
Capítulo 32
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Leonia realmente não tinha planos definidos para o que fazer com a história original agora. Ela não queria ficar falando besteiras de que precisava assumir a liderança e corrigir a história original, pois já havia feito mudanças significativas na narrativa inicial. Era quase como se ela fosse desaparecer em breve. Ela vivia com um pai rico, poderoso, bonito e musculoso, mas o fluxo da história original não era lá muito importante para Leonia.
Mas ela estava vivendo em um mundo fictício, então precisava saber.
O problema é que não há muitas maneiras de verificar isso.
Primeiro, a idade dos protagonistas principais não era mencionada na novel. Apenas o fato de que o protagonista masculino é mais velho que a protagonista feminina, que ambos possuem habilidades muito superiores para a idade, ou que eles não envelhecem com o passar do tempo. Como acontece com protagonistas de romances de fantasia, a idade não é mencionada.
Para eles, idade era apenas um número.
'Exceto por uma pessoa.'
Uma pessoa que odeia até Pelliot e o Marquês Pardus, que não combinam entre si. Era o príncipe herdeiro. O primeiro dia do banquete de aniversário de 16 anos do príncipe foi o começo da novel [Varia da Fera Negra].
Então, a idade de Pelliot, que Leonia pergunta agora, era uma espécie de pedra angular para perguntar ao imperador. Pode parecer estranho que uma filha ilegítima, recém-tornando duquesa, de repente pergunte sobre o príncipe e a família imperial. Ela, na verdade, tinha curiosidade.
'Isso…….'
A maior razão pela qual Leonia se esforçava tanto era por causa do Marquês Pardus, que observava a relação pai-filha com olhos curiosos. Leonia não queria mostrar nenhuma estranheza ao Marquês Pardus. Ainda se sentia incomodada com o olhar dele, que parecia penetrar até a alma. Então, ela lentamente olhou para ele com uma expressão irritada.
No entanto, o homem só sorriu.
'Incomodando.'
Da novela, ele era uma pessoa charmosa e talentosa, mas na realidade, o Marquês que ela conhecia era mais um senhor muito mal-humorado, mais próximo de um avô do que de alguém jovem. Além disso, a antipatia aberta de Pelliot era evidente, e sua filha Leonia também não via o Marquês Pardus com bons olhos.
'Inimigo do pai é inimigo da filha!'
A cabecinha dela se agitava vigorosamente.
Havia outro motivo para ela se sentir desconfortável. O Marquês logo descobriria que Leonia era filha de Regina, se quisesse.
Porém, para não tocar no coração da fera negra, ele não investigava informações relacionadas à família Voreotti sem autorização do Mestre. Por isso, ele observa com seus próprios olhos a pequena garota, que apareceu de repente com o nome de Leonia Voreotti. Para descobrir tudo o que conseguir.
"Você perguntou muito cedo."
Leonia, que havia ficado encarando o marquês por um longo tempo, virou a cabeça. Os olhos de Pelliot que ela encontrou pareciam mais perguntar por que ela não tinha perguntado até agora. Por outro lado, parecia que Leonia tinha interesse nele e lhe perguntava. Era uma prova, de seus lábios relaxados, que estavam levantados de modo descontraído.
"Então, você perguntou agora."
Leonia sorriu com uma risada carrancuda, enquanto Pelliot batia levemente nas costas da criança. De algum modo, a filha inteligente sabia bem que Pelliot era um pai muito gentil. Ela sorriu novamente, e Pelliot abriu logo a boca.
"Vinte e sete."
Ao ouvir a idade dele, Leonia abriu a boca de surpresa.
E gritou alto.
"O quê?"
Pelliot e as pessoas ao redor se assustaram com o grito forte. Em especial, Pelliot, que estava tão próximo do rosto dela, sentiu suas orelhas latejarem. Questionou-se se a comida que tinha comido até então tinha ido para a garganta dela, não para a altura.
"Sério? Sério mesmo?"
Leonia bateu palmas, agitada.
"Pai, você está mentindo?"
"Por que ficou tão surpresa?"
Pelliot, que falava como se estivesse objetivamente ciente de que tinha um rosto bonito, não fez drama. Era como um zumbido a pairar em seus ouvidos, mas era bastante agradável ser reconhecido como bonito pela filha.
Leonia levantou a mão.
"Achei que o pai tinha mais de 30 anos!"
