O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado

Capítulo 121

O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado


༺ Monólogo (4) ༻


“Como você está aqui…?”


“Hmm.”


Dorothy passou a mão no queixo, observando-me com atenção.


[Tudo No Mundo] e [Intuição Emocional]. Era impossível esconder seus pensamentos e sentimentos internos dela.


Talvez seus olhos possam discernir meu estado até com mais clareza do que eu mesmo.


“…”


Dorothy deixou escapar um sorriso suave antes de sorrir brincando e correr em minha direção.


“Não, dane-se! Consolo pode ficar pra depois! Vamos embora!”

“Huh…? Uahk!”


Dorothy segurou meu pulso e correu escada abaixo pela passarela elevada.


A força fraca, mas irresistível, gerada por sua mana de luz das estrelas, empurrou minhas costas.

Para evitar tropeçar, não tive escolha senão ser puxado à força por ela.


“S-Senior?! Para onde vamos?!”


“Pra qualquer lugar!!”


Com a mão restante, Dorothy pressionou com força seu chapéu de bruxa para que não voasse ao vento.


Descemos as escadas da passarela com pressa, praticamente pulando os degraus.

Um mundo em preto e branco. Sem hesitar, atravessamos a rua onde pessoas tingidas de cinza se movimentavam.


“Vamos pra qualquer lugar!”


Enquanto corria, Dorothy virou a cabeça para mim, revelando seus dentes brancos e um sorriso radiante.


De repente, uma risada escapou dos meus lábios.


Eu mordia meu lábio inferior dormente por um breve instante, depois ri novamente antes de ser puxado por ela.

No fim, essa garota, a única que não havia perdido sua cor, parecia tão radiante.


Mais uma vez, lembrei por que tinha gostado tanto dela na minha vida anterior, como estudante de preparação para o Exame Nacional.


***


Compartilhei várias histórias com Dorothy.


Junto com a história das armas finais escondidas na Academia Märchen, expliquei que esse lugar era parte do teste dado pela arma de rocha.


Também atualizei sobre a situação atual; ainda não tinha descoberto as condições para passar nesse teste e, pelo contrário, minha situação piorava enquanto meu corpo ficava cinza.


E deixei escapar algumas coisas, como se estivesse insinuando que poderíamos discutir os detalhes depois.

─‘Senior, como foi que você veio parar aqui…?’


Quando perguntei assim, Dorothy contou uma história inacreditável.


Ela conseguia vislumbrar diversas linhas de mundo…

E, desde que seus poderes cresceram, ela tinha atingido um nível onde podia até intervir em essas outras linhas de mundo.

Já conhecia a parte de observação.

Pode-se chamar alguém de fã de verdade se não consegue recitar de memória as configurações do personagem favorito?


No entanto, sua capacidade de intervenção era algo totalmente novo para mim.

‘Isso é insano…’

Dorothy era uma existência assustadora além da imaginação.

Embora o Império Zelver a tivesse exaltado como uma gênio rara que alcançariria o nível de Arquimaga em dez anos…

Ela não estava em um nível que pudesse ser avaliado apenas pela inteligência humana.

Ela explicou como deduziu a conexão entre meus comportamentos incomuns e o surgimento de uma nova e estranha linha de mundo, decidindo intervir nesse mundo.

Isso era algo muito além do que eu compreendia… Mas a única coisa na minha mente era o quão incrível Dorothy era.

De maneira casual, Dorothy tirou roupas de uma manequim de loja e foi até o provador para trocar de roupa.

De todas aquelas pessoas, nenhuma prestou atenção nela.

Surpreendentemente, qualquer coisa que ela tocasse tinha sua cor restaurada. Quando ela se afastava, voltava ao preto e branco, porém.


“Como estou, presidente?”


Uma camisa longa, shorts e um cardigã arrumadinho, escorregando pelos ombros.

Um visual reminiscentede época moderna.

Todos os vestidos que ela usava estavam de volta às cores originais.

Ela tinha guardado suas roupas originais na bolsa mágica.

