
Capítulo 73
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O oversight escolheu o aluno errado.
Não porque a lógica dele fosse falha.
Mas porque o modelo estava defasado.
Agiram às 8h, quando o Triângulo estava mais receptivo—rotinas matinais ativas, níveis de cafeína elevados, estudantes seguindo o hábito, sem reflexão. Avisos de redistribuição foram enviados silenciosamente, marcados como otimização temporária.
Uma pessoa.
Um nome.
Sem anúncio.
Sem justificativa.
Esperavam que desaparecesse no ruído.
Mas não desapareceu.
O estudante chamava-se Eris Calder.
Turma B. Classificação 41. Variante de suporte ao vento, saída de espectro médio, sem família notável. O tipo de estudante que o oversight adorava transferir porque ninguém nunca defendia.
Eris recusou a designação.
Não de forma ruidosa.
Nem ideológica.
Simplesmente deixou o tempo de resposta expirar.
Esse foi seu crime.
A notificação chegou enquanto ela treinava, com as palmas das mãos apoiadas na borda de uma estrutura de estabilização. A interface piscou uma vez, depois se transformou em uma diretriz clara:
AVISO DE REDISTRIBUIÇÃO
VÁLIDO IMEDIATAMENTE
PRIORIDADE: NECESSIDADE INSTITUCIONAL
Seu lugar em três rotações avançadas—desapareceu.
Seu mentor—substituído.
Seu acesso—rebaixado.
Nada dramático.
Apenas uma subtração.
Eris ficou ali mais tempo do que o necessário, relendo o aviso, depois mais uma vez, como se a clareza fosse se manifestar se ela olhasse forte o suficiente.
Alguns estudantes próximos perceberam sua imobilidade.
Ninguém falou.
Ainda.
Ela não chorou.
Não gritou.
Não se apressou em aceitar ou rejeitar.
Fechou a janela.
Terminou sua série.
Empacotou seus pertences.
E saiu andando.
Isso deveria ter sido o fim.
Não foi.
Dreyden sentiu a mudança antes de ouvir o nome dela.
O ar do salão de treino mudou—não a densidade, nem magia, mas a atenção. A forma como as pessoas pausavam entre as repetições. Como as conversas ficavam embaraçadas.
Lucas chegou atrasado, com os olhos estreitos.
"Eles redistribuíram alguém," disse.
"Sim," respondeu Dreyden.
"Não você."
"Não."
Lucas hesitou. "Nem eu."
"Não."
Eles ainda não precisavam dizer o nome dela.
O sistema já tinha feito isso.
Até o meio-dia, o rumor se espalhou—não pelo bate-papo, mas pela ausência. Eris não apareceu na sua rotina habitual. Sua vaga ficou vazia. Sua substituta chegou atrasada, com olhar incerto, olhos que fugiam como se tivessem pisado em um espaço que lembrava alguém.
As pessoas perceberam.
As pessoas sempre percebem a subtração mais rápido que a adição.
À tarde, mais duas estudantes recusaram os prompts de designação.
Não publicamente.
De forma privada.
Recusas silenciosas.
O oversight viu os números subir um pouco.
Voo insignificante para justificar pânico.
Grande demais para ignorar.
Foi assim que os limites foram quebrados.
Eris não compareceu a Dreyden.
Ela não foi até Lucas.
Ela foi para onde as pessoas vão quando não querem parecer estar tomando uma decisão.
A escadaria auxiliar perto do ala leste.
Dreyden a encontrou lá de qualquer forma.
Não porque a seguiu.
Mas porque a proximidade virou força de gravidade.
Ela estava sentada nos degraus, mãos frouxamente entrelaçadas, olhar distraído. Não parecia angustiada.
Pensando.
Ele parou a uma distância respeitosa.
"Te mudaram," ele disse.
Eris não olhou para cima. "Sim."
"Sem explicação," acrescentou.
"Não."
Silêncio se instaurou.
Até ela perguntar, em voz baixa: "Foi por sua causa?"
Dreyden não apressou a resposta.
"Não," ele disse finalmente. "Foi por causa deles."
Ela assentiu uma vez. "Faz sentido."
Ela respirou fundo. "Nem sequer tentaram fingir que era pelo meu benefício."
"Fingir dá trabalho," respondeu Dreyden. "Eles acham que não precisam mais."
Isso finalmente a fez olhar para cima.
Sem medo.
Com raiva.
"Acham que vamos ficar calados."
"Sim."
Seu maxilar se tensionou. "Acham que vamos internalizar."
"Sim."
Ela se levantou, ombros firmes. "Estão enganados."
Esse foi o instante.
Não porque ela tenha declarado isso.
Mas porque ela não pediu permissão.
Eris foi andando—não em direção a um escritório, não à administração.
Para os pisos de treino abertos.
Os públicos.
Onde o movimento era visível.
O oversight percebeu a aceleração três minutos depois.
Não porque Eris fizesse barulho.
Mas porque os outros se ajustaram ao redor dela.
Estudantes mudaram seus cronogramas para ficar próximos dela.
Não para treinar com ela.
Para serem vistos, não evitá-la.
Essa distinção importava.
"Coesão de referência aumentando," informou um analista, com tensão na voz. "É lateral."
"Isso é impossível," interrompeu outro. "Ela não é central."
O observador falou suavemente. "Ela não precisa ser."