Depois balançou seu rosto para cima e para baixo.
Com comportamento frio, tom de voz tranquilo e uma expressão de cansaço, como se tivesse vivido três ou quatro vidas, Pelliot Voreotti, que Leonia tinha visto de perto, parecia ter passado facilmente dos 30.
"Como assim, a cara de quem tem vinte e sete?"
Leonia ainda estava em choque, enquanto continuava a mover cruelmente o dedo sobre o rosto dele.
"……."
Pelliot permaneceu em silêncio.
E isso funcionou muito bem.
Ele nem chegou a mostrar os dentes do animal, mas uma atmosfera feroz e gelada atravessou o jardim da mansão Kerata, onde pai e filha estavam. Todos ao redor, exceto Leonia, ficaram aterrorizados e abaixaram a cabeça. Pavo suava muito, rezando fervorosamente para que a jovem Senhora mantivesse a boca fechada, e o Marquês Pardus escondia o neto assustado atrás de si, tranquilizando-o de que estava tudo bem. Enquanto isso, o próprio marquês se contenha para não rir com toda a força.
"Ai, meu Deus…!"
Ele não conseguiu suportar e quase chorou.
"O velho está morrendo, morrendo..."
"UAAHH! Não morra, vovô!"
A atmosfera ficou ainda mais tensa quando o neto do marquês começou a chorar.
"Aahkk!"
Ao mesmo tempo, Pelliot deu um soco na cabeça de Leonia.
Foi a primeira vez que ela levou uma palmada na vida.
* * *
Leonia, de volta à mansão do duque Voreotti, mostrou para Kara a testa alta e sentida.
"Vovó Kara! Olha só isso!"
O filhote de fera, que tinha até os calcanhares, choramingou.
"Não, meu Deus! Que caroço é esse?"
"Papai me bateu."
Até falou com uma expressão triste, como se estivesse magoada.
"Pois é, você mereceu."
De repente, Pelliot, que estava atrás de Leonia, resmungou e olhou para a filha. Ofendida pela primeira punição, ela cruzou os braços e revelou sua insatisfação.
"E o papai também? Como alguém duas vezes mais forte que os outros pode bater na própria filha?"
"Você anda passando por cima das pessoas mais esses dias?"
"Eu não estou passando por cima de ninguém?"
"Se não consegue falar…"
Engolindo as palavras que provavelmente ele não odearia, ele pegou Leonia e sentou-se no sofá.
"Está doendo?"
"Sim."
"Não dói."
"Papai, sério……."
A séria Leonia resmungou, achando que sua testa estava rachando e doendo demais.
Pelliot tinha uma expressão amarga. Sentia-se incomodado por ter batido na pequena. Uma mancha vermelha na testa redonda e branca dela. Não era a primeira vez que ela tinha mexido com ele, mas ele não aguentou e levantou a mão. Sentia nojo de si mesmo a ponto de querer morrer.
Pelliot acariciou suavemente a testa da filha. Como pôde bater nessa criança tão pequena?
"Por que é minha culpa que o rosto do papai esteja seco?"
Felizmente, sua piedade filial dispersou seu coração pesado como uma pena. Pelliot agradeceu e pressionou forte a protuberância. Logo, um grito baixo ecoou. Ignorando as queixas dela, que choramingava de dor, mandou Kara trazer um ungüento. E passou o creme na protuberância da criança.
"Ugh, que cheiro……!"
As sobrancelhas de Leonia franziram com o aroma de ervas que ardia seu nariz. Pelliot, achando graça, colocou o dedo, mergulhado no creme, perto da narina da filha. Leonia, que sentiu o cheiro das ervas e percebeu o amor do pai para que ela melhorasse logo, fez careta. O nariz dela torceu, e por fim Pelliot deu de ombros e riu um pouco.
"…… !"
Os funcionários ao redor ficaram silenciosamente assustados. Achavam que ninguém no mundo tinha visto que o Duque Voreotti poderia rir daquela forma.
"Por que você está rindo de novo!"
Porém, com as palavras de Leonia, todos perceberam que aquilo que tinham acabado de ver era real. Até Leonia, que era casual, tinha visto o sorriso de Pelliot muitas vezes. Na verdade, ela levantou o punho no ar, dizendo para ele não rir.
"Certo, quem quer se meter com você?"
"Ser criança é bom!"
"Não abuse da sua inocência infantil."