‘Irmã mais velha, você vai acabar comigo.’

Ela era literalmente uma sessão de fotos ambulante.


“Está perfeito.”


“Nihihi.”

Quando dei um positivo tranquilo com o polegar, Dorothy riu alegremente e fez um sinal de V com os dedos indicador e médio.


Antes, quando Dorothy segurou meu pulso e correu na passarela, meu corpo permanecia cinza, inalterado.


Mesmo quando ela colocou a mão no meu ombro como experimento, nada mudou. Minha cor não retornou.


O mesmo aconteceu ao tocar o ombro de uma funcionária da loja. Para referência, Dorothy conseguia tocar outras pessoas normalmente.

De qualquer forma, sua influência parecia não afetar as pessoas. Isso foi bem decepcionante.


Andamos pelas ruas de Sinlim-dong.


Dorothy estava eufórica, exclamando ‘Que delícia!’ enquanto tinha um pirulito roubado da loja de conveniência na boca.

Quão empolgada ela está?


Sua voz transbordava de excitação.

“Roubar roupas, fugir após comer, Nihihi, somos verdadeiros desajustados! Não é meio romântico isso aqui?”


Dorothy segurava o pirulito na boca e murmurava.

Uma voz cheia de alegria. Como esperado da delinquente juvenil que tinha mais infrações na Academia Märchen.


“Não sei se isso é romântico, mas é bem confortável.”


“Righhht~? Mas, presidente, esse mundo que você vivia antes também?”


“Sim. Era assim que parecia.”


“Presidente, você realmente vai além da imaginação. Jamais teria adivinhado que você veio de um mundo completamente diferente.”


Da perspectiva de Dorothy, era compreensível ela ficar pasma ao saber que eu vinha de outro mundo.


Mas, deixando isso de lado…

“…Senior, como conseguiu me encontrar?”


“Detectei sua mana. Procurei em todos os lugares, entende? Consegui te achar focando toda minha força na percepção de mana.”


Tono tranquilo.

Ela tinha mencionado antes que estava exausta ao ponto de quase morrer, por ter se esforçado muito para me encontrar.

Logo que começou o Teste da Arenito, ela provavelmente percebeu a pequena quantidade de mana que emiti ali, restringindo sua busca à Coreia.

E, graças ao [Frostfire] que liberei por bastante tempo, ela conseguiu detectar esse minúsculo sinal e finalmente me localizou.


“…”

Isso me deixou sério. Senti-me realmente triste…


“Então, vamos avaliar a situação.”

Naquele momento, Dorothy bateu palmas, como que sinalizando para eu focar só nela e não pensar em mais nada.


Ela parou o movimento e olhou para o céu cheio de mana de rocha.

“O céu está desabando e, nessa velocidade, tudo vai acabar em três dias. O presidente ficou cinza como as outras pessoas. Nem ao tocar algo você consegue sentir alguma coisa, parece que nem está mais vivo…”


‘Que diabos… Por que ela parece tão confiável?’

Na verdade, Dorothy estava avaliando a situação…!


Será que ela é realmente a mesma Dorothy que ficava tonta só de usar a cabeça um pouquinho?


“Presidente, por enquanto, você precisa ver isso!”


Ela já tinha encontrado uma solução?


“Sim.”


Engoli em seco e escutei atentamente suas palavras.

“Vamos jogar.”

…O quê?


***


De certa forma, a sugestão de Dorothy tinha seus méritos.


O Teste da Arenito criou esse mundo baseado nos meus próprios traumas.

O motivo pelo qual o cenário do mundo e meu corpo começaram a ficar cinza foi, certamente, porque o sentimento de isolamento e o retraimento social durante esse período ficaram mais intensos.

Então, se brincássemos e nos divertíssemos ao máximo, poderia ser que minha condição melhorasse.


Assim…


“Todas as músicas deste mundo estão esperando nesta caixa apertada, não é?! Ó, presidente, o que é essa caixa? Está mudando de cor, hein?!”


Chegamos ao karaokê por moedas.

