
Capítulo 59
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O módulo não tinha um emblema do Triângulo.
Isso, mais do que qualquer outra coisa, revelou a Dreyden o que aquilo era.
Casco neutro. Acabamento fosco em cinza ardósia. Sem faixas. Sem declarações. O tipo de transporte projetado para mover itens valiosos sem chamar atenção — ou apontar suspeitas.
O Triângulo não tinha enviado ele a algum lugar.
Deixou que ele fosse enviado.
Dreyden entrou por último.
Não porque estivesse atrasado.
Mas porque esperar permitia que ele observasse quem hesitava.
Lucas foi o primeiro a subir, postura controlada, mas olhos atentos, escaneando superfícies reflexivas por hábito. Raisel seguiu sem pausa, expressão distante, como se já tivesse avaliado o risco e o considerasse aceitável. Karel demorou meia segundo — tempo suficiente para que a dúvida fosse visível — depois endireitou os ombros e entrou a bordo.
Sem instrutores.
Sem escoltas.
Apenas um único contato sentado perto da cabine, mãos cruzadas, olhos educadamente distraídos.
Um observador, não um guardião.
A porta se fechou com um silencioso silvo de pressão.
Sem contagem regressiva.
Sem anúncio.
O transporte levantou voo.
No instante em que cruzaram o espaço aéreo do Triângulo, algo se soltou.
Dreyden sentiu como uma faixa se desanuviando ao redor de suas costelas.
Não alívio.
Não liberdade.
A ausência de gravidade supervisionada.
Ele rolou os ombros discretamente, testando.
Nada resistiu.
Sem varreduras passivas.
Sem fricção na latência de sua interface.
Lucas percebeu também.
Ele exalou lentamente, quase imperceptívelmente, como quem percebe que vinha segurando a respiração sem perceber.
"Isto parece errado," murmurou Lucas.
Raisel não levantou o rosto. "Parece honesto."
Karel engoliu em seco. "Nunca gostei de honestidade."
Ninguém discordeou.
Instituição ligada ficava a três horas fora do raio operacional do Triângulo.
Não escondida.
Não fortificada.
Simplesmente… ali.
Um campus de estruturas brancas sobrepostas, embutidas numa encosta de baixa montanha; uma arquitetura mesclando estética de pesquisa com algo mais antigo—colunas não simbólicas, mas de sustentação; janelas inclinadas não por beleza, mas para observação.
Sem muros defensivos.
Sem armas visíveis.
O que significava que o perigo era procedimental, não físico.
Desceram sobre uma plataforma de pedra plana.
Sem equipe de boas-vindas.
Sem escoltas.
Apenas uma porta que se abria para dentro.
O contato fez um gesto.
"A avaliação começa na entrada," disseram com calma. "Podem entrar juntos ou separados. Os resultados serão avaliados de qualquer forma."
Lucas olhou para Dreyden. "Tradução?"
Dreyden respondeu sem se virar. "Eles não se importam como chegamos. Importa o que muda quando chegamos."
Entraram juntos.
Dentro, o ar parecia… vazio.
Não morto.
Não reprimido.
Apenas desprovido de ênfase narrativa.
Sem pressão para mostrar serviço.
Sem expectativa de grandezas.
Dreyden percebeu de imediato.
Um lugar que não recompensa escalada.
Corredores se ramificavam de modo orgânico, não hierárquico. Salas não tinham marcações. Interfaces surgiam só quando solicitadas e desapareciam instantaneamente quando ignoradas.
"Tudo aqui parece opcional," murmurou Karel.
"Essa é a armadilha," respondeu Raisel. "A opcionalidade gera pressão de auto-seleção."
Lucas franziu o cenho. "Quer dizer?"
"As pessoas revelam quem são quando ninguém as obriga," ela explicou.
Sem escoltas, foram conduzidos por caminhos de avaliação separados.
Sem debates.
Sem explicações.
As portas se fecharam deslizando.
Isolamento alcançado.
A sala de Dreyden estava vazia.
Sem terminal.
Sem aviso.
Apenas uma cadeira.
E uma parede.
Ele ficou quase um minuto até que a parede falou.
Não de modo audível.
Por escrito— branco sobre cinza.
Defina valor.
Sem opções.
Sem dicas.
Dreyden não respondeu.
Esperou.
A parede se ajustou.
Defina risco.
Ele sorriu de leve.
"Você está tentando encontrar meu eixo," disse em voz alta. "Direção errada."
O texto mudou.
Defina o que você protege.
Essa caiu como uma luva.
Sem clareza.
Silenciosamente.
Dreyden sentou-se.
Pensou.
Lembrou-se do silêncio após o desaparecimento de Maya.
Olhos de Lucas durante a simulação.
Raisel escolhendo proximidade, apesar da consequência.
A quebra da barreira de Karel—não por fraqueza, mas por estar sem permissão.
