O Estalajadeiro

Capítulo 2149

O Estalajadeiro

Zagan era um Imortal Celestial, mas obviamente isso era apenas resultado da tribulação espiritual enganando-o. Ele não poderia ser um Imortal Celestial ainda. Apenas sobrevivendo a todos os cenários bizarros que sua tribulação espiritual lhe mostrasse é que ele teria chance de realmente se tornar um Imortal Celestial.

Foi no meio desses pensamentos que ele sentiu uma aura familiar, porém estranha. Por um momento, Zagan ficou confuso. Como ele poderia sentir uma aura assim? Como ele poderia estar ali?

— Zagan, o Rei dos Oceanos, acorde do seu sono — falou uma voz imponente.

Zagan já não era mais forçado a obedecer às ordens de Vinei, mas um hábito que estava profundamente enraizado em seu ser por milhões de anos não era algo que simplesmente desaparecesse. Apesar de seus melhores esforços para manter o foco, Zagan não pôde evitar abrir os olhos e se levantar bruscamente ao ouvir aquela voz.

Uma fênix negra apareceu em seu campo de visão, seu corpo exalando uma aura inegavelmente profunda e poderosa. Nessa ilusão, ambos estavam no início do reino Imortal Celestial, mas Zagan não podia se comparar ao poder de Vinei.

— O sombrio — Zagan sussurrou com uma mistura de medo, reverência e incredulidade. Essa maldita tribulação espiritual estava ficando cada vez mais bizarra. O que o sombrio estaria fazendo ali dentro da Pousada? Era sabido que o sombrio sempre permanecia nos templos ocultos nas profundezas do Reino Cristalino.

Na verdade, não apenas a presença do sombrio ali confirmava a teoria de Zagan de que ele estava dentro de uma tribulação espiritual, como também o convencia plenamente disso, uma vez que não sentia aquela necessidade profunda e inegável de obedecer a todos os desejos do sombrio. A ausência desse sentimento deixava claro para Zagan que o sombrio não estava realmente ali.

Mas Zagan não podia agir de outro modo. Ele tinha que fingir que não percebia e seguir as regras da tribulação. Isso ele já havia aprendido.

— Conte-me sobre a Pousada da Meia-Noite e como você passou no teste de emprego — disse Vinei, sem se preocupar em ser educado com Zagan. Em seus olhos, ele já via incredulidade.

Zagan, acompanhando a tribulação espiritual, relembrou tudo o que vivenciara dentro da Pousada da Meia-Noite.

— A essência do teste de emprego da Pousada da Meia-Noite pode ser resumida em dois princípios centrais! Primeiro, sempre pensar em como a Pousada pode beneficiar os hóspedes! Segundo, sempre ter fé nas palavras do Pousada. Enquanto esses dois princípios centrais forem seguidos, o teste não deverá ser um problema.

Vinei ponderou profundamente sobre aquelas duas instruções. Pareciam simples o suficiente e seguiam o tipo de lógica que ele sentia em Lex, que desconsiderava tudo que não estivesse afiliado à sua Pousada.

Depois de repetir mentalmente aqueles dois princípios algumas vezes, Vinei retirou sua chave de platina e a uso, desaparecendo do campo de visão de Zagan.

Assim que Vinei partiu, Zagan zombou. Era para ele acreditar que o sombrio queria entrar na Pousada da Meia-Noite? Essa tribulação espiritual estava ficando ainda mais inacreditável. Se isso realmente acontecesse algum dia, isso não faria de Zagan o superior do sombrio? Como se algo assim fosse possível.

Ele simplesmente fechou os olhos e voltou a meditar, mas isso era mais fácil dizer do que fazer. Afinal, ele não parava de rir baixinho ao pensar no sombrio querendo entrar na Pousada da Meia-Noite.

Enquanto isso, Vinei abriu os olhos e se viu de pé diante de um hóspede ajoelhado.

— O Pousada ORDA QUE VOCÊ MATE ESTE HÓSPEDE! — trovejou uma voz ecoando pela sala, fazendo Vinei congelar.

Era, o que ele deveria fazer? Deveria cuidar do hóspede ou deveria ouvir o Pousada?

Vinei olhou ao redor em busca de pistas sobre o que deveria fazer, mas só viu armas com as quais matar o hóspede à sua frente.

Vinei não sabia exatamente como tinha feito aquilo, mas tinha a sensação de que se complicara de alguma forma.

Enquanto isso, Lex diante de 1,2 trilhão de hóspedes, confuso com o que estava vendo. Estava acontecendo. O dia do casamento havia chegado. Ele perdera parte das festividades, mas a tempo de acompanhar todas as partes principais. Ou pelo menos, ele achava que estava a tempo das partes principais. Não tinha muita certeza do que estava acontecendo.

Por que Brenda estava dentro de um quarto de hospital, com um soro no braço, enquanto Pierre estava em um balão de ar quente lá no alto, sobre o quarto do hospital, montado em um jovem cavalo?

