
Capítulo 239
O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado
Capítulo 239: Sobanne do Rei dos Mortos (3)
“Caramba, esses cavaleiros, deixando pessoas passarem no meio da noite…?”Na porta da mansão do Barão Ropenheim, dois cavaleiros estavam de guarda. O servo já estava cansado dos cavaleiros que trocavam piadas de duplo sentido o tempo todo.
Mesmo cumprindo bem seu dever, como poderia deixar passar um garoto desses pela mansão?
Logo, uma jovem com cabelo loiro claro se aproximou. Ela ficou ao lado de Isaac e sorriu suavemente.
Qual é agora?
O servo teve uma breve dor de cabeça, mas logo sentiu uma pontada de dúvida.
Deixar esses dois jovens entrarem assim? Não importa o quanto fossem negligentes no dever, isso fazia sentido?
Ou…
Seriam esses dois, talvez, nocauteados pelos cavaleiros?
…Não, como crianças tão novas poderiam fazer isso?
O servo balançou a cabeça. Era uma ideia ridícula.Mas o pensamento dele era, na verdade, verdadeiro. Isaac tinha nocauteado os cavaleiros que estavam na guarda num instante e, junto com Alice, atravessaram o jardim até chegar à mansão.
"Ei, acha que faz sentido encontrar o senhor nesta hora? Se fizerem isso, ele não vai gostar nada também."
Naquele momento, um homem alto apareceu atrás do servo.
Ao ouvir um suspiro, ela se assustou. Rápido, ela deu um passo de lado e fez uma reverência profunda ao homem.
O homem avançou, banhado pela luz da lua.
Com sua silhueta iluminada, irradiava dignidade, um homem de meia-idade com postura excelente e cabelos penteados para trás. Era o Barão Adrian Ropenheim.
"Desculpe pelo transtorno…! Eles queriam vê-lo no meio da noite, então tentei mandá-los embora…!"
"Está tudo bem."
Adrian fez contato visual com Isaac.
"Seu nome é Isaac, não é?"
Adrian estivera espionando a conversa de Isaac com o servo desde o começo.
Ele saiu para recebê-los porque já tinha percebido que os cavaleiros na guarda foram nocauteados por Isaac sem chance de avisar.
Isaac sorriu com um rosto gentil.
"Sim. Prazer em conhecê-lo, Barão Ropenheim."
"E a moça ao seu lado?"
"Ela é minha—"
"Esposa."
Alice Carroll, com um sorriso suave, rapidamente entrelaçou seus braços com os de Isaac e os abraçou ao peito.
…"
Sem querer fazer alarde por algo assim, Isaac soltou um suspiro baixo.
Não lhe importava qual fosse o papel de Alice na história.
Adrian, como se não estivesse interessado na relação deles, não fez perguntas e virou as costas.
"Entrem."
Adrian deixou Isaac e Alice entrarem na mansão de bom grado.
Tudo o que Adrian precisava no momento eram sacrifícios — o máximo que pudesse conseguir.
E agora, Isaac apareceu do nada, um órfão que por acaso era irmão de Eve.
Ele já tinha pensando que Isaac seria uma boa presa. A sorte estava do lado dele, e ele sabia aproveitar isso.
Alice era uma variável, mas para Adrian, que tinha recebido poder do Rei dos Mortos, ela era apenas uma oferenda agradável.
"…"
Isaac havia previsto os pensamentos de Adrian, e estava certo, mas não se ligava muito ao que aconteceria.
Se a entrada fosse restrita, ele planejava forçar sua passagem.
Enquanto isso, o servo não conseguia entender por que o Barão Ropenheim tinha deixado Isaac e Alice entrarem na mansão.
Normalmente, ele teria agarrado os jovens e os jogado na masmorra por suas atrocidades.
Percebendo a expressão de dúvida no rosto do servo, Adrian deu uma explicação simples.
"Ele é o irmão da Eve."
"Ah."
O servo entendeu imediatamente a situação, pois a equipe da casa já sabia dos passos da família de Eve.
Um convidado. Isso explicava por que os cavaleiros deixaram eles entrarem e por que Adrian Ropenheim saiu para recebê-los.
Além disso, fazia sentido que um servo subordinado como ele fosse incapaz de saber de um convidado a ser recebido na meia-noite.
Eles caminharam pelo corredor escuro, confiando na pequena luz da lamparina portátil que o servo carregava. Enquanto isso, Alice entrelaçou seus dedos com os de Isaac, segurando a mão dele.