O motivo era que Dorothy, que amava músicas especialmente, queria aproveitar ao máximo o que esse mundo tinha para oferecer.

…Na verdade, tinha até uma suspeita de que ela só quisera sugerir isso porque queria cantar.


Ao entrar na cabine e ver a máquina de karaokê, Dorothy ficou bastante impressionada. Parecia que eu tinha virado um pai levando sua filha pequena para conhecer o mundo.


“Senior, você não conhece essas músicas?”


“Ouvi várias enquanto passeava por aí. São incríveis~. Gostei das músicas daqui!”

Era bastante comum ouvir músicas ao caminhar na rua.

Parece que, enquanto ela viajava pela Coreia procurando por mim, Dorothy parou de vez em quando para curtir várias canções.


Se Dorothy fosse coreana, com certeza teria sonhado em ser cantora.

Ela tinha uma mémoria extraordinária e talento nato para cantar.

“O que é essa vareta esquisita?”


“É um microfone. Uh, um alto-falante.”


“Ah, ah–.


“Ooooh!”


Quando Dorothy segurou o microfone e fez alguns sons, sua voz magnífica ressoou no espaço. Era divertido vê-la impressionada.


Dorothy e eu sentados lado a lado na cabine estreita, conversando.


Era tão divertido ver Dorothy fascinada pela cultura moderna.


“Ah, presidente. Você conhece essa música?”


Ela aclarou a garganta e pigarreou uma sílaba só.


Reconheci na hora e apertei o botão do controle remoto para tocar a música.

「Violet Fragrance – Kang Susie」


Quando a música começou a tocar, preenchendo a cabine, a cabeça de Dorothy se mexeu intrigada. Mas logo ela ficou animada, corada e sorriu brilhantemente para mim.


Ela imediatamente se levantou, segurando o microfone com as duas mãos.

No ambiente do karaokê, a atmosfera desconfortável do início, comum na primeira música, se instaurou.

E a máquina começou a exibir um videoclipe aleatório.

‘O que é isso? Por que aparecem pessoas e animais estranhos?’


“Ignore isso.”


“O-okay…!”


Eventualmente, apareceu na tela o primeiro verso.

Ela parecia não entender completamente a letra exibida, mas isso não parecia incomodá-la.

Dorothy respirou fundo, fechou os olhos com um sorriso e entrou na música.

Então… 3, 2, 1.

“Você veio até mim suavemente~ como uma luz violeta~.”


Ooooh…!


De repente, meu coração acelerou, enquanto meus punhos se cerraram.

À medida que o belo canto de Dorothy se transformava em uma melodia fluida, meu paladar auditivo recebeu uma satisfação imensa.

Ufa. Apesar de não sentir tato, era um alívio saber que ainda podia ver, ouvir e cheirar…!


‘Minhas orelhas estão sendo abençoadas…!’


Heup.


Eu protegi minha boca. Parecia que ia me emocionar até às lágrimas.

Afinal, seus gestos podem ser delicados, mas ela é simplesmente linda…!


“Você éeee~!! A que me deu~ amor~!”


Até suas notas agudas foram perfeitas.

Enquanto a aplaudia, Dorothy estendeu o braço em minha direção, fazendo um sinal de V com os dedos indicador e médio.

Sorriso tímido dela parecendo tão feliz que também elevou meu ânimo.


Logo após, a interpretação de Dorothy de 「Violet Fragrance – Kang Susie」 terminou e a máquina de karaokê exibiu uma pontuação de 97 pontos.

Esse aparelho atrevido teve a ousadia de dar uma nota que não foi 100 pontos perfeitos para a apresentação da Dorothy?

Quão burro e insensível esse troço pode ser?


“Nhiihi! Foi divertido!”

…Você tem sorte que Dorothy está feliz. Graças a ela, você vai passar mais um dia vivo.


“Senior, eu também quero cantar.”


“Presidente, essa é a primeira vez que você vai cantar na minha frente?”


“Não conhecia bem as músicas daquele mundo. Conheço essas aqui bem.”


“Nihihi, tá bom!”


Levantei-me e toquei 「Trip To Myself – Buzz」.