Finalmente, digitou:
Protejo futuros opcionais.
A parede pausou.
Mais tempo desta vez.
Depois:
Por quê?
Dreyden recostou-se.
"Porque sistemas colapsam quando acreditam que os resultados estão fechados."
O texto piscou.
E se futuros opcionais ameaçarem a estabilidade?
"Então, estabilidade já era uma mentira."
Silêncio.
Não rejeição.
Avaliação.
A porta se abriu.
A avaliação de Lucas foi pior.
Ele soube no instante em que o cômodo mudou.
Não fisicamente.
Perceptualmente.
A percepção de sorte se intensificou—e se quebrou.
As cores se sobrepuseram.
Probabilidades se acumularam.
Branco entrelaçado em tudo até que a distinção desaparecesse.
O cômodo não mediam sua força.
Testava sua dependência.
Se ele conseguia agir sem prever.
Se podia escolher quando o resultado não era visível.
Uma voz—não de Zagan—falou com suavidade.
"Escolha uma rota."
Três portas apareceram.
Todas brilhando em branco.
O peito de Lucas apertou.
"Nenhuma dessas dá pra ler," disse.
"Isso mesmo."
"Então, o que vocês querem?"
"Saber se você escolhe mesmo assim."
Seus dedos tremeram.
Zagan não disse nada.
Pela primeira vez, o demônio não interferiu.
Lucas deu um passo à frente.
Escolheu a porta do centro.
Ela se abriu para o vazio.
Sem chão.
Sem queda.
Apenas incerteza.
Lucas engoliu em seco—e entrou assim mesmo.
A sala se estabilizou ao seu redor.
A voz assentiu.
"Você está aprendendo a agir sem profecia."
Lucas relaxou com alívio.
Depois, raiva.
Não faça isso de novo, resmungou Zagan.
Lucas quase sorriu.
A avaliação de Raisel veio por último.
E foi a mais breve.
Uma única pergunta.
O que você está disposto a perder?
Ela não hesitou.
status.
Surgiu um novo texto.
Por que não poder?
Ela ponderou.
Poder é renovável. Status é posicional.
Pausing.
E as pessoas?
Ela exalou lentamente.
Se eu fingir que não, mentirei quando for importante.
A avaliação terminou.
Sem julgamento.
Isso a deixou mais inquieta do que uma reprovação teria feito.
A sentença de Karel o quebrou.
Não violentamente.
Não publicamente.
Apenas de forma completa.
Um ciclo de perguntas sem resposta ótima.
Cada resposta penalizava algo diferente—eficiência, confiança, longevidade, segurança.
Não havia escolha certa.
Apenas viés revelado.
No final, ele suava.
Tremia.
Mas ainda respondia.
Quando terminou, a sala exibiu uma linha:
Resiliência anotada. Influência adiada.
Karel não soube se devia sentir alívio ou medo.
Provavelmente ambos.
Reuniram-se ao anoitecer.
Sem balanço.
Sem pontuação.
Sem feedback.
Apenas o contato esperando à saída.
Lucas franziu a testa. "É só isso?"
"Sim," respondeu o contato. "Você não estava sendo avaliado para prontidão."
"Para quê, então?" perguntou Raisel.
O contato sorriu educadamente.
"Para interpretabilidade."
Entraram na nave.
Ninguém falou na viagem de volta.
Cada um sentiu o impacto.
Uma mudança.
Não de favor.
Nem de hostilidade.
Mas de interesse.
De volta ao espaço aéreo do Triângulo, a gravidade retornou.
Silêncio.
Pressão.
Medida.
Dreyden sentiu os olhares se reposicionarem, como mãos voltando às ferramentas familiares.
Mas algo tinha mudado.
Não eram apenas observadores agora.
Estavam trocando impressões.
Ele checou sua interface.
Sem mensagens.
Sem alertas.
Mas, em uma camada profunda do sistema que pouco acessava, uma única bandeira piscou de inativa para ativa.
Correlação Externa: Ativada
Dreyden exalou lentamente.
"Claro," murmurou.
O Triângulo não perdeu controle.
Ele ampliou a mesa.
Lucas recostou-se na cadeira.
"Acho que eles não queriam respostas," disse em voz baixa.
Raisel assentiu. "Queriam ver quais perguntas sobreviveríamos."
Karel olhou para as mãos. "Não me sinto mais forte."
Dreyden encarou seu reflexo no vidro da nave.
"Você não está," respondeu calmamente. "Mas eles também não."
A nave iniciou sua descida.
As luzes brilharam.
Os sistemas se ajustaram.
O Triângulo esperou—paciente, preciso, fingindo que não convidara o mundo a espiar seu interior.
E em algum lugar, além das instituições, um observador atualizava um arquivo.
Não rotulado como anômalo.
Não considerado ativo.
Mas algo mais recente.
Externalidade.
E Dreyden Stella acabara de se tornar caro.