
Capítulo 56
O Mais Fraco da Academia Virou um Matador de Demônios Limitado
༺ Prólogo (6) ༻
Assim que a reversão do tempo terminou, me encontrei em uma sala simples e estreita.
O leve aroma de madeira e um cheiro terroso invadiam o ambiente através da janela aberta. Parecia que a chuva havia parado há pouco tempo.
Ao olhar para fora, vi uma vista panorâmica do céu clareando as nuvens escuras sobre uma vasta paisagem de vegetação. Um arco-íris se estendia pelo céu.
Era uma visão familiar, um cheiro familiar.
Embora fosse a minha primeira vez aqui, senti-me cada vez mais em casa, como alguém mergulhado na nostalgia.
Onde estou?
Instintivamente, eu sabia a resposta.
‘É minha casa, a casa de Isaac.’
Devido ao Relógio Fântasma reverter o tempo na proporção da aceleração do mesmo, tinha viajado mais de dois anos para o passado.
Estava vestido com uma camisa simples de cor marrom. Ao levantar a bainha, meu abdômen congelado ficava claramente visível.
Parecia que eu ainda não tinha passado na provação, considerando que não tinha retornado à caverna envolta em nevascas.
‘Ainda não.’
Ainda não acabou.
Suspeitava que aquele lugar seria onde a provação terminaria. A aceleração do tempo, sua reversão, e o passado de Isaac. Essa sequência de eventos seria a resposta para superar a prova.
Impediu-se a ressurreição do Deus Maligno, mas isso era apenas um passo para alcançar este rito de passagem final.
De repente, uma nota sobre a mesa chamou minha atenção. Uma solicitação de alguém dizia: “Por favor, não odie sua irmã mais velha”.
Não sabia de quem era a letra, mas aquilo trouxe uma forte sensação de nostalgia.
Abri a porta e saí para o corredor. Num corredor estreito, uma jovem de longos cabelos prateado-azulados estava encostada na parede.
Olhos vermelhos. Os mesmos que os meus.
“Se estiver pronto, vá. Não suporto vê-lo assim.”
Voz baixa. Naturalmente, sabia quem era aquela mulher.
Era a irmã de Isaac.
Ela fechou os olhos suavemente. Depois de dizer aquelas palavras, esclareceu que não queria mais falar comigo.
Não conhecia toda a história, mas respeitei seu desejo e comecei a atravessar o corredor sozinho.
O piso de tábuas de madeiraRangeava a cada passo. Esta casa era bastante antiga.
‘Eu sei quem sou…’
Uma voz de choro de um homem passou pela minha mente de forma nítida. Ao mesmo tempo, senti-me atraído na direção das escadas.
Saí pela porta e subi as escadas de madeira, que mostravam sinais de terem sido reparadas uma ou duas vezes.
‘Sou um lixo inútil, eu sou…!’
Segurei minha cabeça pulsante. Uma voz familiar, embora nunca a tivesse ouvido antes, soava de forma intermitente na minha cabeça.
‘Por que a mamãe teria orgulho de um desprezível como eu?’
Ao chegar ao segundo andar, uma sótão entrou na minha visão.
‘Sou um inútil, mamãe. Um inútil, inútil... Não tenho talento algum. Sou como um figurante em uma peça.’
Treis cortinas de seda branca tremulavam na brisa do início do outono.
Diante das cortinas, numa cama velha e rasgada.
Uma mulher de cabelos prateado-azulados permanecia imóvel como um cadáver, olhando para o teto.
Um par de braços magros descansava sobre o cobertor que cobria o corpo.
Ela era magra. Não havia vida nem vitalidade na corpo daquela mulher.
‘Desculpe, mamãe. Desculpe... Tudo o que eu sou é um inútil.’
“Você está aqui, Isaac…?”
Meu coração tremeu. Não era minha emoção, mas a de Isaac. A memória de um arrependimento intenso que permanecia neste corpo reagiu àquela palavra singular.
A mulher de cabelos prateado-azulados olhou para mim e esforçou-se para sorrir de forma fraca. Ela fez um gesto para que eu me aproximasse. Suas mãos eram finas, com a pele grudada aos ossos.
Aproximei-me lentamente. Ao lado da cama, havia uma cadeira de noz, preparada para que alguém pudesse sentar-se a qualquer momento.
“Desculpe chamá-lo aqui… Por que não se senta…?”
A voz da mulher quebrou-se como um campo seco e sem umidade.
Voltei ao momento em que aquela mulher chamou por mim. Pensando nisso, sentei-me.
Não foi difícil adivinhar quem ela era. Cabelos prateado-azulados e olhos vermelhos. Isaac se parecia muito com a mãe.
