxou o arco, olhos atentos.
O olho vermelho do Lucas se moveu levemente, focando em algo só ele podia ver.
Pontinhos de sorte.
Ele estava interpretando o ambiente como um mapa.
E eu o interpretava como uma ameaça.
"Formação," disse Lucas calmamente.
Nos movemos sem discutir.
Até Maya.
Até eu.
Porque esse não era momento de orgulho.
Era hora de sobreviver.
Fomos mais fundo.
As "frutas-olho" nos seguiram.
Sem se mover.
Apenas… refletindo.
Observando.
Quanto mais fundo íamos, mais a floresta parecia um ser vivo que prendia a respiração.
Então—
Um estalo.
Arlo parou congelado.
"Não pus nada no chão."
Eu baixei lentamente o olhar.
O chão não era terra.
Era… conchas.
Conchas pequenas e frágeis.
Como carapaças de inseto.
E debaixo delas—
uma costura.
Uma linha na terra.
Um círculo perfeito.
Raisel sussurrou, "Isso não é natural."
Meu coração afundou.
Porque eu lembrava disso.
Não do romance.
Das anotações da Wendy.
De um fio de comentário que ela nunca esqueceu.
"O portão do pomar C+ era estranho. Tinha a sensação de que o calabouço… era camadas."
Camadas.
Como uma porta de armário velha.
Como uma boca.
"Maya," sussurei baixinho.
Ela olhou para mim.
As pupilas dela se apertaram um pouco.
Ela sentiu também.
Algo no ar.
Algo que não tinha lugar em um calabouço C+.
"Não," ela gesticulou com os lábios, tentando impedir.
Mas era tarde.
O chão desapareceu.
Não houve explosão de aviso.
Nem rachaduras dramáticas.
Apenas—sumiu.
A terra sob nossos pés desapareceu.
A gravidade puxou meu estômago.
Arlo gritou.
Raisel se contorceu no ar como uma folha levada pelo vento.
Lucas não gritou. Não se debateu.
Ele se ajustou.
Como se já tivesse previsto isso.
Isso me deixou com a garganta seca.
Girei tentando pegar a Maya—
Ela foi mais rápida.
Sua mão firme ao redor do meu pulso como uma braçada.
A energia metafísica brilhou ao seu redor, estabilizando nossa queda por meia segundo—
O suficiente.
O suficiente para ajustarmos o ângulo.
O suficiente para aterrissarmos sem quebrar os ossos.
Caímos numa ribanceira de pedra molhada e deslizamos com força.
Bati no chão, rolei uma vez e parei.
Minha mão queimava onde tentei amortecer o impacto.
Arlo caiu com um grunhido, vivo.
Raisel amorteceu com o vento, pisando suavemente.
Lucas aterrissou como se a gravidade lhe devesse um pedido de desculpas.
Maya caiu por último.
Respirando fundo.
Olhos arregalados.
Então—
A luz da "floresta" acima se fechou como uma pálpebra se fechando.
A escuridão engoliu tudo.
Uma tênue luz vermelha piscou nas paredes—
Não cristais.
Não tochas.
Veias.
As paredes da caverna pareciam carne viva.
A voz de Arlo tremeu. "Que… que calabouço é esse?"
Lucas olhou fixo para frente.
Raisel levantou o arco.
Maya se aproximou de mim sem pensar.
Não por dependência.
Por instinto.
Ela sussurrou, "Ainda não era pra acontecer assim."
Aquela frase me deu calafrios.
Porque significava que a memória da Wendy tinha um "deveria".
E o calabouço simplesmente riu disso.
Então ouvimos.
Um som como dentes molhados arranhando pedra.
Um rastejar lento, paciente.
Algo vinha.
Ativei os Olhos da Verdade.
O mundo brilhou em linhas de fluxo.
Padrões de energia se grudavam no ar.
E lá na frente—lá no fundo do túnel—algo enorme exalou.
A energia mágica dele não era C+.
Era…
Errada.
Difícil.
Predatória.
Como uma criatura que comia melhor do que devia.
A voz de Raisel saiu baixa. "Aquela energia…"
Lucas apertou ainda mais a espada.
Até ele parecia sério agora.
Arlo engoliu em seco. "Galera… me diga que estou imaginando isso."
A energia metafísica da Maya tremia.
Uma lâmina começou a se formar na ponta dos dedos dela, tremendo levemente—não de medo.
