
Capítulo 2058
O Estalajadeiro
Ninguém suspeitou de nada quando o Estalajadeiro afirmou que pacotes comuns provavelmente não seriam capazes de satisfazê-lo. Com base na percepção que tinham dele, essa era a reação natural. Agora, será que alguém que convivia com a Rainha Primordial tinha padrões normais?
Mal sabiam eles que a verdadeira razão pela qual Lex afirmou aquilo era que ele não precisava de formações reais ou algo do tipo. Em comparação com os demais, ele confiava muito mais no seu sistema — por mais obscuro que fosse — para criar defesas melhores, sem falhas escondidas.
"E você?" perguntou o Estalajadeiro, olhando para Ballom. Embora, como anfitrião, ele normalmente não se interessasse por coisas de outros mundos, pelo menos demonstrava interesse pelo bem-estar dos hóspedes. "Acha que os Demônios vão ser alvo?"
Ao ouvir essa pergunta, Ballom deu uma risada, quase como se estivesse animado.
"Com toda certeza," declarou, com um sorriso amplo. "Quer que gostemos ou não, os Demônios vão ficar ligados aos Anjos de agora em diante. Desde que os Anjos relançaram a guerra para conquistar o Éden, eles não só enfrentam a pressão do universo, como nós também teremos que suportá-la. Mas, no fundo, não estamos muito preocupados. Se alguém nos atacar primeiro, vai facilitar nossas vidas, porque, atualmente, o maior debate em Garvitz é sobre quem devemos atacar. Se nos atacarem primeiro, tudo fica bem mais simples."
O Estalajadeiro assentiu, embora não acreditasse nem 1% do que Ballom dizia. Era natural manter uma postura forte, especialmente num momento tão delicado. Ninguém mostraria vulnerabilidade abertamente, a não ser que fosse uma isca. Se os Demônios estavam mesmo querendo participar da guerra, só o tempo diria.
Lex começava a entender por que os Senhores do Dao analisavam cada ação minuciosamente — nenhuma delas era completamente honesta!
"Falando nisso," continuou Ballom, "como você me fez o favor de me convidar para essa festa do chá, então acho que vou aproveitar bem. Veja só alguns Senhores prontos para fazer negócios de respeito — vou tirar proveito dessa oportunidade. Até já, pessoal."
O Primordial também se despediu, prometendo reencontrar o Estalajadeiro assim que tivesse terminado de cumprimentar todos os convidados.
Por um breve momento, o Estalajadeiro finalmente ficou livre de todos os convidados. Olhou ao redor e percebeu que todos estavam conversando entre si ou tinham se isolado em salas privadas para reuniões. Especificamente, todos optaram por entrar em Câmaras Secretas individuais e depois acrescentaram camadas de segurança manualmente, para garantir que ninguém pudesse bisbilhotar.
Era uma ótima oportunidade para se juntar de novo à Eclipse. Cada conversa casual com ela rendia grandes revelações a Lex, mas ele achava que isso era normal para alguém que tinha vivido uma vida tão longa quanto a dela.
Porém, antes de voltar a esse círculo, esse momento de relativa liberdade também era bom para conferir a cozinha e a equipe. Para ser sincero, a limonada tinha feito mais sucesso do que Lex esperava, por motivos que ele não conseguia compreender completamente, mas não estava realmente reclamando.
Ele entrou na taverninha movimentada e viu uma multidão de trabalhadores correndo de um lado para o outro, trazendo bebidas aos convidados e recolhendo os copos usados. Como a maioria dos funcionários da taverninha eram mortais, esse realmente era um grande teste para as habilidades deles.
Mais dez dias desse ritmo seriam um grande desafio — felizmente, eles já haviam organizado turnos e horários de trabalho para manter o serviço ininterrupto. Apenas o Pobre Cole Sanders tinha o menor intervalo entre uma tarefa e outra. Assim é o peso de ser o chef principal. Mas sua dedicação daria resultados a longo prazo — mesmo que ele ainda não percebesse.
Para ser bem específico, nem Cole nem a maior parte da equipe sabia exatamente o que estava acontecendo ou para quem estavam servindo. Para garantir que não sofressem muita pressão e errassem, Lex talvez tenha sido um pouco… criativo ao explicar os detalhes do evento.
"Como vai, Cole?" perguntou o Estalajadeiro ao entrar na cozinha, observando o jovem secar o suor da testa com uma toalha. Para um mortal, achava que a temperatura dentro da cozinha estava bastante elevada.
"Ótimo!" respondeu Cole, empolgado. "Saí rapidinho da cozinha só para ver como a galera estava reagindo às bebidas e às entradas. Preciso dizer, essa é a Comic Con mais intensa que já participei! Quero dizer, cada fantasia parece tão realista!"
O Estalajadeiro sorriu, observando-o com atenção.
"Sim, as fantasias são muito boas," repetiu com segurança. Cole parecia não perceber.
"Pois é, e não é só a fantasia que está incrível, todos os participantes são muito simpáticos também. Pensei que as fantasias iam fazer a galera suar, por isso trouxe limonada — sabe, a própria bebida eletrolítica da natureza. Mas nunca imaginei que todo mundo fosse beber tanto assim. Acho que estão super empolgados em reencenar um evento do Inn Noturno em pequena escala."
O Estalajadeiro deu uma Palmadinha nas costas de Cole, apreciando seu entusiasmo.
"Não se esqueça de pegar uma dose de eletrólitos para você também — esse é um evento longo, e só começou. Vá devagar e não se desgaste. Sabe que todos os convidados são cultivadores, então não tente acompanhar o ritmo deles."
Cole assentiu, de forma consciente.
"Sim, sim, sei. São todos cultivadores no reino Fundação. Acho que dá para perceber pelo jeito — todos arrogantes e convencidos. Mas não se preocupe, vou manter meu ritmo. Por enquanto, estou focado no meu primeiro prato."
"Aprendi isso com a tia de um amigo meu que é indiana, ou era. Não lembro o nome original do prato, mas eu chamo de: Cubos da Morte. Espero que os convidados tenham alta tolerância a temperos, porque não vou segurar a mão."
O Estalajadeiro sorriu para Cole, embora ninguém conseguisse perceber o sorriso constrangido que Lex oferecia internamente. Bem, pelo menos era bom ver que Cole não estava sendo afetado pela pressão. Só esperava que o resto estivesse lidando tão bem. Depois, verificaria os garços.
Nota do Autor: Talvez seja interessante você saber que os Cubos da Morte eram um prato real que meu colega de faculdade indiano costumava levar quando a tia dele preparava. Nunca soube o nome original, porque passei a chamá-los assim por causa da quantidade de especiarias que faziam meu couro cabeludo suar!