Lucas assistia do anel superior enquanto Eris passava abaixo dele, postura ereta, passo firme.
"Ela não está recuando," murmurou.
"Não," disse Dreyden. "Ela está onde disseram para ela não ir."
A percepção de sorte de Lucas piscou—não cores, não probabilidades. Uma distorção.
Algo como a curvatura da gravidade.
Zagan sussurrou, em tom baixo e preciso:
É assim que linhas de falha se ativam.
O oversight tentou conter até às 16h.
Chamararam Eris.
Ela não recusou.
Ela trouxe testemunhas.
Não formalmente.
Simplesmente… não veio só.
Três estudantes caminharam ao lado dela até a ala administrativa, pararam na porta e esperaram.
Não falaram.
Não se posturaram.
Apenas estavam presentes.
Dentro, a paciência do administrador quebrou.
"Vocês sabem que a redistribuição é provisória," ele disse, calmo.
Eris assentiu. "Sim."
"E espera-se uma resposta de conformidade."
"Sim."
"Então por que há outros envolvidos?"
Eris inclinou ligeiramente a cabeça. "Porque vocês não deixaram claro se a redistribuição era individual ou comportamental."
O administrador ficou rígido. "Era individual."
"Então, a conduta que estão corrigindo é recusa," disse Eris. "E recusa não é só minha."
Silêncio seguiu-se.
Não porque o administrador estivesse sem palavras.
Mas porque dizer isso confirmaria a acusação.
Fora, os estudantes aguardavam.
Não em protesto.
Não exigindo.
Apenas… recusando-se a dispersar.
Isso era mais difícil de enquadrar como má conduta.
O oversight encerrou a reunião prometendo uma revisão.
Sem reversão.
Revisão.
Que nada significava.
Exceto que, desta vez, tinha algum significado.
Porque viram a tentativa.
E viram a resposta.
Dreyden não interveio.
Ele não apareceu.
O que fez sua ausência soar mais alto do que qualquer presença poderia.
À noite, a atualização da política era analisada—não discutida, não debatida.
Interpretada.
Estudantes começaram a compartilhar capturas de tela.
Não comentários.
Apenas a linguagem.
Status de não-designação prolongada pode resultar…
May.
Não will.
Ambiguidade que corta os dois lados.
Maya observou a propagação e permaneceu de braços cruzados.
Essa era a mudança.
Às vezes, a contenção era a maior forma de amplificação.
O arquivo em mandarim foi atualizado às 22h11.
Dessa vez, não com palavras.
Com formatação.
Uma mudança na margem.
Uma anomalia de pontuação.
Um sinal.
Dreyden leu e sorriu, sem humor.
"Perceberam," disse Lucas, sentado em frente a ele.
"Sim."
"Está preocupado?"
"Não," respondeu Dreyden. "Eles ainda pensam em jogadas."
"E você?"
Dreyden fechou o arquivo. "Estou pensando nas consequências."
Nessa noite, o oversight realizou uma sessão fechada.
Sem estudantes.
Sem instrutores.
Apenas telas de projeção e vozes silenciosas.
"A redistribuição gerou coesão," disse alguém.
"Então desfaça isso," interrompeu outro.
O observador balançou a cabeça. "Desfazer confirma que o poder existia. Deixar assim confirma contenção."
"E o que fazemos então?"
Aguardei-se silêncio.
Depois: "Vamos aumentar a classificação."
A palavra caiu como uma lâmina sobre seda.
Classificação significava rótulos.
Rótulos significavam legitimidade.
Legitimidade significava regras.
Regras significavam que as consequências poderiam ser justificadas novamente.
"Em quem?" alguém perguntou.
O observador não hesitou.
"No ambiente."
E isso era pior.
Porque os ambientes moldavam todos.
A decisão foi finalizada.
À meia-noite, os sistemas do Triângulo prepararam um novo protocolo.
Não punição.
Normalização.
Chega de exemplos isolados.
Chega de pressão pontual.
Inundariam o espaço com restrição até que a resistência se tornasse inconveniente novamente.
Os estudantes se adaptariam.
Sempre se adaptam.
Exceto—
De volta aos dormitórios, Eris sentou na cama, lendo mensagens que não esperava.
Não elogios.
Nem promessas.
Apenas coisas simples.
Treinarei às 6h30. Mesmo hall.
Se você estiver lá, eu também estarei.
Não podem mover todos de uma vez.
Ela exalou lentamente.
Amanhã, o oversight apertaria a rede.
Mas hoje—
Hoje, a recusa tinha peso.
Dreyden olhou para as luzes da cidade do varanda, o reflexo do Triângulo brilhando suavemente sobre ruas que não se importavam com a designação.
"Tentaram mover um," disse Lucas ao lado dele.
"Sim."
"E, ao invés—"
"Mostraram a todo mundo onde não pisar," completou Dreyden.
Lucas engoliu em seco. "O que acontece quando eles param de se importar?"
A resposta de Dreyden foi silenciosa.
"Então descobriremos se a instituição ainda lembra como negociar."
Bem longe, sistemas invisíveis preparavam sua próxima calibração.
E, mais perto do que anyone poderia perceber, estudantes que nunca concordaram em nada estavam aprendendo um novo hábito:
Ficar parados—juntos—quando for empurrados.
Amanhã, o Triângulo tentaria novamente.
Não com um estudante.
Com uma regra.
E regras só funcionam se forem obedecidas.