Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 79

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

O oversight não escalou na manhã seguinte.

Aquele atraso não foi cautela.

Foi exposição.

Para uma instituição baseada em autoridade, hesitar nunca foi neutro. No momento em que o Oversight deixou de responder, a própria ausência transformou-se em evidência — visível, interpretável e impossível de retractar.

O Triângulo abriu no horário previsto.

Glifos do corredor iluminados em azul constante.

As aulas estavam reunidas.

Encadeamento de treinamentos programado.

Tudo funcionava.

Por isso, todos perceberam o que não estava lá.

Não havia aviso corretivo.

Nem explicação para a alteração na noite anterior.

Nem estrutura para conter o que já tinha sido visto.

O Oversight não disse nada.

E agora, o silêncio parecia uma admissão.

No Anexo C, um instrutor do terceiro ano interrompeu a palestra no meio.

Não foi uma interrupção.

Três estudantes simplesmente levantaram-se, pegaram seus materiais e saíram.

Sem dramatismo.

Sem explicações.

Sem pedidos.

O instrutor assistiu à saída deles.

Ele não elevou a voz.

Não chamou o Oversight.

Porque fazer isso teria exigido justificativa — e o Oversight já não tinha motivos limpos.

Ele continuou ensinando.

Mas o sala entendeu a diferença.

A aula prosseguiu por dever, não por autoridade.

Os estudantes escutaram com educação.

E registraram tudo.

Até o meio da manhã, a coordenação começou a aparecer em locais onde o Oversight nunca tinha modelado.

Não nas aulas.

Não nas classes.

Utilitários.

Estudantes sincronizando silenciosamente o acesso às câmaras de recuperação.

Rotações dos equipamentos alinhadas sem prompts do sistema.

Uso da cantina ajustado a padrões que reduziam o atrito com o Oversight.

Não estavam formando facções.

Estavam eliminando dependências.

Esse era o risco que as instituições não conseguiam resolver de forma limpa.

Rebeliões podiam ser punidas.

Desafios podiam ser isolados.

A autossuficiência exigia repressão — e repressão exigia explicação.

Um analista de Classe B resumiu calmamente em uma estação compartilhada:

"Se eu não preciso de aprovação para funcionar, a aprovação perde peso."

A frase avançou lentamente.

Mas foi precisa.

Lucas percebeu às 10h13.

Uma nova etiqueta interna apareceu abaixo do seu identifcador.

Não pública.

Administrativa.

RISCO DE DEPENDÊNCIA: ELEVADO

Ele encarou a mensagem por alguns segundos.

Depois deu uma risada seca.

Sem humor.

"Eles não odeiam imprevisibilidade," murmurou. "Odeiam recusar."

Zagan respondeu sem humor.

Eles temem alinhamentos incontroláveis. Isso é exatamente isso.

Lucas fechou a interface.

"Então, deveriam ter intervindo antes."

Dreyden não fez nada visível naquela manhã.

E isso dizia tudo.

Ele treinou sozinho.

Circulação de baixo impacto.

Sem habilidades específicas.

Sem picos de métricas.

Qualquer observador externo teria registrado envolvimento mínimo.

Quem entendia de sistemas reconheceria a preparação.

Escalada nunca chegava primeiro.

Chegava atrasada.

E escaladas tardias eram caras.

Até o meio-dia, o discurso interno do Oversight se fragmentava.

Não por discordância.

Por urgência.

"Vamos agir hoje."

"Se agirmos hoje, confirmamos o pânico."

"Se não, confirmamos fraqueza."

Fraqueza.

Aquela palavra se instalou na sala.

Instituições podiam sobreviver à desafiar.

Poderiam sobreviver à dissidência.

Mas não à zombaria disfarçada de competência.

Um analista sênior falou com cuidado:

"Reenquadre a narrativa."

O observador — mais velho, mais quieto — inclinou a cabeça.

"E como você atribuiria responsabilidade?"

Silêncio seguiu.

Não porque a resposta fosse incerta.

Mas porque todos entendiam o custo.

Um bode expiatório precisava de fragilidade.

Helin já havia feito isso uma vez.

Maren tinha feito de novo.

Desta vez, o sistema precisava de alguém mais forte.

E ninguém forte o bastante para sobreviver à exposição quebraria a lição.

O Oversight estava encurralado por seus próprios pressupostos.

Então, alguém ofereceu a única opção restante:

"Não atribua a uma pessoa. Atribua a uma situação."

A aviso foi publicado às 14h.

Público.

Neutro.

Cuidadosamente equilibrado.