Fora da janela, podia ver uma cerejeira de tamanho moderado. As folhas balançavam ao vento, parecendo que poderiam cair a qualquer momento.
“Quer segurar minha mão…?”
Segurei a mão magra da mulher.
“Chamei você aqui porque quero te contar algo…”
A mulher, que parecia que apenas um piscar era um luxo, olhou para meu rosto, capturando cada instante com seus olhos, saboreando cada momento passageiro.
“Era quando meu Isaac tinha apenas 8 anos…”
Ela relembrava. Sua expressão parecia profundamente pensativa, relembrando uma memória preciosa.
“Naquela época, minha mãe brincou comigo. E se minha mãe se tornasse uma grande cavaleira ou uma feiticeira poderosa e precisasse partir para proteger as pessoas…”
A mulher sorriu de forma fraca.
“Porque você era uma criança vivaz, você… Achei que iria rir de mim por ser tão absurda. Mas você se lembra do que disse…?”
“…Você não disse nada. Só… chorou bastante, com lágrimas escorrendo pelo rosto.”
A mulher sorriu com força, seu rosto transbordando felicidade.
“Naquele momento, achei que tinha uma mãe muito abençoada… por ter um filho tão adorável ao meu lado…”
“Obrigada por ter nascido, Isaac. Para mim, você sempre foi meu filho muito precioso…”
“…
A voz que ecoava na minha cabeça enquanto caminhava pelo corredor rangente e subia as escadas voltou a ressurgir na minha mente.
Era a voz de Isaac.
Ao ouvir as palavras da mulher agora há pouco, Isaac só conseguiu chorar, diminuindo-se, incapaz de suportar o que sentia. Ele dizia à sua mãe que partia que não era digno de ser chamado seu filho orgulhoso.
Na sua memória, a mulher acariciava a cabeça de Isaac e balançava a cabeça com um sorriso.
Por mais que Isaac dissesse algo, para ela, ele sempre foi o filho pelo qual tinha orgulho e que amava profundamente.
O arrependimento e o trauma de Isaac grudaram nele como lama na chuva. A prova final para concluir essa provação era superar seu arrependimento devastador.
A última palavra que ele disse à sua mãe que partia foi de autodepreciação.
Isaac achou aquilo pateticamente insuportável.
Não precisei pensar muito no que tinha que fazer.
Porque as palavras que Isaac desejou dizer estavam listadas na minha cabeça, era só repetir elas.
Com um sorriso suave, peguei sua mão na minha.
Meus lábios começaram a tremer levemente.
“Sim, você é muito abençoada, mamãe. Você teve um filho perfeito como eu.”1 T/N: Quando Isaac diz “perfeito” (잘난) aqui, a palavra também tem um duplo sentido, podendo significar “sem valor”.
“Já te contei isso? Estou tentando entrar no Departamento de Magia da academia mais prestigiada do nosso país. É um lugar só para talentos excepcionais. Vou estudar e aperfeiçoar minha magia lá, com a meta de me tornar um Arquimago que nem mesmo o Império se atreveria a desafiar.”
“…”
“Porque você deu à luz alguém como eu, mamãe, você realmente é uma pessoa incrível.”
Sorri radiante.
“Para mim, mamãe é a pessoa mais amorosa e admirável do mundo. Obrigado por ter me dado à luz, mamãe.”
Lágrimas começaram a surgir nos cantos dos olhos dela, brilhando em suas pupilas sem vida.
Por fim, ela sorriu intensamente. As lágrimas transparentes que se acumulavam escorreram suavemente por suas bochechas.
Ela parecia estar em paz.
O som da brisa de início de outono, as cortinas tremulando.
Silêncio.
Uma única folha de bordo caiu naturalmente da árvore de bordo, levada pelo vento. Assim funciona a natureza.
O destino de um figurante despretensioso em ❰Cavaleiro Mágico de Märchen❱, que passou despercebido na peça, pode ser apenas uma folha caindo.
Incapaz de impressionar alguém ou alguma coisa.
Insignificante e sem sentido.
Uma vida sem o holofote.
Mas até mesmo aqueles privados de seu momento de destaque têm suas próprias histórias.
A história de Isaac foi uma dessas, gravada profundamente na minha memória.
Antes que sua mãe falecesse, Isaac, que tinha chorado e se diminuído, decidiu sua vontade e virou seu olhar para a Academia Märchen.
Como não tinha talento para magia, mergulhou fundo nos estudos teóricos, com o objetivo de se destacar na teoria.
Depois de fazer escolhas cuidadosas e dedicar-se bastante, Isaac conseguiu entrar na Academia Märchen.