Pelliot, que aplicou o creme, secou as mãos com a toalhinha que veio junto. Os lábios de Leonia se projetaram como um bico de pato, enquanto ela observava o líquido azul-claro, que lentamente se infiltrava na toalha. Tinha um cheiro ruim, e só aí ela percebeu que sua testa também tinha aquilo.
Pelliot, que dispensou os criados, deitou-se preguiçosamente no sofá. Leonia o observou, depois se moveu lentamente. Encostou as costas no pai, deitou frouxamente em seu peito, e ele envolveu seus braços apertados ao redor da cintura dela. Era outro espaço reservado para Leonia.
"Aliás, não posso acreditar que meu pai tem vinte e sete anos……."
Quando a paz voltou, uma cascata de choque, que já tinha sido esquecida há um tempo, se manifestou de novo. Olhando de relance, Pelliot contou com insatisfação, enquanto olhava para o topo da cabeça da filha, ainda sacudindo de descrença. Enquanto isso, pensou que o cabelo de Leonia estava lindo hoje.
"Minha filha é tão boa que querendo fazer outro caroço."
"Não, é porque o papai é tão bonito."
Leonia apressadamente acrescentou suas desculpas.
"Achei que você tinha mais de 30 porque é tão bonito e elegante! Se já tem esse rosto nessa idade, quanto melhor ficará quando envelhecer? Vai acabar apagando o monstro com esse rosto. Eu também pareço com meu pai, vou ficar bacana depois, né?"
Ela acalmou o coração do pai falando de um jeito que ela normalmente não usaria. É um tom exagerado, com forte intenção de esconder os erros, independentemente de quem ouvisse.
Felizmente, a maior parte das desculpas de Leonia era verdadeira, então tinha um pouco de sinceridade.
"Que besteira é essa que você está falando?"
"Então por que você está colocando bala na minha boca?"
Como se seu charme tivesse dado certo, Leonia, que mordeu a bala, lambeu os lábios.
"…… Huh?"
No momento em que ela ia se encantar com a doçura da morango, um pensamento que surgiu de repente atingiu a testa torta de Leonia.
"Pai!"
"Você me assustou, por quê?"
Pelliot perguntou com uma expressão nada surpresa.
"Então quem foi que me deu à luz?"
"O quê?"
"Minha tia! Quem é minha mãe? Quanta idade ela tinha quando fugiu?"
As únicas pessoas na sala no momento eram ela e Pelliot, mas, caso alguém pudesse ouvir, Leonia sussurrou suavemente.
"……."
Pelliot se encolheu. Uma expressão de embaraço surgiu em seus olhos escuros e preguiçosos. Com a reação, Leonia, que se recostou, também se levantou e olhou para o pai.
"…… dezoito anos."
Pelliot contou, meio atrasado, os anos que passaram desde a última que lembrava de Regina. Regina, que saiu fugida, apaixonada por um cavaleiro errante ou algo assim, tinha 16 anos na época, e isso foi há cerca de dez anos.
E Leonia tinha agora sete anos.
"…… loucura."
A conta saiu rápido. Diante da filha, Pelliot, que sempre cuidou para falar e agir com cuidado, soltou palavras duras pela primeira vez. Regina engravidou aos 18 anos e deu à luz Leonia. Sua prima, cheia de romance, revivia essa lembrança de modo cruel outra vez.
"Uau……."
Leonia, ao fazer as contas também, teve pensamentos semelhantes aos de Pelliot.
Na verdade, ele tinha uma ideia um pouco diferente.
"Pai."
Ela chamou Pelliot.
"Ela era cheia de sonhos e esperanças."
"…… Ela era."
"Devia estar transbordando de inocência infantil."
Pelleot franziu a testa profundamente. Leonia, que insistiu de novo agora, disse:
"Minha inocência de criança…"
"Não a deixe crescer."
Pelliot respondeu imediatamente.
"Não adianta nada na vida."
Não era algo que uma pessoa que tinha sido descuidada ao criar uma criança diria, mas, para ele agora, isso não importava. Era igual para Leonia.
"Mesmo que eu morra, não quero te ver grávida aos 18."
Antes disso, ele pensava em triturar o outro homem finamente e alimentar como comida de monstro. Leonia concordou com uma expressão séria, apertando a mão escondida atrás, feliz por finalmente ter escapado. Era seu primeiro momento de gratidão pela mãe que a trouxe ao mundo.