"Cuidado na escuridão, querido."
Isaac, sem poder reclamar, apenas agradeceu.
Eles entraram na sala de recepção.
"Traga um pouco de chá."
"Vou providenciar já."
O servo saiu para preparar o chá, e Adrian sentou-se no sofá. Isaac e Alice se sentaram lado a lado no sofá em frente a ele.
A lâmpada sobre a mesa espalhava sua luz, iluminando suavemente o ambiente. Assim, Adrian pôde analisá-lo de perto.
"Você realmente se parecem…"
Eve e Isaac tinham pais diferentes, mas tinham algumas semelhanças. A influência da mãe deles era evidente. Adrian percebeu isso de novo.
Logo a seguir, o servo trouxe o chá.
"Obrigado."
"Muito obrigado."
Isaac e Alice cumprimentaram educadamente.
O servo colocou as xícaras de chá e saiu rapidamente da sala de recepção.
Isaac cuidadosamente girou a xícara de chá antes de falar.
"Desculpe-me por vir tão tarde…"
"Não precisa se desculpar. Já vi que nocauteou meus cavaleiros, e se me considera um inimigo, não há motivo para pedir desculpas, certo?"
Embora Adrian tivesse assistido pela janela enquanto Isaac derrubava os cavaleiros, ele não tomou nenhuma providência.
Ele tinha uma boa ideia da situação.
Adrian abandonou a mãe de Eve e tomou Eve de Isaac. Sempre pensou que não seria surpreendente se Isaac empunhasse a espada e viesse atrás de vingança a qualquer momento.
"Então, vamos acabar logo."
Isaac lançou um olhar desafiador para Adrian, sorrindo.
"...Onde está minha irmã?"
Mais cedo, Isaac havia usado [Clarividência] para vasculhar a mansão e descobriu que Eve Ropenheim não estava lá.
Ele já tinha uma ideia de onde ela poderia estar. Apenas perguntou a Adrian para testar sua reação.
"Quero começar por essa conversa."
Adrian sorriu de canto, recostando-se no sofá.
"Acredito plenamente que há muitas bostas humanas inúteis neste mundo, especialmente em lugares afastados como esse."
Adrian bebeu um pouco de chá.
"Você, em particular. Seu poder mágico era inferior, nasceu de forma ruim e era extremamente pobre."
"Você se lembra disso."
"Tive que. Em uma ocasião, ao investigar Eve, não pude deixar de saber de sua existência."
As palavras sem filtro de Adrian eram provocações destinadas a diminuir Isaac.
Na prática, queriam dizer: “Você, em particular, se encaixa na minha definição de ‘bosta’”, e “Não tive escolha; precisei aprender seu nome”.
"Você parece ter aprimorado bastante suas habilidades de combate, mas até onde sua origine humilde pode te levar? Mesmo que tenha ficado mais forte nos últimos anos, sua melhor jogada é nocauteando alguns cavaleiros da minha casa. Seu esforço é louvável. Embora eu tenha falado duramente, agradeço. Por ter vindo até mim por sua própria vontade, e… por manterem a pureza."
Isaac e Alice trocaram olhares inesperados.
Uma barreira de mana negra sutilmente reluzia na sala de recepção.
"Vocês, um casal tão jovem, ainda não fizeram sexo? Vocês me fizeram um grande favor."
"…"
"Estou de bom humor. Vou recompensá-los com uma informação."
Adrian sorriu casualmente, como se estivessem conversando sobre o tempo.
"Fui eu quem matou seu pai."
Adrian tomou um gole de chá e colocou a xícara de volta na mesa.
Por um instante, Alice torceu uma sobrancelha, hesitou, e fez uma expressão de leve surpresa.
"Houveram duas razões. Primeiro, eu queria quebrar a psicologia da Eve. No final, ela falou palavras duras para você e foi embora, exatamente como eu planejei. Segundo, não gostava do fato de ele cobiçar um bem descartado meu. Então, eu o matei."
O pai de Isaac era um homem comum da classe baixa, sem posses, um marido que amava sua esposa profundamente.
Ele também foi o salvador da mãe de Isaac, que foi abandonada e machucada pelo próprio Barão Adrian Ropenheim.
Mas perdeu a vida ainda jovem. Deve ter sido um momento devastador para a família de Isaac.