— Com licença, estou um pouco atrasado — disse Lex a um dos hóspedes ao lado. — Pode me dizer o que está acontecendo?

O hóspede, um goblin particularmente gordo, olhou para Lex e depois voltou a olhar para o balão de ar quente.

— Então, segundo o narrador, os votos de casamento são uma tradição sagrada entre humanos, que testa a determinação dos envolvidos e a força do laço dos dois que vão se casar. Aparentemente, o noivo precisa passar pela doença e pelo inferno, montado em um cavalo branco e usando armadura reluzente, tudo para alcançar a noiva.

— Depois ele precisa segurá-la enquanto uma horda de querubins tenta roubar as almas deles, até chegar ao pé do Monte I-do, ponto em que ele dará à noiva um anel de preço astronômico, de modo que o noivo ficará endividado por muitos milênios até poder pagá-lo. Somente ao receber o anel a noiva despertará, permitindo que prossigam para a próxima fase da cerimônia de casamento.

O goblin estava claramente muito emocionado, como se podia ver pelos centenas de lenços que já havia usado para enxugar suas lágrimas.

— Ah, certo, o noivo também tem que fazer votos em algum ponto. Não sei bem o que é isso, fui confundido. É uma cerimônia incrivelmente complexa.

Lex deu ao goblin um olhar incomum e depois voltou a observar a cena. Bem, era caro, mas ele certamente não poderia dizer que não era original ou divertido.

Pierre, montado no cavalo branco, saltou do balão de ar bem na hora em que ele explodiu.

— Droga, Brenda, é "na saúde e na doença", não "na doença e no inferno" — a voz de Pierre rugiu pelos céus, mas era tarde demais. Luthor já estava fazendo sua parte, conjurando seu Fogo Infernal e moldando-o na forma de um demônio gigantesco para perseguir Pierre pelo céu.

Lex esqueceu dos objetos que tinha quando viu um esquadrão de aviões da Segunda Guerra Mundial repentinamente levantar voo, tentando defender Pierre do demônio de Fogo Infernal, enquanto outro grupo de naves espaciais futuristas apareciam para derrubá-lo do céu.

Ao fundo, fogos de artifício começaram a explodir, cada um se transformando em texto brilhante flutuando no céu, contendo todos os votos de Pierre.

— Eles simplesmente não fazem entretenimento assim hoje em dia — disse Lex enquanto se sentava ao lado do goblin e balde de pipoca. Como já havia pago por tudo aquilo, poderia muito bem aproveitar.

Por mais bizarra, ridícula e inesperada que fosse a cerimônia de casamento — dividida em 11 atos, 3 intervalos e um narrador que explicava a situação ao longo de tudo —, ela foi extremamente divertida.

Uma Audrey muito grávida lançou um olhar furioso para Brandon Morrison, culpando-o por não ter dado a ela um casamento, nem mesmo um aniversário quase tão divertido quanto aquele.

Quase todos estavam aproveitando o espetáculo, com pouquíssimas pessoas que não conseguiam curtir por diversas razões.

No entanto, de todos eles, havia apenas um funcionário da Pousada da Meia-Noite. Parado ali sozinho, olhando para o céu, ele começou a hiperventilar. Fizera o possível para segurar tudo, mas simplesmente não conseguia mais.

Ver Pierre e Brenda afirmarem seu amor de forma tão pública o levara a um ponto onde não conseguia mais se controlar.

Em um estado confuso e angustiado, havia apenas uma pessoa em quem ele podia pensar para procurar. Embora houvesse muitos na Pousada que tinham construído uma reputação de ajudar uns aos outros, havia apenas um "Irmão Mais Velho" da Pousada da Meia-Noite.

Levou algum tempo até encontrá-lo, e por essa altura Pierre já havia pousado no hospital onde Brenda deveria estar, apenas para descobrir que precisava derrotar os cobradores de dívidas parados em frente às portas do hospital.

Z estava ocupado dando ordens a alguns dos funcionários. Lidar com mais de um trilhão de hóspedes colocara a Pousada da Meia-Noite sob imensa pressão e levara todos os trabalhadores a dar tudo de si. Em circunstâncias normais, ele não incomodaria Z num momento como aquele, mas esse trabalhador simplesmente não aguentava mais.

— Z, desculpe incomodá-lo, mas tenho uma coisa urgente para conversar — disse ele a Z enquanto se aproximava.

Z estava prestes a dizer ao trabalhador que aquele não era o melhor momento, já que alguém estava tentando realizar um sacrifício em massa durante o casamento e a equipe de segurança estava com poucos membros, mas de repente sentiu que aquilo era super importante.

Ele se virou para olhar o trabalhador e descobriu que seus olhos estavam completamente vermelhos e fundos na órbita, como se não dormisse há dias, talvez até semanas.

— O que foi? — ele perguntou, apesar de tudo. O sacrifício em massa provavelmente falharia de qualquer forma… esperava-se.

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