De pressão.
Como se o próprio calabouço estivesse empurrando contra sua existência.
Eu avancei.
Não queria.
Mas se eu não fosse, alguém mais tentaria.
E eu não confiava em mais ninguém para dar a primeira olhada.
O túnel se abriu numa câmara.
E meu estômago caiu.
Uma criatura enorme estava enrolada no centro.
Parecia uma centopéia feita de casca negra e osso.
Seu corpo envolto por vinhas pálidas—como se as raízes do pomar acima fossem lá embaixo também.
Mas a pior parte era sua cabeça.
Ela não tinha olhos.
Era uma máscara.
Dezenas de máscaras fundidas em seu rosto—máscaras humanas, elfas, animais—cada uma congelada numa expressão diferente.
Chorando.
Rindo.
Gritando.
Sorrindo.
Um álbum de pesadelos.
Uma tela piscou na minha visão.
Não o sistema.
Nem meu status.
O calabouço.
[Chefão: Devora-Pomar — ???]
Pontos de interrogação.
Isso não era para acontecer em um exame estudantil.
Significava—
ameaça não identificada.
não registrada.
não controlada.
E o Triângulo mesmo assim nos enviou.
Lucas suspirou lentamente. "Então é por isso que a sorte virou branca."
Meus olhos se fixaram nele.
Ele falou de forma tão casual.
Como se já tivesse aceitado.
Como se vivesse com a sorte branca há mais tempo do que admitia.
Maya sussurrou, quase inaudível. "Não é só com você."
Seu olhar se virou para cima.
Por um instante, os olhos dela ficaram desfocáveis.
Como se estivesse vendo fios de novo.
Depois ela se arrepiou.
"Eu vi," ela sussurrou. "Um fio branco…"
Meu sangue gelou.
Um fio branco.
Do mesmo tipo que ela viu antes de desmaiar.
O mesmo que não devia estar no seu domínio.
O chefe levantou a cabeça.
As máscaras voltaram-se para nós.
De repente.
E as vozes vieram.
Não da boca dele.
De todos os lados.
Um coro de sussurros—centenas deles—sobrepostos, entrelaçados, íntimos.
Como se o calabouço nos conhecesse.
Como se tivesse nos lido.
"Dreyden Stella."
Minha coluna durou rígida.
Aquilo não era possível.
Não respondi.
Nem me mexi.
Mas a criatura falou novamente.
"Maya Serenity."
O ar dela ficou tenso.
Depois—
"Lucas Væresberg."
O olhar de Lucas finalmente se quebrou.
Pouco, mas percebi.
Ele estreitou os olhos, perigoso.
O calabouço conhecia nomes.
Isso significava que não era uma porta comum.
Nem um monstro comum.
Era algo consciente.
Algo narrativo.
Algo que nos tratava como personagens.
E eu senti isso bem fundo, na minha barriga—como um aviso gravado em instincto.
Não era um acidente.
Era um teste.
Não do Triângulo.
De alguma outra coisa.
O Devora-Pomar se desenovelou.
As máscaras gritarem.
Raisel atirou.
Uma flecha envolta em vento cortou o ar—
E o monstro a pegou com uma vinha como se fosse uma mão.
Achacou.
Como se fosse nada.
A voz de Arlo quebrou. "Isso não é C+!"
Lucas avançou, a espada brilhando fracamente.
Energia mágica envolvia a lâmina.
Não de forma óbvia.
Mas eu percebi.
E Maya também.
Seus olhos olharam para a arma dele.
Depois voltaram para o monstro.
Depois de volta para mim.
Uma mensagem silenciosa passou entre nós:
Isso está acontecendo mais cedo.
Gene me apertei as mãos com socos americanos.
Línguas de chamas azuis rastejaram por eles.
Punches Flamejantes.
Mas meu corpo não tinha vontade de lutar.
Parecia que o mundo tinha se ajoelhado bem perto do meu ouvido e sussurrado:
Capítulos premium começam agora.
Parei um passo à frente.
E sorri.
Não por confiança.
Porque o medo é um luxo.
"Tudo bem," murmurei.
"Se você quer reescrever a história…"
Levantei os punhos.
"Então venha tentar."
O Devora-Pomar avançou.
O cômodo tremeu.
E o exame finalmente virou aquilo que sempre foi por trás das mentiras do Triângulo:
Um matadouro.