Planejava cantar todas as músicas que escutei nos momentos difíceis na minha fase de estudante de preparação.


Um som de baixo bem familiar.


Depois, a bateria explosiva e a guitarra elétrica.

Agora, 3, 2, 1.

“Se! Você correr até o fim daquele mar azul~!”

“Oooh, presidennnt! Óh, meu~!”

“Lá com o cavalo~!”

Sim! É isso aí!


A sensação de sufocamento, semelhante a um vaso entupido, explodiu ao ser liberada das emoções presas.

Assim como eu, Dorothy animadamente moveu o corpo de cima para baixo, seguindo o ritmo.

E, no trecho de auge, quando segurei o estômago e gritei com gestos de pura empolgação, ela explodiu em risadas.

Depois de terminar o primeiro verso e passar para o segundo, ela entrou na música, captando de imediato o clima.

Dançamos juntos e, no clímax, gritamos as notas altas em uníssono.

“Do longe, você é minha luz do sol! Estávamos juntos~!!”

Estava sorrindo por tanta diversão. Ouvi a risada de Dorothy misturada com o som da música.

E assim, chutamos o chão, pulando como loucos.

E enquanto Dorothy, que de alguma forma conhecia várias músicas, cantava hits famosos no seu próprio estilo…

Eu também cantei todas aquelas canções que me confortaram na vida de estudante de preparação, à vontade.

Foi muito divertido.


◆ ◆ ◆


Ai, minha garganta dói.


Mas, bem, ainda assim foi divertido.

Apesar de tudo, não devia estar dizendo isso enquanto via o cenário do mundo acabando.


“Foi tão divertido! O que achou, presidente? Seus ouvidos foram abençoados?”


“Sim. Sério, acho que mesmo se eu morrer hoje, não terei arrependimentos.”


“Ótimo! Essa resposta foi perfeita!”

Mesmo tendo cantado tantas notas agudas, a voz de Dorothy ainda estava perfeita.

Claro que sim. Por que não estaria? Uma deusa perderia a voz só por cantar uma música feita por um humano? Claro que não.

Chegamos ao parque e nos sentamos lado a lado em um banco, olhando para o Céu Descendente.

Meu corpo estava bem pesado e duro agora. Parecia que não conseguia me mover com liberdade mais.

Parecia que a petrificação do meu corpo real havia avançado bastante.


“Presidente.”


“Sim.”

“Se você morresse hoje, o que gostaria de fazer?”

De onde veio essa pergunta…? E que tipo de pergunta era aquela…?


“Não acho que seja uma pergunta muito auspiciosa…?”

Não precisa indicar desgraça assim…


“Mesmo assim, a cena de um mundo se acabando assim não é algo que se vê facilmente por aí, né? Não é má ideia se entregarmos às nossas emoções nesse momento.”


“…O que você quer fazer, senior?”


“Comer frango enquanto assiste o mundo acabar?”


“Por quê frango?”


“Porque é delicioso.”


Com uma resposta tão simples, fiquei sem palavras por um instante.

Claro que concordava que frango era delicioso, embora.


“E você, presidente?”

“Ainda não pensei nisso. Afinal, não pretendo morrer tão cedo.”


“…Você é sem graça.”


Dorothy riu baixinho, mas não continuou a conversa.


Pousamos em silêncio por um tempo.


De repente, algo macio e flexível se enfiou entre meus dedos.


“…?”


Parei, virei a cabeça e olhei para minha mão, que tinha sentido tal sensação.


Dorothy estava segurando minha mão, que havia colocado na cadeira, com seus dedos entrelaçados com os meus.


Enquanto eu olhava boquiaberto para Dorothy, seu sorriso radiante, brilhando como luz das estrelas, se refletia nos meus olhos.


“Agora você consegue sentir o tato, né? Estava apenas testando como experiência.”


“…”


“Presidente, sua cor voltou.”


Um mundo tingido em preto e branco.

Antes que eu percebesse, meu corpo, assim como o de Dorothy, recuperou sua cor original.

Comentários