AVISO DO TRIÂNGULO — EXERCÍCIO DE REALINHAMENTO DE INTEGRIDADE

Será realizado imediatamente um Diligência de Alinhamento de Integridade entre classes.

Participantes serão selecionados aleatoriamente das Classes A, B e C.

Objetivo: decisão cooperativa sob autoridade compartilhada.

Avaliação: métricas transparentes.

Recusa: registrada.

Não penalizada.

Registrada.

A linguagem foi cirúrgica.

Não ameaçadora.

Fixada.

O campus não reagiu com pânico.

Reagiu com cálculo.

A seleção aleatória preservou a plausibilidade.

A autoridade compartilhada diluiu culpas.

Métricas transparentes simularam justiça.

Foi bem desenhado.

Até demais.

Dreyden recebeu o aviso simultaneamente a todos.

Leu uma vez.

Fechou.

Lucas o encontrou minutos depois.

"Estão armando uma rede," disse Lucas.

"Sim."

"Normalização."

"Sim."

Lucas hesitou. "E você?"

"Vou participar," respondeu Dreyden.

A resposta o surpreendeu.

"Você não vai recusar?"

"Não. Recusar ainda é reativo."

Lucas ficou olhando. "Então, o que está fazendo?"

"Deixando o sistema assumir sua lógica."

Maya percebeu a estrutura do exercício no instante em que foi propagada.

Não o conteúdo.

A estrutura.

"Eles estão tentando reivindicar autoria," ela murmurou.

A maioria dos futuros termina mal.

Somente um terminou diferente.

Não de forma estável.

Mudou.

Dreyden não resistiu.

Ele obedeceu o suficiente para forçar a responsabilização.

Maya decidiu não intervir.

Os sistemas devem ser deixados falar até o fim.

As escolhas se encheram até a noite.

Os nomes surgiram publicamente.

Capazes.

Visíveis.

Não dispensáveis.

Isso importava.

A sala de montagem foi intencionalmente humana.

Arquitetura aberta.

Sem barreiras rígidas.

Sem vetores de ameaça óbvios.

Destinada a parecer justa.

O que significava que não era.

A autoridade rotacionou.

Os cenários iniciais passaram limpos.

O Oversight relaxou.

Então, o controle passou a um estudante de Classe C.

Jovem.

Nervoso.

O cenário trouxe contradição.

Dois vozes falaram ao mesmo tempo.

O Oversight se inclinou para frente.

A estudante respirou fundo.

"Consenso," ela disse. "Cinco segundos."

Ela não hesitou.

Convidou.

A decisão foi tomada.

Sem colapso.

Sem exemplo.

Só adaptação.

Algo aliasou.

A autoridade deixou de ser vertical.

Passou a ser lateral.

O exercício prosseguiu.

Métricas acumularam-se.

O dano foi feito.

O Oversight acelerou a sessão.

Sem anúncio.

Foi inserida.

Os estudantes não dispersaram.

Compararam-se.

Confirmaram.

Validados.

Isso não era desafio.

Era reconhecimento de padrão.

Nessa noite, o arquivo Mandarin foi atualizado.

Eles escolheram por último novamente.

Dreyden digitou uma vez.

Depois, este é o custo.

Sem resposta.

Que significou reconhecimento.

O Triângulo entrou no ciclo noturno.

As luzes se apagaram.

O Oversight recalibrou.

Os estudantes entenderam que algo irreversível havia acontecido.

O silêncio perdeu a neutralidade.

E o sistema esperou demais para falar.

O Oversight não responderia esta noite.

Eles se convenceriam de que dormir era análise, que atraso era estratégia, que amanhã surgiriam linhas mais fáceis de traçar.

Não surgiriam.

Porque o problema não era mais comportamental.

Era conceitual.

Os estudantes aprenderam a diferença entre autoridade e confiança, e uma vez que a distinção existe, ela não pode ser removida por política.

Dreyden entendeu essa verdade enquanto ficava sozinho na passarela, assistindo a luz se espalhar pelo campus abaixo.

Poder não desaba quando é desafiado.

Ele desaba quando precisa se justificar.

O Triângulo começou a se explicar.

Logo atrás dele, portas se abriram e fecharam suavemente enquanto outros voltavam às suas salas, carregando conversas que não incluíam permissão, métricas ou aprovação.

À sua frente, o sistema recalculava.

E, pela primeira vez desde sua chegada, Dreyden não se sentiu uma anomalia dentro do Triângulo.

Sentiu-se uma constante.

E constantes, uma vez reconhecidas, forçam tudo ao redor a se ajustar a elas.

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