O Estalajadeiro

Capítulo 2029

O Estalajadeiro

Embora Lex conhecesse Riplet pelo banco, ele não tinha contato com nenhum Senhor do Dao em si. Portanto, para simplificar, Lex enviou seu convite diretamente para Ripley, apenas informando que o Aguardente tinha enviado aquilo ao banco. Ele deixaria Ripley descobrir quem exatamente isso significava.

Enquanto isso, Gerard mais uma vez se encontrava dentro de Garvitz. Não era sua primeira visita, nem a segunda, para falar a verdade. Era evidente que, desde que seu relacionamento com Lilith recebeu aprovação oficial, não fazia mais sentido esconder ou se esconder. Assim, ocasionalmente, Lilith levava Gerard até Garvitz.

Em todo o universo, o nome Garvitz era famoso, e por mais de uma razão. Para começar, era um Inferno lendário! Todo o reino em si era um Inferno, ao invés de ter um Inferno menor dentro dele. Além disso, era um reino maduro também.

Justamente como os Serafins nascem apenas no Paraíso, os Infernais nascem apenas no Infernos, o que originalmente fazia de Garvitz um dos pontos estratégicos mais importantes para aquela raça. O fato de os Demoníacos terem conseguido tomar o reino à força dos nativos foi uma grande realização. Não foi algo conquistado sem muito esforço e sacrifício.

Porém, esse não era o único motivo pelo qual Garvitz era famoso. Desde que os demônios assumiram o controle do reino, eles moveram toda a sua raça para dentro dele, passando por uma evolução que lhes concedeu formas demoníacas adicionais, mais fortes que suas formas humanas normais. Além disso, assim como todos os reinos maduros tinham qualidades únicas, a de Garvitz era a facilidade de invocar criaturas a partir de seu reino, de forma extremamente simples, de qualquer canto do universo.

Por exemplo, teleportar alguém de um reino para outro geralmente exigiria recursos extremamente valiosos ao nível celestial. Já em Garvitz, mesmo materiais comuns ao nível mortal podiam gerar projeções simples, enquanto materiais de nível imortal básico podiam resultar em teletransporte de verdade.

Claro, isso geralmente valia para os habitantes de Garvitz, ou seja, os Demônios podiam ser facilmente invocados, mas não outros seres. Da mesma forma, não era fácil que outros fossem teleportados até lá por meios comuns.

Porém, como Gerard estava namorando Lilith, foram feitas disposições especiais para que ele pudesse entrar e sair como quisesse, sem precisar que a hospedaria se conectasse a Garvitz.

Na primeira vez que chegou a Garvitz, Gerard não sabia bem o que esperar. O nome não inspirava nenhuma imagem positiva. Como era de se esperar, o Inferno correspondeu à sua reputação.

Para criar um Inferno, era necessário obter uma Tormenta Conceitual. Quando o Inferno se formava, essa Tormenta Ditava o tipo de ambiente que aquele Inferno teria. No caso de Garvitz, a Tormenta Conceitual girava em torno de gravidade e espaço.

Que inferno magnífico e aterrorizante Garvitz era. Embora ele tivesse chegado numa das regiões que os demônios terraformaram para facilitar sua sobrevivência, não pôde deixar de reconhecer o quão intimidante era o próprio ar daquele Inferno.

O próprio tecido do espaço dentro daquele reino pressionava-o, querendo desintegrar seu corpo, enquanto a gravidade agia de forma altamente restrita, como se estivesse sendo impedida de agir normalmente. E a razão disso era evidente ao olhar para fora das zonas seguras.

Não havia apenas gravidade alta ou baixa, mas até regiões inteiras de antigravidade. Ilhas de rochas e montanhas flutuavam no ar, e sobre essas ilhas a gravidade era tanto muito intensa quanto muito leve, o que gerava uma enorme tensão em tudo que estivesse em seu território.

O espaço se deformava aleatoriamente, arrastando regiões inteiras para outros lugares. Luz e som estavam sujeitos tanto à gravidade quanto ao espaço, tornando-se imprevisíveis, exibindo ilusões e realidade ao mesmo tempo. Demônios de espécies estranhas, que Gerard nunca imaginara antes, nasciam do ambiente a cada dia, e a cada dia eram destruídos.

Não era o Inferno que os destruía, mas as inúmeras legiões de demônios que os Demônios estavam criando.

De qualquer forma, Gerard não se interessava por aquilo. No momento, Lilith estava ocupada com uma tarefa para o pai dela e não podia acompanhá-lo. Felizmente, ele era bem conhecido, então não teve dificuldades.

Depois de explicar seu propósito para a assistente de Lilith, Gerard não foi questionado nem um pouco. Em vez disso, com a máxima urgência e respeito, foi acompanhado pelo reino até a domain de Val Kilger — o domínio do Senhor do Dao, Ballom Val Kilger.

Não era um palácio onde o Senhor do Dao residia. Na verdade, sua morada era um reino menor por si só, tornando-se pequeno e discreto, mas ao mesmo tempo incrivelmente vasto.

A entrada do reino era um portão negro enorme, que parecia ocultar todo o horizonte, como se fosse feito de trilhões de ossos.

Como se sua presença não fosse assustadora suficiente, a gravidade do portão era tão intensa que ameaçava desintegrar Gerard, mesmo ele sendo um imortal. Somente com a proteção de sua acompanhante Gerard conseguiu permanecer ileso.

O que acontecia lá dentro… era um mistério para Gerard. Ele parecia ter caído num transe, acordando momentaneamente ao ver-se entregando a carta. Quanto a quem ela foi entregue ou o que foi dito, ele não fazia ideia.

Assim que entregou a carta, o transe se restabeleceu, e quando Gerard despertou, estava deitado numa piscina quente, enquanto um demônio massageava seus pés e outro seus ombros.

"Você foi purificado de toda a aura do Dao residual, mestre Gerard," disse o demônio que massageava seus pés educadamente. "Seu corpo ainda está se recuperando do estresse que sofreu. Por favor, descanse aqui até que o tratamento esteja completo."

Gerard não questionou por que o domínio estava cheio de uma aura de Dao tão intensa, nem porque ele próprio tinha sido tão afetado. Isso não era da sua conta, mesmo que uma situação dessas fosse bastante incomum.

O que ele não sabia é que, dentro do domínio de Val Kilger, Ballom não era o único Senhor do Dao. Naquele momento, o demônio estava face a face com outro Senhor do Dao — alguém que segurava a carta do Aguardente.

"Você deveria saber seu lugar," disse Ballom, controlando a insatisfação na voz. "Não é para você interferir nos meus assuntos."

O outro Senhor do Dao apenas riu.

"Veremos sobre isso."

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