Se o pai de Isaac tivesse vivido, a mãe dele provavelmente não teria morrido cedo por excesso de trabalho e doença agravada.
Se não fosse pelas ordens cruéis de Adrian, Isaac não teria sentido aquela dor devastadora de ter sido abandonado pela irmã.
Isaac ficou sozinho, tentou sobreviver sem ninguém em quem confiar, e, no fim, desesperado, tirou a própria vida.
E agora, Isaac via que toda sua má sorte tinha origem naquele nobre diante dele.
Esse homem, intoxicado pelo poder, havia completamente destruído, pisoteado e arruinado a vida do verdadeiro Isaac — um plebeu.
Era isso mesmo.
Isaac murmurou silenciosamente para si mesmo.
Só então, ele compreendeu completamente a história familiar vivida pelo antigo proprietário do seu corpo.
"Mas pode ficar tranquilo. Diferente do seu pai, sua vida será bem aproveitada. O que é mais valioso do que nascer um lixo e, assim, se tornar a base para mim?"
Aquele olho era originalmente não funcional, devido a graves queimaduras de tempos atrás. Mas agora, estava em perfeitas condições.
Calgart, o Necromante, tinha o poder de conceder energia às partes apodrecidas. Ele tinha impregnado mana negra no olho direito de Adrian.
Adrian explicou aos habitantes da mansão que foi sortudo por ter sido curado por um clérigo habilidoso, e apenas alguns que sabiam a verdade tremiam de medo.
Vários picos de mana negra surgiram atrás de Adrian com um som de estalo.
A mana negra de Adrian começou a impregnar o ambiente ao redor.
"…?"
No entanto... Isaac permaneceu calmo. Como se não sentisse nada.
Adrian franziu a testa. Esperava que Isaac caísse no desespero e no medo ao ouvir a verdade, mas sua reação foi frustrante.
Será que ele estava chocado e incapaz de compreender a realidade?
Enquanto Adrian nutria essas dúvidas, Isaac removeu os óculos e falou.
"Barão Ropenheim."
Pelo menos até capturar o Deus Maligno, ele não tinha intenção de se envolver em questões familiares complicadas.
Por isso, Isaac se sentia verdadeiramente grato.
Porque um bastardo como esse tinha aparecido na sua vida.
"A barreira está forte?"
"O quê?"
Um frio suave e pálido de tom azul claro percorreu seu corpo.
No instante em que Adrian viu aquele frio que começava a congelar tudo ao seu redor, seus olhos se arregalaram de espanto.
Não era o frio comum emitido por um mago elementar de gelo. Essa densidade de frio que ele sentiu era algo que nunca tinha visto antes.
A aura do [Soberano do Gelo]. Isaac decidiu exercer seu domínio sobre Adrian, canalizando um traço de sua raiva acumulada.
Uma enorme onda de mana caiu sobre Adrian como uma forte pressão.
Por instinto, Adrian sentiu o medo se aproximando.
Num piscar de olhos, um círculo mágico de tom azul claro se abriu atrás de Isaac, e na sua frente, mana de gelo se condensou.
Desesperadamente, Adrian estendeu várias pontas de mana negra.
Kaaaaaah!!!
Uma luz azul pálido brilhou, e um estrondo ressoou.
Magia de gelo de 5 estrelas [Frost Explosion]. O processo de Isaac condensar e explodir sua mana passou de alguns segundos para um piscar de olhos.
A explosão repentina de frio recuou os picos de mana negra e demoliu a parede externa do castelo, lançando massas de gelo afiadas com força para fora.
Tudo aconteceu num instante.
A enorme massa de gelo, se estendendo para o exterior, perfurou o corpo de Adrian e se estabeleceu além da parede colapsada.
"Argh…!"
Adrian cuspia sangue como uma cachoeira.
Levaram apenas alguns momentos até que sua mente turva se esclarecesse.
Logo, ele percebeu que tinha sido perfurado por uma ponta de gelo afiada, deixando um buraco enorme na parte superior do corpo.
O frio extremo penetrava seus ossos.
Dor além da imaginação se espalhava por ele.
O corpo de Adrian, atingido pela explosão de frio, estava em completo caos.
O frio intenso dominava seu corpo.
Adrian respirou com dificuldade.
A mana negra lutava para manter suas funções vitais.
Ele resistiu à dor terrível, vivendo por pura força de vontade.
"Como isso aconteceu…?"
A força obscura, que o fazia sentir-se onipotente, tinha sido consumida de forma tão inútil.
