O Estalajadeiro

Capítulo 2027

O Estalajadeiro

Duas semanas depois, Lex olhou para si mesmo no espelho usando um terno cinza escuro de abotoamento duplo. Preciso admitir, ficou muito bem. A pochette e a gravata douradas amarelo-ouro combinavam com o broche de lapela em forma de chave dourada, dando a ele uma aparência totalmente diferente de quando usava todo de preto.

Comparado ao terno preto mais simples e régio, a combinação de cinza e dourado o fazia parecer mais elegante. Para enfatizar ainda mais esse estilo, o terno vinha com mais acessórios além do broche de lapela. Tinha um relógio de bolso dourado, com a corrente pendurada do lado direito do terno. Para equilibrar, na mão esquerda, ele usava um relógio bastante elegante.

O terno de Lex era feito de um pequeno planeta, e cada acessório vinha de uma lua que orbitava esse planeta, formando um conjunto perfeito quando colocados juntos. Apesar de literalmente estar usando um planeta no corpo, Lex não sentia peso algum, principalmente porque a força dele era dispersa através de algumas características do próprio terno. É claro que Lex fornecia a energia para que esses recursos funcionassem, mas aquilo era algo trivial para ele.

O acessório final, é claro, eram um par de óculos de sol de tonalidade dourada pálida.

"Você acha que está exagerado?" perguntou Lex a Mary, que estava sentada sobre o espelho, observando-o.

"De jeito nenhum. É uma pena você nunca dar atenção à moda, senão aprenderia os benefícios de estar bem vestido. Um terno é legal, mas você devia variar um pouco de vez em quando."

Lex virou-se e observou sua silhueta de lado, ainda incerto. Estava tão habituado ao preto e branco que o novo esquema de cores o confundia um pouco.

"Só falta você se tocar, caramba. Você passa mais tempo na frente do espelho do que eu," disse Mary, pulando na sua frente e ocupando o lugar na moldura. Hoje, ela estava vestida normalmente, com jeans e uma camisa de flanela. Mesmo com roupas tão simples, ela ainda parecia deslumbrante — ao menos aos olhos dela mesma.

"É, acho que devo parar de enrolar," disse Lex enquanto pegava a carta, e então se teleportou de volta ao Jardim Primordial. Nas últimas semanas, tinha gastado quase todo o seu tempo sentado meditando sobre a fruta Gabana, aumentando sua aura primordial bem devagar.

Por isso, a pressão que sentiu ao entrar no Jardim Primordial não foi tão devastadora quanto esperava. Infelizmente, o jardim também não estava tão vazio quanto estava acostumado.

No momento em que voltou, tropeçou em uma mangusta lutando contra uma cobra. Ou, melhor dizendo, uma Mangusta Líder Primordial de Grama enfrentando uma Cobra Famosa-por-Nome-Primordial. Honestamente, Lex tinha começado a evitar os nomes desses seres antigos, pois todos pareciam longos e sofisticados sem motivo. Achava que sua própria versão do nome da raça era melhor.

De qualquer forma, Lex instantaneamente ativou os poucos fios de karma que tinha e desapareceu, fluindo pela linha e se afastando da batalha devastadora.

Mesmo longe da luta, percebeu que o jardim estava repleto de vida, totalmente diferente de suas últimas visitas. Parecia que o reino finalmente se recuperava dos efeitos posteriores da fusão com o reino de Cristal.

Falando nisso, Lex não tinha encontrado Vinei ou as outras aves Divinas. Ficou curioso para saber como estavam lidando com esse novo ambiente, e com a nova vida em geral. Notou que monstros às vezes surgiam aleatoriamente na escuridão, embora nem sempre; então, o reino de Cristal deve ter exercido alguma influência sobre o local.

Enquanto pensava em como iria encontrar Eclipse, ele foi forçado a abandonar sua forma karma, surgindo bem na frente de um pequeno poodle preto. Ou, melhor dizendo, na frente de Harriot, a assistente do Senhor Dao de Eclipse.

"Você chegou com a Carta de Intenções?" perguntou ele, já estendendo a mão. Claramente, ele já sabia o motivo de Lex estar ali.

"Sim, o Mestre da pousada me enviou para entregar a carta para Eclipse," respondeu Lex, oferecendo o documento.

Ao invés de pegar a carta, Harriot agarrou a mão de Lex e o teleportou até Eclipse, que estava de modo estranho agachada sobre uma pedra de formato incomum, mexendo alguma coisa com a mão dentro de uma abertura pequena na rocha.

"Ei, Lex!" exclamou Eclipse animadamente. "Você chegou. Olha isso! Estava pensando em liberar isso na festa do chá do Mestre da pousada. O que acha?"

Ela puxou a mão, revelando algo grande... que se assemelhava muito a um verme carnoso.

"Hum… não tenho certeza do que seja isso," disse Lex, meio confuso, considerando o quanto Eclipse parecia empolgada.

"Isto é um Verme de Bolsa Primordial," explicou Eclipse. "Na Era Primordial, essas criaturas eram uma grande ameaça por causa do espaço quase infinito dentro de seus estômagos. Comiam tudo que encontravam pelo caminho, devorando muitas raças poderosas. Depois, com o surgimento de novos reinos, os Vermes de Bolsa Primordial quase desapareceram, pois alguém — que não vamos citar o nome — descobriu que podem ser usados para fazer uma ferramenta espacial. Resumindo, os Vermes de Bolsa Primordial originaram as primeiras Sacolas Espaciais, que eram usadas para levar reinos recém-descobertos ao lado do dono pelo Vazio."

Lex ficou boquiaberto, quase sem conseguir segurar a mandíbula de tanto choque. Mas, infelizmente, Eclipse ainda não tinha terminado de falar.

"Claro que esses que tenho guardados já estão cheios. Não conte para ninguém, mas dentro deste Verme de Bolsa há um reino que venho escondendo desde a Era Primordial. Qualquer um que visite esse reino consegue passar pelas restrições que escondem os segredos daquela época, ou seja, entender o que aconteceu naquela época. Ou, pelo menos, o que aconteceu naquele reino escondido dentro desse verme."

A mandíbula de Lex caiu de vez, quase desmaiando com o choque do segredo de Eclipse. Felizmente, ele vinha treinando arduamente, e por isso conseguiu se manter acordado.

"Que tal essa fofoca quente, hein? Estava esperando a oportunidade certa para mostrar isso," disse Eclipse, bastante satisfeita consigo mesma.

Lex, por sua vez, sentiu as pernas fraquejarem ao pensar em como se Controlar durante a festa do chá e manter tudo sob controle.

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