Mas aquilo foi apenas um golpe de sorte. Quando entrou na academia, Isaac foi levado ao limite e percebeu o quão fraco realmente era. Tornou-se motivo de zombaria entre os demais estudantes.
Isaac ficou ainda mais frustrado ao ver o crescimento de Ian, mesmo ambos estando no Grau E de mana.
No final, durante as férias da academia, Isaac partiu numa longa jornada do qual nunca mais retornaria a este mundo, seguindo sua mãe.
O motivo do desaparecimento de Isaac em meio a ❰Cavaleiro Mágico de Märchen❱ foi por ele ter desaparecido.
Um figurante. Isaac era apenas isso, um figurante.
Porém, mesmo assim, tinha uma história, uma história de um homem chamado Isaac.
Este momento foi o prólogo de uma história que Isaac, um homem que desejava sair de um figurante para protagonista, nunca conseguiu contar.
A mulher sorriu e fechou os olhos. Eu aproximei minha testa suavemente da dela e fechei os meus também. Permanecemos em silêncio, apreciando a brisa suave de outono.
Despedi-me da mulher que partia para sua jornada final.
O vento frio passou por minhas roupas de inverno, congelando meu corpo inteiro.
Mas, apesar da dor parecida com uma faca cortando minha pele, segui em frente.
Minha visão encheu-se de escuridão total e uma nevasca furiosa.
Vi um feixe de luz. Tudo que tinha a fazer era seguir em frente sem hesitar.
Superei a provação ao atravessar o trauma de Isaac. O mundo estava desmoronando, e ao fechar e abrir meus olhos, me encontrei de volta à realidade.
Meu rosto estava rígido. Meu lábios tinham ficado azuis. Todo o corpo tremia, e um calafrio percorreu minha espinha.
Tudo que consegui foi uma respiração curta na boca. Minhas pernas já estavam dormentes, mas continuei me esforçando, sabendo que se parasse ali, tudo chegaria ao fim.
A luz se aproximava cada vez mais. Muitas partes do meu corpo já estavam dormentes, e senti vontade de desabar imediatamente. Mas não podia parar, pois meu objetivo se aproximava cada vez mais.
Fechei os olhos mantendo o rumo. Apesar de estar sem fôlego, continuei caminhando, dando um passo de cada vez.
Quando a escuridão finalmente se dissipou, mal consegui abrir minhas pálpebras pesadas.
Mana azul pálida rodava no centro do cômodo, com uma foice azul-marinho flutuando no meio dela.
Caí para frente à medida que as pernas perderam completamente a sensação.
Rastejei adiante, arranhando as mãos no chão gelado. As luvas grossas continuavam incomodando, então joguei-as fora e continuei a rastejar com minhas mãos brancas pálidas.
À medida que perdia a sensação nos dedos, continuei rastejando usando o rosto e os dentes para avançar.
Finalmente, cheguei à fonte da mana gelada.
Como resultado, meu corpo começou a congelar rapidamente. Felizmente, minha pele atingiu um estado em que não precisava mais me mover.
Meus braços estavam dormentes. Mas os músculos do antebraço e do ombro deviam ainda estar utilizáveis.
Consegui levantar quase que por impulso o braço e alcançar a Frostscythe.
Meu braço congelou. O ar frio cortou minha pele, deixando-me congelado.
No entanto, não parei. Continuei estendendo a mão enquanto repetia para mim mesmo: “Só mais um pouco, só mais um pouco.”
E, finalmente, minha mão…
…Travessou a mana congelada e tocou na Frostscythe.
“Consegui…!”
Devido ao frio intenso, nem conseguia pensar direito, minha cabeça começava a congelar também. Um lado do meu rosto já havia sido consumido pelo frio, distorcendo minha expressão.
Só de pensar em pegar a Frostscythe…
…Me fez sorrir com orgulho.
[Você passou na Prova do Gelo com força de vontade e resistência mental!] [Parabéns, você adquiriu a Recompensa da Prova [Gelo de Hilde]!] [Você obteve a habilidade ativa única [Autoridade Divina - Noite Branca]!] [Você obteve a habilidade ativa única [Hilde’s Frostscythe], [Autoridade Divina – Noite Eterna]!] [Você obteve a habilidade única [Majestade do Soberano do Gelo]!] [Você recebeu a habilidade ativa única [Zero Absoluto]!] [Você adquiriu a habilidade ativa única [Congelamento Relâmpago]!] Notas de rodapé:
- 1T/N: Quando Isaac diz “perfeito” (잘난) aqui, a palavra também pode ter duplo sentido, significando “sem valor”.