Isaac e Adrian. Havia uma vasta diferença de habilidades entre eles.
Adrian não podia acreditar nisso.
Toc, toc.
Isaac subiu na ponta afiada do gelo e caminhou lentamente até chegar perto de Adrian, que pendia inerte na massa de gelo, e olhou para baixo dele.
A brisa noturna acariciou os cabelos e a pele prateado-azulados de Isaac.
Adrian olhou para Isaac com expressão chocada.
"Deixa eu te fazer uma pergunta."
Isaac falou friamente.
"Onde está Calgart?"
Os olhos de Adrian tremeram.
A aura pálida azulada vindo de Isaac, a imensa mana, a força inacreditável.
Até mesmo perguntar onde estava Calgart fazia Adrian reconhecer a identidade de Isaac.
"Pode ser… você é…?"
O título “Soberano do Gelo” veio à mente de Adrian.
Era difícil aceitar, mas a imagem diante dele era tão nítida que não podia negar.
Na lembrança de Adrian, Isaac era um ser sem talento, inútil.
Então, a visão diante dele era difícil de acreditar, mas, racionalmente, ele começou a entender.
A menos que fosse um arquimago escondendo seu poder até agora, não havia como ele atingir esse nível em poucos anos.
Adrian concluiu. Ele jamais derrotaria o Soberano do Gelo. Era, na essência, uma catástrofe ambulante.
Não era só uma questão de não conseguir vencer; a terra quase na beira da aniquilação.
Ele pisoteou nas preciosas pessoas do grande Rei Elemental. Tornou-se objeto do ressentimento do rei.
Aquela realização corroía a sanidade de Adrian como um rato.
Ouviu-se o som de a porta da sala de recepção sendo batida com força. Contudo, a porta, bloqueada por uma barreira escura, não se abriu facilmente.
Isaac ajoelhou-se e estendeu a mão direita na frente do braço esquerdo de Adrian. Na frente dessa mão, mana de gelo se condensou, e um círculo mágico pálido-azulado se abriu.
Adrian, tomado pelo medo, gritou urgentemente: "Espera…!"
Boom!!
"Arghhh!!!"
Uma fraca [Frost Explosion] atingiu impiedosamente o braço esquerdo de Adrian.
Adrian fechou os olhos e gritou, respirando com dificuldade.
Seu braço esquerdo foi torcido de forma grotesca, mas não saiu sangue. A carne rasgada e destruída estava congelada, parando o sangramento na força.
A mana negra que tentava regenerar o corpo de Adrian era impotente frente ao gelo resoluto de Isaac.
Não havia mais traços de dignidade nobre na face distorcida e vingativa de Adrian.
"Vamos te perguntar de novo."
A voz de Isaac saiu ainda mais fria do que o gelo.
"Onde está Calgart?"
Isaac tinha uma missão a cumprir. A compulsão de derrotar o Deus Maligno sempre pesou sobre ele.
Portanto, se era claro que o inimigo que ele precisava enfrentar nesta jornada era alguém que alimentava malícia…
Para Isaac, que já suportara uma pressão intensa, não havia dúvida.
Os cavaleiros que estavam lá tudo correram para o jardim. Ficaram horrorizados ao ver Adrian perfurado na massa de gelo.
"I-isso…!"
Adrian não conseguiu responder depressa. Revelar a localização de Calgart levaria essa terra à ruína.
Boom!
"Aaaargh!!!"
[Frost Explosion] atingiu também o braço direito de Adrian.
"Sua resposta?"
"Por favor… parem… por favor, parem mesmo!"
Boom!
"Arghhh!!"
Isaac usou novamente [Frost Explosion], destruindo a perna direita de Adrian.
Nos jardins, os cavaleiros atiraram suas armas em Isaac. Contudo, Alice interceptou todas usando telecinese.
O olhar de Isaac permaneceu fixo em Adrian.
"Fale."
Isaac olhou bem de perto para Adrian. Sua voz era firme e zombeteira.
Quando Adrian, dominado pela dor, não conseguiu responder, [Frost Explosion] foi lançado na perna restante dele.
Boom!!
Isaac agarrou a cabeça gritando de Adrian.
Seus membros já não funcionavam bem. Adrian desabou.
Finalmente, Adrian, que chorava enquanto ranges os dentes de dor…
"Desculpe… vou contar… por favor, pare… por favor…"
Ele confessou tudo.